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Ferrugem-da-soja: atraso no fungicida pode aumentar perdas e custos

Não espere os sintomas para proteger a lavoura


Foto: United Soybean Board

A ferrugem-da-soja exige atenção ao momento da primeira aplicação de fungicida, principalmente na transição do período vegetativo para o reprodutivo. A decisão deve considerar estádio da lavoura, clima, presença de esporos, histórico da área e risco de avanço da doença.

A ferrugem-da-soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças foliares de maior impacto na cultura. O principal dano ocorre pela desfolha precoce, que reduz o enchimento dos grãos e pode comprometer a produtividade.

De forma geral, a proteção fungicida deve ser preventiva e próxima ao fechamento das entrelinhas e à formação do dossel, normalmente entre V7 e R1/R2, desde que exista risco real de ocorrência da doença.

Esse risco aumenta quando há clima úmido e ameno, histórico de ferrugem na região, detecção de esporos e ausência de vazio sanitário. Em situações de menor risco, sem detecção de esporos e com condições climáticas desfavoráveis ao fungo, o início pode ser ajustado. Ainda assim, o produtor precisa evitar atrasos além do começo do florescimento, principalmente em regiões de maior pressão.

Após o depósito do esporo na folha, condições de molhamento foliar contínuo e temperaturas amenas, aproximadamente entre 18 °C e 26 °C, favorecem a infecção. O período entre a infecção e o aparecimento de pústulas visíveis pode variar de sete a 14 dias, conforme as condições ambientais.

Isso explica a importância do manejo preventivo. Quando os sintomas estão facilmente visíveis em uma área extensa, o fungo já avançou e o controle tende a ser mais difícil. A primeira aplicação busca proteger o dossel foliar ainda saudável antes que a cultura fique amplamente exposta ao inóculo.

A ferrugem causa maior impacto quando atinge a planta a partir do florescimento e durante o enchimento de grãos. Por isso, a proteção deve estar estruturada na transição entre o final do período vegetativo e o início da fase reprodutiva. Na prática, a avaliação costuma se concentrar entre V5 e V7, quando a planta já apresenta dossel formado, e R1 e R2, correspondentes ao início do florescimento.

Em áreas de maior risco, a primeira aplicação pode ser posicionada próxima a R1, quando as entrelinhas estão se fechando. O objetivo é ampliar a proteção do terço médio e superior das plantas. Em regiões ou safras de menor pressão, o início pode ser ajustado conforme o monitoramento da lavoura e as condições de risco.

Períodos prolongados de molhamento foliar, orvalho intenso, nevoeiros e chuvas frequentes favorecem a ferrugem-da-soja. Temperaturas amenas, especialmente entre 18 °C e 26 °C, também criam condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Entre outubro e abril, período que engloba o plantio e parte do ciclo da soja nas principais regiões produtoras, essas condições podem ocorrer de diferentes formas.

No Centro-Oeste, por exemplo, o início das chuvas de primavera e a continuidade das precipitações no verão podem criar condições de risco, especialmente quando há noites úmidas. No Sul, temperaturas mais amenas no verão e períodos frequentes de chuva podem favorecer longos períodos de molhamento foliar.

Na Bahia, o risco está relacionado principalmente à distribuição das chuvas e às condições específicas de cada microclima. Quando o padrão climático apresenta chuvas frequentes e alta umidade, a proteção pode precisar ser antecipada mesmo sem a presença de sintomas visíveis na área.

O monitoramento regional é outro elemento importante para definir a primeira aplicação. Boletins, armadilhas de esporos, consórcios e redes de monitoramento podem indicar a presença de esporos viáveis, focos confirmados em lavouras próximas e o avanço da doença a partir de áreas semeadas mais cedo. Quando há detecção de esporos na região e a soja se aproxima de V6-V7 ou R1, o risco aumenta. A atenção deve ser ainda maior em áreas com histórico de alta pressão e quando a previsão aponta condições favoráveis à infecção.

