Falta de trigo de qualidade preocupa moinhos no Sul
No Rio Grande do Sul, a colheita estava estimada em 5% até 15 de outubro
No Rio Grande do Sul, a colheita estava estimada em 5% até 15 de outubro - Foto: Pixabay
A oferta de trigo com qualidade para moagem segue restrita no Sul do país, enquanto a colheita avança de forma desigual e amplia a diferença de preços entre os lotes. Segundo a TF Agroeconômica, a presença de grãos comprometidos, inclusive por DON no Rio Grande do Sul, dificulta o abastecimento dos moinhos e provoca renegociações de contratos.
No Rio Grande do Sul, a colheita estava estimada em 5% até 15 de outubro, mas a janela de trabalho até terça-feira (20) pode elevar o índice para 25%. O trigo da safra anterior é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, enquanto compradores indicam R$ 1.550. Para o cereal novo, há negócios pontuais a R$ 1.400 FOB, com descontos conforme a qualidade. Em Panambi, a cotação ao produtor caiu R$ 2, para R$ 73 por saca.
A concorrência externa pesa nas negociações. O trigo argentino antigo é indicado a US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas, fator que limita a disposição dos moinhos para pagar os valores pedidos pelo cereal gaúcho.
Em Santa Catarina, a dificuldade de encontrar trigo adequado também pressiona a indústria. Um moinho relatou reajuste de 11,5% nas tabelas de farinha e necessidade de novas correções. A Epagri projeta redução de 35% na área de trigo em 2026/27 e queda de 37% na produção, para cerca de 243 mil toneladas.
No Paraná, a presença de trigo germinado no campo restringe a disponibilidade de lotes tipo 1. As referências chegam a R$ 1.650 por tonelada para o tipo 1, R$ 1.450 para o tipo 2 e R$ 1.300 para o tipo 3. Para trigo destinado à ração, tradings oferecem entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada no porto.