EUA resistem a teste para vaca louca
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Agronegócio

EUA resistem a teste para vaca louca

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Críticos dizem que método atual não dá garantias de que o rebanho está livre da doença. O governo dos Estados Unidos está sendo criticado por resistir na implantação dos testes de rápida detecção de casos de vaca louca. Os testes realizados hoje são considerados insuficientes e pouco confiáveis. Apesar disso, Washington sustenta que o rebanho norte-americano está livre da doença.

A notícia recente de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca, no Canadá, aumentou a preocupação sobre a possibilidade de a doença existir também nos rebanhos vizinhos dos EUA.

Embora o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reafirme que o gado norte-americano está livre da doença, os críticos dizem que só se poderá saber com certeza quando a agência implementar os chamados testes rápidos na detecção da EEB.

Os críticos, incluindo um ex-criador de gado e um ex-veterinário do USDA, disseram que os testes - que mostram os resultados em poucas horas e ajudaram a detectar a doença em rebanhos de diversos países europeus -, capacitariam a agência a examinar milhões de animais e a dar garantias reais à população norte-americana de que o suprimento de carne bovina é seguro para a população.

Afinal, suspeita-se que o mal da vaca louca possa infectar seres humanos e causar uma variação da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma moléstia letal que causa degeneração do cérebro. Acredita-se que, somente no Reino Unido, cerca de 100 pessoas manifestaram a Creutzfeldt-Jakob depois de ter consumido carne contaminada desde o final dos anos 90.

Até agora, o USDA esteve relutante em empregar o teste rápido, alegando que seu método atual - chamado teste imunohistoquímico, que pode levar oito dias para produzir resultados - é adequado para garantir os níveis de vigilância que os altos funcionários do departamento julgam suficientes. No ano passado, o USDA aplicou o teste em 20 mil cabeças, uma pequena amostra dos 30 milhões de animais abatidos. Os críticos acusam que o sistema do USDA, por testar um número pequeno de animais, torna improvável a detecção da doença da vaca louca.

Lobby da indústria

"O impacto financeiro que a cadeia produtiva da carne bovina dos EUA poderá sofrer se a doença for descoberta ajuda a explicar a relutância do governo americano em adotar o teste rápido", acredita Howard Lyman, o agora vegetariano ex-criador que suspeita que a doença da vaca louca esteja presente nos rebanhos americanos. "Aposto tudo o que for sagrado que se testarmos 5 milhões de cabeças de gado maduro e sedado nos EUA encontraremos animais infectados com a doença", afirma. "Poderão surgir definitivamente resultados positivos se eles empregarem o teste rápido", diz Lester Friedlander. Friedlander é um ex-veterinário do USDA que tem criticado severamente os esforços da agência para garantir a segurança da carne. "O USDA nunca aplicou o teste rápido aqui porque temem os resultados", acusa Friedlander.

O USDA rebate as acusações: "Não temos nenhuma dúvida de que os Estados Unidos estão livres da doença da vaca louca. Garanto que nunca tivemos um caso da doença neste país", afirma o porta-voz da agência, Ed Curlett. "Podemos empregar o melhor teste e ainda ter um alto nível de vigilância nos EUA", disse Curtlett, observando que o atual nível de teste da agência é suficiente para detectar a doença da vaca louca mesmo se ela estiver ocorrendo em uma única vaca por milhão.

Lyman e Friedlander disseram, contudo, que os testes rápidos revelaram casos de doença da vaca louca na Alemanha, Áustria e outros países que se acreditavam estar livres da doença porque nenhum caso foi detectado por meio da imunohistoquímica.

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