Ferrovias podem mudar o mapa do escoamento de grãos
O impacto tende a ser relevante para Mato Grosso do Sul
O impacto tende a ser relevante para Mato Grosso do Sul - Foto: Pixabay
A ampliação de rodovias, ferrovias e corredores internacionais pode reduzir um dos principais custos do agronegócio brasileiro e ampliar o acesso aos mercados asiáticos. Segundo relatório divulgado em 14 de outubro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a melhoria da infraestrutura logística será decisiva para a competitividade das exportações agrícolas do país.
Um dos projetos destacados é o Corredor Bioceânico de Capricórnio, que pretende conectar o Brasil a portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina. Com extensão de 2,3 mil a 2,4 mil quilômetros, a rota pode reduzir em 30% a 40% os custos de transporte de exportações destinadas à Ásia. O tempo de viagem também poderia cair de cerca de 55 dias, pelo Porto de Santos, para 42 dias, via Pacífico.
O impacto tende a ser relevante para Mato Grosso do Sul, que destina mais de 65% de suas exportações aos mercados asiáticos. No início de 2026, a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta estava aproximadamente 80% concluída, mas a integração aduaneira e sanitária entre os países permanece como desafio.
No transporte ferroviário, o USDA destaca a Ferrogrão, projetada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), com potencial de reduzir em até 20% os custos de transporte nesse trajeto. O relatório também aponta a expansão da Ferronorte e a implantação da ligação FATO-FICO como alternativas para escoar soja e milho pelo sistema ferroviário.
Em conjunto, os projetos ferroviários poderiam reduzir os custos de transporte de grãos em cerca de 40%, conforme as estimativas citadas no estudo. O USDA ressalta, porém, que esses ganhos dependem de investimentos contínuos, avanços nas obras e coordenação regulatória. A Ferrogrão, por exemplo, enfrenta questionamentos ambientais, indígenas e financeiros.