Feijão: mudanças climáticas podem favorecer doença
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Feijão: mudanças climáticas podem favorecer doença

A podridão radicular seca ataca o feijão desde a germinação e com perda de produtividade
Por: -Eliza Maliszewski

O trabalho de tese de doutorado de Renan Macedo, com orientação do pesquisador Murillo Lobo Junior, estudo da Embrapa Arroz e Feijão e da Universidade Federal de Goiás (UFG) publicado na revista científica PLOS ONE, verificou como o aumento da temperatura do planeta aumenta a dificuldade de manejo em doenças como a podridão radicular seca, que afeta as raízes do feijão. Causada por fungos do gênero Fusarium pode se intensificar em lavouras das regiões Sul e Sudeste do Brasil e dificultar o cultivo do grão no Centro-Oeste devido à restrição de condições ambientais favoráveis para o feijoeiro. Foi feita uma projeção para os anos de 2050 e 2070 diante de cenários otimista e pessimista do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-AR5), divulgado em 2014.

Foram consideradas duas taxas de emissões de gases de efeito estufa (a primeira com aumento global em 1 grau Celsius e a outra em 2). Utilizando dados de estações climáticas foram identificados padrões que favoreciam a doença. Os resultados apontam o risco maior em regiões frias do Brasil e naquelas que hoje não tem incidência da podridão radicular seca. Se forem confirmadas as projeções de mudanças climáticas a doença deve ficar mais severa em Minas Gerais, São Paulo e Paraná. 

“Os mapas de risco indicam as tendências de distribuição da doença. Eles podem servir para o desenvolvimento de estratégias de manejo a médio e longo prazo e para a adoção de medidas de mitigação, a partir da orientação de políticas públicas, do direcionamento de esforços de programas de melhoramento genético do feijão e de geração de cultivares resistentes, além da execução de ações voltadas ao manejo integrado”, afirma o pesquisador Murillo Lobo Junior.

Ele destaca ainda que a podridão radicular seca se tornará mais intensa em áreas que hoje respondem por 40% da produção de feijão no Brasil, ou seja, mais de 1,2 milhão de toneladas do grão e onde a agricultura é mais praticada por pequenos agricultores.

Murillo explica ainda que os mapas de risco indicam um caminho por onde a doença provavelmente irá se distribuir, mas não servem para antecipar recomendações técnicas a agricultores e extensionistas. “O mérito do trabalho está em apontar regiões que requerem atenção, para que no futuro não haja surtos em grande escala ou ameaças à segurança alimentar”, pondera o especialista.

A podridão radicular seca ataca o feijão desde a germinação e pode destruir ou limitar o crescimento das raízes, formando plantas subdesenvolvidas. O resultado é uma lavoura irregular com falhas e com perda de produtividade. A doença está disseminada por praticamente todo o Brasil, mas é nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, nos cultivos de terceira safra (abril a agosto), que, geralmente, há condições ótimas para infestação.
 


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