EUA vê carne argentina como ameaça para produtores norte-americanos

Agronegócio

EUA vê carne argentina como ameaça para produtores norte-americanos

Concorrência viria no longo prazo
Por: -Leonardo Gottems
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O crescimento da participação argentina no mercado da carne bovina está deixando os produtores norte-americanos inquietos. É o que aponta o Portal Agriculture.com, em reportagem assinada pelo correspondente do site em Buenos Aires, Luís Henrique Vieira.

Por anos, houve uma ampla divulgação de como os impostos de exportação afetaram negativamente os produtores de grãos argentinos. No entanto, não houve tanta repercussão internacional sobre uma brutal intervenção governamental no mercado de carne do país.

Desde 2009, o governo da Argentina impôs proibições periódicas de exportação para controle doméstico de preços e uma alíquota de 15% de imposto de exportação. Como resultado, o país perdeu cerca de 10 milhões de cabeça de gado e ficou com um pouco menos de 50 milhões de cabeças, segundo dados oficiais. Em contraste, países como Brasil, Índia e Paraguai aumentaram seus estoques e exportações exponencialmente no período.

Depois que Maurício Macri foi empossado como presidente da Argentina, uma das primeiras medidas foi eliminar os impostos de exportação sobre a carne e grãos, exceto a soja, sem restrições ao comércio exterior. Além disso, o Serviço de Inspeção e Saúde Animal do USDA autorizou a entrada de carne argentina nos EUA, depois de uma visita oficial do presidente Barack Obama, após 14 anos sem acesso ao mercado americano. Uma cota também permitiu ao Brasil enviar 60 mil toneladas de carne bovina anualmente aos Estados Unidos.

Segundo Kevin Good, analista sênior da CattleFax de Centennial, no Colorado, não há uma ameaça argentina aos Estados Unidos nos mercados de carne no curto prazo. É uma história diferente no longo prazo porque deve haver uma forte recuperação dos estoques argentinos.

“Para o mercado doméstico, haverá uma cota de 20 mil toneladas para a Argentina no primeiro ano. Depois deve aumentar. No mercado internacional, Brasil e Argentina vender para mercados diferentes. Nós nos Estados Unidos vendemos mais para a Coreia, Japão e México. Mas no longo prazo haverá muita competição pelo mercado da 'China maior', que é Hong Kong, Taiwan e outros”, analisou Good ao Agriculture.com.

Alan Brugler, presidente da Brugler & Marketing LLC de Omaha, Nebraska, acredita que a entrada da Argentina no mercado dos EUA não deve atrapalhar os americanos: “Acho que a Argentina vai substituir a Austrália no mercado. Os australianos precisam refazer seus estoques também. Será pouco significativa a participação argentina no mercado”.

ADBlick Agro, uma companhia da província de Buenos Aires, tenta reunir investidores para novas oportunidades na pecuária. Juan Pablo Carrera, diretor de negócios na ADBlick, revelou que a empresa vai investir US$ 5 milhões em projeto de 10 mil cabeças. Há ainda uma expectativa de levantar outros US$ 7 milhões com o programa de repatriação de capitais da Argentina.

Na opinião de Carrera, as novas políticas no país permitirão recuperar os estoques e um aumento das atuais 200 mil toneladas de exportação para 1,5 milhão de toneladas até 2025. “A tendência atual é a retenção de ventres para recuperar os estoques. Mas no médio prazo, haverá um crescimento exponencial das exportações. Não acredito que seja uma grande ameaça a outros exportadores, mas haverá uma grande tendência de aumento da renda agrícola nos países com pecuária forte”, resumiu Carrera.

Exportações para os Estados Unidos e Canadá não são insignificantes para o produtor argentino, segundo o especialista em pecuária local Victor Tonelli. Depois de mais de 15 anos sem exportar ao Canadá, o país sul-americano exportou 26 mil toneladas recentemente. “Isso não é para nada pequeno. Estados Unidos e Canadá juntos representam 22% do mercado internacional. Também são um mercado de alto valor agregado. Provavelmente, veremos agências aprovando a entrada da nossa carne em países como México, Coreia, Japão, depois da aprovação do USDA. Não é tão diferente de fazer um visto para os Estados Unidos. Depois que você já tem, praticamente pode visitar qualquer lugar”, disse Tonelli em uma conferência para investidores em pecuária. 


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