Fertilizantes recuam e acendem alerta para próxima safra
A produção nacional de intermediários também diminuiu
A produção nacional de intermediários também diminuiu - Foto: Canva
O mercado brasileiro de fertilizantes encerrou o primeiro semestre de 2026 em ritmo mais cauteloso, com retração nas entregas, na produção nacional e nas importações de intermediários. Segundo Erick Santos, estrategista do agronegócio, os números do período mostram uma desaceleração que merece atenção por estar diretamente relacionada às decisões de compra, investimento e financiamento da próxima safra.
Entre janeiro e junho, as entregas de fertilizantes ao mercado somaram 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025. Somente em junho, o recuo foi mais intenso, de 17,2%, com o volume passando de 4,29 milhões para 3,55 milhões de toneladas.
A produção nacional de intermediários também diminuiu. No primeiro semestre, foram produzidas 2,94 milhões de toneladas, resultado 16,3% inferior às 3,51 milhões de toneladas do ano anterior. As importações recuaram 4,2%, de 18,47 milhões para 17,69 milhões de toneladas.
Entre os fatores que influenciaram esse cenário estão crédito mais restrito, juros elevados, maior incerteza internacional e tensões no Oriente Médio. O período também foi marcado pela cautela dos produtores diante do cenário climático e da volatilidade dos preços agrícolas, além de riscos de recuperações judiciais em parte da cadeia e custos mais altos. A postergação de compras e o ritmo menor de novos negócios no segundo trimestre também contribuíram para o movimento.
Mato Grosso liderou os destinos no semestre, com 4,90 milhões de toneladas, seguido por Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Para Santos, acompanhar esse comportamento é importante porque o fertilizante integra diretamente o planejamento financeiro e produtivo das propriedades rurais.