Fenômeno La Niña pode afetar a safra de inverno
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Agronegócio

Fenômeno La Niña pode afetar a safra de inverno

Previsões para o outono e inverno vão desde secas até geadas
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O clima que ajudou a safra de verão poderá ter afetar a segunda safra de milho e também a colheita de trigo. Previsões para o outono e inverno vão desde secas até geadas. Se o El Niño -fenômeno climático que provoca o aumento das precipitações no Sul do País - aumentou a produtividade das lavouras brasileiras, cuja colheita deve chegar a 126,5 milhões de toneladas, o inverso pode ocorrer com as culturas de inverno. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño está se dissipando e o fenômeno contrário - La Niña - poderá atuar a partir de maio no País. "Provavelmente em março acabe o El Niño e temos possibilidade de atuação de La Niña", diz o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador. Em anos deste fenômeno há maior incidência de estiagem no Sul do País. Como a La Niña poderá estar presente entre o final do primeiro semestre e início do próximo, as lavouras mais atingidas tendem a ser o milho safrinha e o trigo.

Mas não há concordância entre os meteorologistas para as previsões climáticas. Segundo André Madeira, da ClimaTempo, o El Niño deve continuar até meados do outono, mais fraco, e a partir de maio as condições climáticas seriam de neutralidade. "A tendência é de um fim de outono e início de inverno com temperaturas baixas, podendo gear no Sul do País", afirma Madeira. Apesar disso, segundo ele, o inverno terá temperaturas ligeiramente acima da média.

Tanto uma previsão quanto a outra pode afetar as lavouras de inverno e o milho safrinha. "Quem plantou na época certa não tem problema", afirma Fábio Turquino de Barros, analista da AgraFNP. Mas, segundo ele, o produtor que cultivar a segunda safra de milho entre o final deste mês e março poderá ser afetado pelo clima, pois no meio do ano a lavoura estará em fase de enchimento dos grãos. "Em caso de geada, é 100% prejudicial, pois mata a planta. Se houver uma estiagem, quebra a produção", afirma Barros. Para o trigo, segundo o analista, a seca afetaria a lavoura exatamente na fase inicial, prejudicando a produção.

"Vamos torcer para que os meteorologistas estejam errados. Não é possível o trigo sofrer mais um ano com problemas climáticos", afirma Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. No ano passado, o País perdeu mais de metade da colheita do cereal devido a adversidades climáticas. Segundo ele, se houver La Niña, a estiagem deixaria o trigo menos homogêneo no Rio Grande do Sul, pois lá planta-se em maio. No Paraná, onde o plantio ocorre entre fevereiro e junho, os fenômenos seriam prejudiciais dependendo da época em que o grão foi cultivado. De acordo com Bento, uma geada na época da floração ou enchimento do grão afeta significativamente a produtividade do cereal.


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