Falta de chuva ameaça safra de algodão em MT

Agronegócio

Falta de chuva ameaça safra de algodão em MT

O atraso no início real do período de chuvas em Mato Grosso tem preocupado alguns produtores de algodão safrinha da região norte
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O atraso no início real do período de chuvas em Mato Grosso tem preocupado alguns produtores de algodão safrinha da região norte. A falta de chuvas neste período do ano, que compreende o fim do mês de setembro e início de outubro, pode comprometer a safrinha do algodão, uma vez que terá que ser semeada mais tarde, ou até mesmo deixar de ser semeada.

A safrinha do algodão depende do andamento normal da safra de soja para ser semeada. Conforme explica o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antonio Galvan, normalmente ela é semeada logo após a colheita da safra de soja, feita até dez de janeiro, isso quando o grão é semeado até por volta de dez de outubro. Porém, com o plantio tardio, tanto a safra de soja como, a safrinha de algodão, podem ficar comprometidos. “Só é possível ter alguma garantia de colheita produtiva de algodão quando se planta ele até 15 de janeiro, mas para essa garantia é preciso colher a soja por volta na virada do ano”.

A instabilidade que a falta de chuva causa para o plantio de algodão, deixa muitos agricultores receosos em perder a safra de soja, por ter que substituir a safrinha de algodão pela safra normal da pluma. “Tem produtor que não quer arriscar plantar a soja muito tarde e decide por deixar a terra “descansando” para plantar somente a safra de algodão. Até porque muitos têm contratos futuros de algodão para cumprir, então precisam garantir a safra”, acrescentou Galvan.

O produtor Roque Piccini confirma que se as chuvas demorarem muito para começar ele pode não fazer a safra de soja. “Se atrasar muito e chover somente após o dia dez, faço apenas o plantio da soja e planto dois mil ha de algodão, junto com safra de milho e milheto, ano que vem. Não dá para arriscar sem chuvas porque a cultura do algodão é muito cara”.

Os contratos futuros são o que impulsionam o produtor de algodão, Leandro Mussi, que estima plantar cerca de cinco mil hectares na safrinha da pluma na região de Sinop. “Eu vou arriscar plantar soja esse ano, porque preciso entregar 5,5 mil toneladas de algodão em 2008 e vou tentar com a safrinha”. Mussi já semeou 480 hectares de soja e ainda deve semear aproximadamente 11 mil ha até o fim do período de plantio. “Ano que vem também vou tentar a safrinha do milho junto com a de algodão. A esperança é de que como as chuvas estão atrasando para iniciar, elas devem “esticar” no ano que vem. Se chover uns 60 a 80 milímetros ainda em maio, é possível colher entre junho e julho”, salientou.

Apesar de alguns produtores acreditarem que a chuvas se prolonguem depois de iniciadas, o período dessa duração prolongada também se torna uma preocupação. “O algodão tem que ser colhido na seca. Então também temos que cuidar para não plantar na época errada, porque quando a pluma está abrindo não pode pegar chuva. Se isso acontecer, a safra pode ser dada como perdida”, disse Galvan.

Uma alternativa encontrada por alguns agricultores é fazer o plantio da soja precoce, o que talvez possa garantir o plantio da safrinha de algodão de 2008. “Ano passado, nessa mesma época, já tínhamos soja nascida. Para tentar acompanhar esse ritmo anterior, é preciso plantar soja de cem dias”, explicou Galvan.

O agricultor Piccini disse que já plantou 300 hectares de soja e que, caso as chuvas comecem antes do dia dez desse mês, pode plantar outros dez mil ha, porém de soja precoce, que pode ser colhida com 98 a 105 dias. “Se eu colher a soja até dia dez de janeiro, do dia dez a 15 de janeiro eu planto o algodão safrinha”.


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