Ética foi um dos temas debatido no 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio promovido pela ABAG

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Ética foi um dos temas debatido no 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio promovido pela ABAG

Encontro reuniu cerca de 900 participantes entre lideranças empresariais, políticas e setoriais, além de produtores e pesquisadores
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Encontro reuniu cerca de 900 participantes entre lideranças empresariais, políticas e setoriais, além de produtores e pesquisadores

O terceiro painel do 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio na segunda-feira (8/8), em São Paulo, trouxe para os cerca de 900 participantes do evento o tema Ética e o Brasil. “Existe uma cultura em nosso país de que quem dá emprego é explorador e que ter lucro é considerado um crime. Por esse motivo, há essa visão de que o agronegócio é bandido”, avaliou o filósofo Luiz Felipe Pondé. “Essa mentalidade de não confiança atrapalha a vida, o desenvolvimento e os negócios, além de criar por parte do empresariado uma cultura de se proteger com o auxílio do Estado, servindo a Ele, tornando-se uma forma de sobrevivência e para fazer negócios”.

Nesse sentido, Pondé considera ser imprescindível uma transformação nesse tipo de cultura no país, o que resultará também em um menor nível de corrupção em instâncias públicas e privadas. “Quanto menos as pessoas tiverem o poder de decisão e quanto maior forem os processos de transparência e de automação dessa transparência, em especial, nas transações financeiras, haverá menos corrupção. Assim, a produção de processos de transparência e de rastro precisam ser ampliadas”, explicou. “O futuro da ética no Estado e na sociedade está exatamente no aumento da transparência tecnológica”, acrescentou.

O painel, que teve como moderador o jornalista Augusto Nunes, foi aberto pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto que enfatizou a importância de a Constituição brasileira contemplar, em diversos dos seus artigos, a questão da ética. “Essa consciência coletiva da ética como padrão elevado de conduta pública, que tem levado o Brasil a apresentar ganhos jurídicos e éticos importantes”, afirmou o ministro. “Nosso desafio no Brasil, é sairmos do melhor discurso para a melhor prática, encurtando a distância entre o que se prega e o que efetivamente é feito”, complementou o ministro.

Demonstrando otimismo, Ayres Britto afirmou ainda que à luz da nossa constituição conseguimos produzir leis importantes na questão da improbidade administrativa, proibição de financiamento de campanhas eleitorais, Lei Maria da Penha, de proibição do nepotismo, cotas sociais e raciais. “Nessa linha, estamos experimentando o podemos sair mais fortalecidos e engrandecidos. Podemos dizer o fundo do poço não é escorregadio, mas pode funcionar como molas ejetoras”, concluiu.

A avaliação sobre a aproximação do discurso com a ação na questão da ética, relatada por Ayres Britto, conta com concordância de outro participante do painel, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca. “No caso brasileiro, o que me envergonha é saber que empreiteiros e diretores da Petrobras estão sendo julgados, condenados e presos, enquanto políticos continuam soltos e, muitos, comandando processos políticos. Isso não é aceitável que políticos continuem soltos”, analisou Giannetti da Fonseca.

Na opinião do debatedor, o mensalão foi um divisor de água, ao punir pessoas que ocuparam elevados cargos na República. “A conclusão a que chego é que a crise atual está relacionada ao nosso estado patrimonialista, que age como se a sociedade existe para servir ao Estado e não o contrário. O que a Lava-jato revelou é a existência de um bloco de empresário que estava abrigado pelo projeto de poder”, finalizou.

A liderança e o protagonismo exercidos pelo agronegócio brasileiro no mercado internacional e para o desenvolvimento econômico e social do país foram outros temas abordados durante o Congresso da ABAG. Uma tônica que dominou os debates foi a de que, apesar de o setor ainda apresentar níveis de crescimento, diferentemente do que ocorre com a economia nacional, a agenda do agronegócio sofre com os limites impostos, como a capacidade logística brasileira, a crise fiscal, a dificuldade de orçamento governamental, o regime tributário, ao mesmo tempo em que há a necessidade de manter os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para manutenção do desenvolvimento da indústria e da cadeia do segmento.

A análise foi feita pelo presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, feita ao término do evento, onde também destacou a questão da demanda por alimentos em função do aumento da renda per capita, da maior urbanização e do crescimento populacional que vem ocorrendo no mundo. Por esse motivo, Carvalho pondera que é necessário a discussão de políticas públicas com vistas a longo prazo para que haja o crescimento sustentável não apenas do agronegócio como do país. “Assim, como foi sugerido durante nosso Congresso, nós devemos nos envolver para além do agronegócio. É nossa obrigação ter uma participação mais efetiva, que nossas lideranças possam atuar de forma macrossetorial. Quanto mais poder, mais responsabilidade”, enfatizou.

Sobre a questão tributária, Carvalho considera imprescindível que haja a reforma, mas que ela precisa ocorrer de modo a analisar toda a economia, considerando todos os elos das cadeias produtivas relacionadas com o agronegócio. “A questão do tributo no país precisa ser revista para que todos os elos da cadeia fiquem equilibrados, sem privilegiar um em detrimento de outro”, disse. “Temos defendido que haja interdependência e cooperação entre todos os atores, maior governança entre os setores privados e as entidades de classe e que haja menos governo e mais mercado, o que significa menos intervenção do Estado”.

Para o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária, Neri Geller, que participou do encerramento do encontro, o Ministério da Agricultura precisa ser a “casa da produção”. A seu ver, os empresários precisam atuar junto com o Ministério para construir ações concretas e liderar esse protagonismo que o Brasil merece e precisa. “Não há nenhum país do mundo que tem a capacidade de suprir a demanda por alimentos”, afirmou Geller.

Na parte da manhã, o 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio contou com a palestra do cineasta, escritor e jornalista Arnaldo Jabor, que trouxe o debate sobre o Brasil de hoje e do futuro. Na sequência, o painel 1 Liderança no Agronegócio contou com as participações da senadora Ana Amélia Lemos, do presidente da Cooxupé Carlos Alberto Paulino da Costa, do presidente do Conselho diretor da ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal, Eduardo Leduc, e do economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados. O painel Liderança no Agronegócio foi moderado pelo jornalista Celso Ming.

Já o painel 2 Protagonismo do Agronegócio estiveram como debatedores Marcelo Furtado, representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura; embaixador Marcos Azambuja; ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e a economista Zeina Latif, da XP Investimentos. O moderador foi Fernando Lopes.

Durante o evento, a Abag homenageou, com o Prêmio Norman Borlaug, o engenheiro agrônomo Sizuo Matsuoka, geneticista e responsável pela maioria das variedades de cana em produção. O prêmio foi entregue por Ismael Perina Junior, agricultor do segmento canavieiro e presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Foi entregue também o Prêmio Personalidade do Agro Ney Bittencourt de Araújo, que este ano homenageou o governador do Mato Grosso, Pedro Taques. O prêmio foi entregue por Rui Prado, presidente da FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso. 

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