Faeg avalia novo Plano Safra

Agronegócio

Faeg avalia novo Plano Safra

"O limite não atende os produtores que realizam mais de uma safra por ano"
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O novo Plano Agrícola Pecuário (PAP) foi lançado pelo governo federal nesta sexta-feira (17). O Plano disponibilizará R$ 107,2 bilhões para financiamento da produção agropecuária, o valor é 7,2% maior do que os R$ 100 bilhões disponibilizados na safra que se encerra agora. Os recursos para custeio serão de R$ 80,2 bilhões, 6% acima do plano anterior, e os recursos para investimento sobem 14%, para R$ 20,5 bilhões.


Os pecuaristas tiveram seu limite aumentado de R$ 275 mil para R$ 650 mil, além disso, há linhas especiais de crédito para a compra de reprodutores e matrizes, no limite de 750 mil reais por criador. O governo aumentou ainda os limites para investimento com recursos subsidiados, de R$ 200 mil para R$ 300 mil. Houve também um aumento de 14% no volume de recursos para investimento agropecuário. Será R$ 20,5 bilhões, boa parte emprestada com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional de 5% a 9,5%, segundo a linha de crédito.

O governo federal atendeu aos pedidos do Ministério da Agricultura e concordou em não elevar a taxa de juros que será aplicada à maior parte do pacote de financiamento público para a nova safra. A taxa de juros será mantida em 6,75 % ao ano. O que representa R$ 64,1 bilhões do montante total. No ano passado era de R$ 60,7 bilhões, ou seja, 5,6% a mais.

Houve modificação no limite de crédito. Agora, o limite será por produtor, independente da cultura. Agora, o agricultor terá maior flexibilidade para utilizar o crédito que obter, com limite em R$ 650 mil. Dentro desse limite, incluem-se pecuária de corte, de leite, ovinocaprinocultura, apicultura, suinocultura e avicultura, inclusive as de sistemas de integração.


De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, o limite de crédito por pessoa não atende os produtores que realizam mais de uma safra por ano. Ele ressalta que a novidade limita produtores que cultivam mais de uma cultura, inclusive pecuaristas. “Essa unificação prejudica o homem do campo. O produtor de algodão e milho, por exemplo, podia pegar financiamento nas duas culturas. Agora, ele fica limitado a escolher apenas uma ou a flexibilizar o limite nas culturas cultivadas”, alerta.

Outro ponto negativo ressaltado pelo presidente da entidade é que o financiamento da safrinha também ficou prejudicado já que agora o produtor poderá obter crédito apenas uma vez por safra. Ele destaca ainda que houve a redução do preço mínimo do feijão em 10%, saindo de R$ 80 a saca para R$ 72 a saca, com o anúncio do Plano Safra.

Safra passada

No PAP 2010/11 dos R$ 100 bilhões disponíveis apenas R$ 76,5 bilhões foram utilizados pelo produtor. Em Goiás, no ano de 2010, foi utilizado pelos produtores R$ 2,79 bilhões, 3,43% do total utilizado no país. Deste total, R$ 294,49 milhões foram utilizados para comercialização, R$ 2 bilhões para custeio R$ 328,02 milhões para investimento.


Ressaltando a dificuldade de acesso do produtor rural goiano à linhas de crédito disponibilizadas pelo governo federal, o presidente da Faeg explica que o custo total da última safra para as culturas de soja, milho safra e safrinha e algodão foi de R$ 6.935 bilhões. Destes, foram financiados apenas R$ 1.464 bilhão, ou seja, 21,12%. “Todo o restante da safra foi custeada com recursos do próprio produtor”.

O governo também criou um programa de investimento para ampliar a produção de cana-de-açúcar, baseado principalmente na renovação dos canaviais. O limite de contratação será de R$ 1 milhão por produtor, com prazo de cinco anos para pagar. “Este ponto se refere a financiamentos de produtores que fornecem a cana para as usinas. O governo pretende aumentar os índices de fornecedores de cana no Brasil”, diz. Em Goiás, apenas 8,7% dos produtores são fornecedores de cana. A média brasileira é de 23%”, reclama.

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