Lavouras com ocorrência precoce da doença em safras anteriores apresentam maior atenção para o início da proteção. O mesmo vale para áreas com semeadura adensada, cultivares de ciclo longo, presença de plantas voluntárias na entressafra ou falhas no cumprimento do vazio sanitário. As áreas semeadas no início da época podem formar o dossel rapidamente e ficar expostas mais cedo ao inóculo. Já a soja semeada mais tarde pode enfrentar uma situação diferente: quando a lavoura entra em estádios críticos, a quantidade de inóculo na região pode estar maior. Por isso, o produtor precisa acompanhar a evolução da doença e não postergar a proteção.

No Centro-Oeste, incluindo Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o início das chuvas e o plantio antecipado podem contribuir para a formação das primeiras fontes de inóculo da safra. Nessas áreas, a primeira aplicação exige atenção especial na passagem para a fase reprodutiva. Em anos de chuvas irregulares no início do ciclo, o avanço fenológico e os boletins de monitoramento ajudam a evitar tanto aplicações precoces quanto atrasos.

Na Bahia, a pressão está fortemente relacionada à distribuição das chuvas e ao microclima. Em períodos de verão chuvoso e noites úmidas, a doença pode avançar em condições semelhantes às observadas em outras regiões quentes e úmidas.

No Paraná e no Rio Grande do Sul, períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas mais amenas podem elevar a pressão. Quando a soja entra em R1-R2 sob condições favoráveis, o atraso da primeira aplicação pode permitir avanço mais rápido da doença. Por isso, não existe uma data única para todas as regiões. A decisão deve combinar estádio da cultura, clima e presença de inóculo.

O acompanhamento dos boletins oficiais e das redes de alerta deve fazer parte da rotina. O produtor precisa verificar se existem esporos detectados, focos próximos ou avanço da doença a partir de áreas semeadas anteriormente. O clima local também deve ser observado. Sequências de dias chuvosos, orvalho intenso, nevoeiros e temperaturas amenas aumentam a atenção para o risco de infecção.

Outro ponto é registrar a fenologia de cada talhão. Quando a soja se aproxima de V6-V7 e há esporos associados a condições climáticas favoráveis, o produtor deve planejar a proteção para a transição para R1. O histórico da propriedade também ajuda. Áreas com registros de ferrugem precoce exigem uma postura mais conservadora diante de condições favoráveis ao patógeno.

A ferrugem-da-soja apresenta avanço rápido. Esperar a presença de pústulas em nível elevado para iniciar o controle pode aumentar o custo e reduzir a eficiência do manejo. O atraso também pode resultar em maior necessidade de aplicações corretivas, menor eficiência de determinados fungicidas e maior pressão de seleção para resistência.

Por outro lado, começar muito cedo sem risco fitossanitário também traz problemas. O produtor pode elevar os custos, aumentar a pressão de seleção para resistência e ter dificuldade para manter intervalos adequados até o final do ciclo. A decisão, portanto, precisa equilibrar proteção e risco.

A primeira aplicação é apenas uma etapa do programa de manejo da ferrugem-da-soja. O cumprimento do vazio sanitário reduz a oferta de inóculo inicial na região. A escolha de cultivares, a rotação de mecanismos de ação e o uso de misturas devem integrar a estratégia de controle.

A qualidade da pulverização também é importante. Volume de calda, ponta de pulverização, velocidade e cobertura precisam ser adequados para atingir o dossel conforme a recomendação técnica. O programa deve considerar ainda o número máximo de aplicações, os intervalos e os produtos a serem utilizados em cada fase. O gatilho para o início, porém, deve ser o risco consolidado de ferrugem.

A definição das datas e dos produtos deve ser feita com acompanhamento de engenheiro ou engenheira agrônoma familiarizado com as condições locais. Dosagens e misturas precisam seguir a bula e o receituário agronômico. O controle também não deve ser baseado apenas em um calendário fixo, sem considerar clima e presença de inóculo.

O manejo químico deve respeitar as regras de registro dos produtos, além das orientações para uso de equipamentos de proteção individual, armazenamento, transporte e descarte de embalagens. A combinação entre monitoramento, fenologia, condições climáticas, presença de esporos e histórico da área permite posicionar melhor a primeira aplicação.

Para o produtor, o principal ponto é não esperar que a doença esteja estabelecida para agir, mas também evitar aplicações antecipadas sem risco real. O objetivo é proteger o dossel no momento em que a lavoura começa a entrar na fase de maior impacto da ferrugem.

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