Falência da Parmalat preocupa produtores de leite do Paraná
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Agronegócio

Falência da Parmalat preocupa produtores de leite do Paraná

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O rombo financeiro que deixou a sede da Parmalat na Itália à beira da falência despertou a preocupação dos produtores de leite do Paraná – que tem uma das oito fábricas do grupo espalhadas no Brasil. A Parmalat tem 51% das ações da Batávia S/A, com sede em Carambeí, na região dos Campos Gerais. Os outros 49% são da Central de Laticícios do Paraná, formada pelas cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolanda (ABC).

De acordo com Ronei Volpi, vice-presidente do Conseleite (associação que define o preço de referência para o leite no Paraná), é cedo para tirar conclusões do escândalo na Itália, mas o problema gera insegurança aqui no Brasil. "Todas as unidades da Parmalat brasileiras também serão auditadas", afirma. Além disso, conta ele, em Goiás a Parmalat já deixou de pagar os fornecedores, que na sua maioria são cooperativas.

Os cerca de 40 mil produtores no estado produzem 2,2 bilhões de litros de leite cru por ano, mas apenas 10% fica com a Parmalat, para a transformação em leite longa-vida e outros produtos lácteos. A unidade da Parmalat em Carambeí compra 600 litros de leite cru por dia dos produtores do estado. "Em hipótese de fechamento da unidade do Paraná, esse volume seria facilmente deslocado para outras indústrias no estado", garante ele.

O presidente da Cooperativa Batavo, Franke Dijkstra, minimizou possíveis efeitos negativos do caso Parmalat aos produtores de leite da região de Carambeí. Segundo ele, apenas 30% do leite produzido pela Batavo vai para a Parmalat e, no total, a produção de leite da cooperativa corresponde apenas a 10% de seu faturamento. "Se houver algum problema (na Parmalat do Brasil), as conseqüências para os produtores (da cooperativa) serão pequenas".

No Brasil, a Parmalat tem 6 mil funcionários empregados em oito fábricas e sete centros de distribuição situados em locais estratégicos para o processamente, armazenamento e distribuição de produtos. No mundo todo, a empresa tem 36 mil funcionários.

O balanço brasileiro consolidade registrou um faturamento líquido de R$ 436,4 milhões no terceiro trimestre de 2003, um crescimento de R$ 37,5 milhões em relação ao mesmo período de 2002.

O ex-presidente e acionista majoritário da Parmalat, Calisto Tanzi, permanecerá na prisão de Milão, no norte da Itália, por decisão judicial depois de ter sido submetido ontem a um primeiro interrogatório por promotores italianos. Fontes judiciais confirmaram a prisão preventiva do empresário, acusado de diversos delitos, entre os quais estão o de quebra fraudulenta, fraude e "especulação abusiva".

A ordem foi assinada pelo juiz de primeira instância milanês Gudi Piffer, a pedido das procuradorias de Milão e Parma, que coordenam a investigação sobre as operações financeiras ilícitas detectadas na Parmalat.


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