EUA e Paraguai disputam a liderança na pauta de importações de algodão


Agronegócio

EUA e Paraguai disputam a liderança na pauta de importações de algodão

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Nos últimos 12 meses as importações brasileiras de algodão totalizaram cerca de 80,5 mil ton de pluma. Até o mês de outubro do ano passado, o Paraguai foi o principal fornecedor ao Brasil. O algodão americano já estava tendo uma participação significativa no mercado interno desde o início de 2002. Mas a partir da entressafra no Mercosul, as importações dos EUA passaram a liderar a pauta de compras externas no Brasil.

Em novembro, dezembro e fevereiro deste ano, as importações provenientes dos EUA foram superiores ao volume adquirido do Paraguai. No último mês de fevereiro, as indústrias nacionais importaram 12 mil ton de algodão, sendo quase 8 mil ton dos EUA.

No acumulado de março/2002 a fevereiro/2003, do total importado pelo Brasil, cerca de 32,5 mil ton vieram do Paraguai e 30,0 mil ton dos EUA. Outras 14 mil ton foram adquiridas de países africanos e uma pequena parte adicional de regiões como a China, Austrália, Argentina, União Européia, Oriente Médio e Europa Oriental.

A maior parte do algodão americano está sendo desembarcado no Ceará (19 mil ton) e Sergipe (7 mil ton) e outra menor parte no Paraná e em São Paulo.

De certa maneira, é surpreendente o crescimento da presença do algodão americano no mercado nacional. No mesmo período da safra anterior, o volume importado pelas indústrias brasileiras dos EUA não passou de 4 mil ton, quando a presença majoritária do produto internalizado ainda era proveniente do Paraguai.

O aumento da participação do produto americano, entre outros motivos, aconteceu diante de uma oferta disponível para exportação bem menor no Paraguai.

Na safra 2000/01 o Paraguai chegou a exportar 109 mil ton de algodão. Mas na safra 2001/02, o volume reduziu-se a 60 mil ton, insuficiente para atender a demanda por importações no Brasil. Nesta safra 2002/03, estima-se que o Paraguai terá disponível um volume de cerca de 70 mil ton para exportação, o que deve levar as indústrias no Brasil a novamente buscar outros mercados, visto a possibilidade de um suprimento interno menor neste ano e a necessidade potencial de importações ser superior a 100 mil ton.

Os EUA são os maiores exportadores mundiais de algodão. Na safra 2001/02, o Brasil foi o vigésimo primeiro na pauta das exportações de algodão deste país, mas certamente esta posição será alterada nesta safra 2002/03. As exportações americanas devem fechar em 10,8 milhões ton, praticamente o mesmo volume da safra 2001/02.

O Governo brasileiro continua com o processo investigativo de subsídios ao algodão americano junto a OMC (Organização Mundial do Comércio). Se por um lado os possíveis subsídios americanos aos produtores e exportadores locais têm prejudicado o comércio internacional nos últimos anos, por outro, os bons níveis das exportações americanas nesta safra, especialmente para a China, têm sido uma das variáveis importantes para a gradual recuperação dos preços em Nova York.

Os preços internacionais aproximam-se em média do patamar de US$ 60,0 cents/lp, o que beneficiará em muito as exportações brasileiras, dificultando por outro lado as importações, as quais enfrentarão neste ano um custo cambial extremamente alto. Estima-se que atualmente o custo de importação CIF indústria no Brasil esteja em torno de no mínimo R$ 67,0/@. Mas as importações não têm recuado como se esperava.

Além do incremento em fevereiro, segundo informações da SECEX (Secretaria de Comércio Exterior), nas duas primeiras semanas deste mês de março, a média diária das importações de algodão no Brasil fechou em US$ 0,676 milhões, 4,5% acima do mês de fevereiro e 90% superior ao mesmo período do ano passado.

As indústrias estão optando por formar um melhor nível de estoques já neste início de ano, basicamente em virtude dos preços internacionais tenderem a aumentar no decorrer dos próximos meses e do ritmo das exportações de algodão poderem ultrapassar tranqüilamente o patamar de 150 mil ton nesta safra. A estimativa de oferta e demanda nacional indica que os consumidores necessitarão dobrar o volume importado neste ano e muito provavelmente dependerão dos estoques da CONAB mais cedo do que no ano passado.


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