A safra brasileira de soja 2026/27 avança com expansão de área, plantio acelerado e perspectiva de recorde, mas enfrenta riscos climáticos e custos crescentes. Segundo Ricardo Leite, estrategista do agronegócio, a expansão produtiva vem acompanhada de desafios que exigirão eficiência financeira e resiliência no campo.
A Conab projeta 181,6 milhões de toneladas, ante 180,4 milhões no ciclo anterior, alta de 0,7%, com área de 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4%. Até 23 de outubro, o plantio alcançava 42,8% da área, ante 34,8% em 2025. Em Mato Grosso, o índice chegava a 75,8%.
As condições climáticas serão decisivas. O INPE aponta 95% de probabilidade de El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A tendência é de chuvas acima da média no Sul e maior risco de irregularidade hídrica e temperaturas elevadas no centro-norte.
Estudo da Serasa Experian divulgado em 27 de outubro indica que, sob clima adverso, a produção poderia ficar 17,6 milhões de toneladas abaixo de um cenário de neutralidade climática. A diferença equivale a cerca de R$ 33 bilhões em valor bruto da produção. Trata-se de uma simulação de risco, sem confirmação de perdas.
Em Mato Grosso, levantamento do Imea/Senar projeta custo total de R$ 8,17 mil por hectare, aumento de 16,7%, e queda de 35% no Lajida da atividade em relação ao ciclo anterior.
As exportações são estimadas em aproximadamente 118 milhões de toneladas, alta de 1,5%, enquanto o processamento doméstico tem suporte no avanço do biodiesel. Na avaliação de Leite, o desafio será combinar produtividade e gestão para preservar margens e geração de caixa, já que uma colheita recorde não assegura rentabilidade recorde.