ExpoZebu: Raça Brahman participa pela primeira vez do Concurso Leiteiro
Três vacas participam do Controle Leiteiro Oficial da ABCZ
Tradicionalmente conhecida como uma raça com aptidão de corte, bastante utilizada em mais de 70 países para produzir carne de qualidade, a raça Brahman começou a ter sua aptidão de leite trabalhada no Brasil recentemente, uma vez que as matrizes precisam ser capazes de desmamar bezerros pesados e, para isso, precisam expressar o potencial leiteiro.
As três matrizes Brahman que participam do Concurso Leiteiro da ExpoZebu 2011 (Lady Uber 152, Lady Uber 93 e Lady Uber 214) fazem parte do criatório do grupo Uberbrahman, dos criadores Aldo Valente Jr. e Carlos Balbino, cuja fazenda, a Morro Alto II, está localizada próxima a cidade mineira de Uberlândia.
Controle Leiteiro
Três vacas da raça Brahman participam do Controle Leiteiro Oficial da ABCZ, prova zootécnica realizada durante todo o ano, que avalia a produção de leite das matrizes. Duas destas vacas avaliadas fazem parte do criatório do criador Isaac e de sua esposa Mônica Persiano. As matrizes Miss POI IC 7 e Miss POI IC 8 apresentaram lactações médias de 4.279 e 4.709 quilos, respectivamente, em 179 dias. Já a matriz Lady Uber POI 152, do criador Aldo Valente Jr. do Grupo UberBrahman, que também participa do Controle Leiteiro, produziu até o momento 2.045 quilos em 96 dias, uma vez que a lactação ainda não foi fechada.
Brahmolando
Outra opção para a pecuária leiteira brasileira, produzida a partir da genética Brahman, mas que, no entanto, não participa da Expozebu, é o Brahmolando, fruto do cruzamento de matrizes Brahman com touros Holandês. Apesar de ser amplamente utilizado em outros países, como os Estados Unidos, o Brahmolando começou a ser produzido no Brasil há pouco tempo.
Criadores de Brahman, como Isaac Cohen Persiano, de Governador Valadares/MG, são entusiastas deste tipo de cruzamento. O objetivo dele é produzir fêmeas F1 brahmolando, por meio do cruzamento de vacas Brahman puras, de excelentes úberes e de linhagens de alta habilidade materna, com touros holandeses provados para produção de leite e persistência de lactação. Além dele, outros tradicionais criatórios de Brahman já fazem investimentos no Brahmolando, como é o caso do Grupo IMA, do Mato Grosso, Querença, de Minas Gerais e o Uberbrahman, com fazendas em Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Isaac afirma que as vacas Brahman são excelentes bases para este cruzamento, por serem zebuínas de muita rusticidade, mansas (característica importante para o manejo leiteiro), com boa estrutura, ótimo arqueamento de costelas e excelente largura de garupa (ílio e ísquio), boa produção de leite e bom conjunto de úbere através de forte ligamento com tetos pequenos e bem distribuídos. “Durante um século, esta raça de corte tem sido selecionada, aprimorando o potencial para que as vacas desmamassem seus bezerros pesados, através da produção de leite de suas mães, utilizando avaliações de dados das linhagens que transmitiam estas características, denominada habilidade materna. O cruzamento Brahman e Holandês tem sido usado com sucesso em vários países de clima tropical há muitos anos. As F1 (zebu x holandês) são comprovadamente adequadas para produção de leite a pasto em países tropicais”, garante Isaac.
Os primeiros registros de animais fruto do cruzamento entre Brahman e Holandês foram feitos na pista de julgamento do Parque Fernando Costa, no dia 22 de outubro, durante o XV Congresso Mundial da Raça Brahman. Naquele momento, foram apresentados três animais frutos do cruzamento entre Brahman e Holandês. O primeiro registro foi o da fêmea Alice, do criatório Brahman IC, de Isaac Persiano e Mônica Vargas Ramos Persiano. A fêmea registrada é filha da matriz Brahman MISS IC POI com o touro holandês Towch Dow. Outros dois animais, do Grupo IMA, também foram registrados naquela data. São eles: Linda da IMA, que é filha da matriz Brahman Pilar 573 com o touro Holandês Silvester e Deusa da IMA, filha da matriz Brahman MISS V8 397/3 com o touro Holandês MIK, ambas com 13 meses de idade. As duas matrizes CCG apresentaram cio desde os nove meses de idade e foram cobertas aos 12 meses, demonstrando boa fertilidade.
Segundo André Zambrim, diretor do Grupo IMA e da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), os animais mestiços frutos deste cruzamento estão sendo bem recebidos pelo mercado pecuário. "Acreditamos que além da alta produtividade e do baixo custo de produção das vacas F1, os machos produzidos por estas fêmeas terão maior valor agregado que os das demais raças leiteiras, o que aumenta a lucratividade do negócio", afirmou. Desde 2008, quando o grupo começou a produzir animais mestiços foram produzidas e vendidas aproximadamente 70 fêmeas F1. A intenção do grupo é desenvolver uma média de 300 fêmeas F1 por ano e à medida que o mercado começar a absorver estes produtos, ampliar a produção.
As informações são da assessoria de imprensa da ACBB.