Exportação de carne bovina rende US$ 1,5 bilhão ao Brasil
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Agronegócio

Exportação de carne bovina rende US$ 1,5 bilhão ao Brasil

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As estimativas apontam que o Brasil deverá fechar o ano com uma exportação perto de 1,5 milhão de toneladas de equivalente carcaça de carne bovina, com faturamento próximo a US$ 1,5 bilhão. ""Daqui para frente o País será chamado a atender o crescimento da demanda mundial por carne bovina,"" declarou o zootecnista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Ele foi o primeiro dos palestrantes do Seminário Nacional sobre Produção de Carne Bovina com Qualidade, que aconteceu na última quarta-feira em Londrina.

Em agosto deste ano o Brasil superou Estados Unidos e Austrália, até então os maiores exportadores mundiais de carne bovina, com a venda de 797,1 mil toneladas, contra 787,7 de carne americana e 711,8 mil da Austrália. Daqui para frente, segundo Fabiano Rosa, tudo indica que o País não perde mais este mercado e o desafio é aumentar sua participação no mercado externo.

De pouco mais de 20 clientes há alguns anos hoje a carteira brasileira de exportação soma 110 clientes, com perspectivas de atender novos mercados, caso da China e do próprio Estados Unidos.

O país consolidará até o final deste ano sua posição de líder das exportações mundiais, escoando apenas 16% a 18% da sua produção. Problemas nos Estados Unidos e Austrália, até então maiores exportadores, levaram o Brasil a alcançar o topo.

Os australianos foram surpreendidos com uma seca prolongada, com drástica redução de sua produção. O recuo nas exportações já somam mais de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já os americanos exportaram em ritmo satisfatório, superaram os australianos, mas após o embargo da carne do Canadá, em função de surto da vaca louca no rebanho canadense, preferiram, de certa forma, priorizar o mercado interno e reduziram vendas externas.

A grande mudança para o Brasil, segundo Fabiano Rosa, além de aumentar volume total de exportação foi uma reação na venda de carne in natura. Segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio, divulgados pelo zootecnista, em outubro foram exportadas 84,63 mil toneladas em equivalente carcaça de carne in natura, com faturamento de US$ 144,40 milhões. Em relação a outubro de 2002 o aumento foi de 34% em volume e 73% em faturamento. ""Um recorde absoluto.""

O Chile, segundo ele, é o maior comprador da carne brasileira in natura, com 14% das exportações brasileiras, em seguida vem o Egito com 13,2% e a Rússia com 11,6%, um mercado que foi aberto recentemente.

O volume da exportação de carne in natura aumentou 35% de janeiro a outubro deste ano em função do aumento de consumo no mercado externo por carnes de regiões onde não foram notificados problemas sanitários, como aftosa ou vaca louca. No caso da carne industrializada produzida no Brasil o maior comprador é os Estados Unidos, com 29,8%, que já acena com a compra da a carne in natura.

Os mercados em expansão, principalmente a Ásia, com o crescimento da população e do PIB, dão ao Brasil a certeza de um cenário promissor, garantiu o analista da Scot. Estimativas indicam demanda de 85 milhões de toneladas de carne na China em 2020. A média mundial de consumo deverá ser 303 milhões de toneladas. Hoje a produção mundial fica em torno de 50 milhões de toneladas.

""Países em desenvolvimento tendem a dobrar o consumo a cada 10 anos,"" disse o analista. O Brasil, segundo ele, tem potencial para atender a esta demanda, ao contrário de outros potenciais produtores, como Austrália e até a África, que não teriam a longo prazo condições de ampliar a produção.

Para aproveitar oportunidades, no entanto, o setor deve trabalhar os pontos de gargalo, entre eles a padronização da produção, com volume e qualidade. Outro ponto é não descuidar da sanidade do rebanho, não só internamente, mas nas fronteiras com países vizinhos. Se um dia problemas de sanidade em rebanhos dos países vizinhos, como Argentina e Uruguai, foram ""bons"" para o Brasil, hoje isso já não é mais interessante.

O mercado exportador considera blocos ou regiões produtoras do mundo e não apenas países. Portanto, não interessa ao Brasil ficar associado a uma região do mundo (Mercosul ou América Latina) onde existam riscos.

Na hora de negociar, de acordo com o analista, é preciso tomar uma posição mais revolucionária, sem deixar se intimidar por suspostas barreiras. ""Está na hora de valorizar ainda mais nosso produto lá fora.""

Internamente, segundo Rosa, o produtor tem que estar ciente das novas transformações e tendências, saber explorar as características desejáveis da carne brasileira. Levar ao consumidor, seja ele interno ou externo uma carne de origem conhecida e de qualidade assegurada, formando alianças mercadológicas e melhorando qualidade de atendimento, entrega e distribuição.


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