Frango vivo: desempenho em março e no 1º trimestre

Frango vivo

Frango vivo: desempenho em março e no 1º trimestre

Aumento das matérias-primas sobre o mercado do frango
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Um mês atrás, em 1º de março, ao comentar os efeitos das baixas exportações, do fraco consumo interno e, na contramão, do aumento das matérias-primas sobre o mercado do frango, o AviSite, repetindo palavras de um executivo da área frigorífica, observou que estava formada sobre o setor a tempestade perfeita.

Com a divulgação na mesma data, pela SECEX/MDIC, dos resultados dos embarques de carne de frango de fevereiro e, quatro dias depois, a deflagração de uma segunda fase da Operação Carne Fraca, a tempestade tornou-se mais do que perfeita.

O que se quer dizer, em suma, é que, apesar do agravamento da situação, é equivocado imputar aos eventos de março os atuais problemas do setor. Eles vêm de longe, do final de 2017. Apenas se tornaram mais graves no final do primeiro trimestre. Porque, inclusive, sem dispor de um quadro de consumo (interno e externo) perfeitamente delineado, o setor teve produção elevada para o período.

Como conseqüência de tudo isso, enquanto em março de 2017 foi registrado o melhor preço do ano que passou (pouco mais R$2,69/kg, valor que, considerada a inflação acumulada, supera os R$2,70/kg alcançados posteriormente, em novembro e dezembro), neste ano ocorreu o inverso, isto é, o valor de março foi o menor do trimestre, ou, retrocedendo ainda mais, o menor desde junho de 2015.

Tudo isso, claro, seria minimizado se os custos registrassem o mesmo comportamento. Mas não. A simples aquisição de uma saca de milho aos preços de mercado no final de março implicava na venda de, aproximadamente, 20 kg de frango vivo. E isto correspondeu a um volume cerca de 70% maior que o exigido no fechamento do primeiro trimestre de 2017, quando a mesma saca de milho foi adquirida com menos de 12 kg de frango vivo.

Frente a tais circunstâncias só resta uma medida: adequar o volume produzido ao efetivo mercado disponível. Mas isso leva tempo, no mínimo 60 dias. Não é por menos que uma grande empresa do setor e uma grande cooperativa já anunciaram a paralisação temporária dos abates de uma de suas unidades a partir de maio e junho deste ano. É quando os pintos de um dia já incubados estarão, finalmente, sendo abatidos.

Em suma, ainda um longo e difícil caminho a percorrer. O que, diga-se de passagem, não foge ao comportamento sazonal do mercado de frangos: no ano, em geral, os preços do produto decrescem até maio ou junho e só no segundo semestre entram em linha ascendente. 2018, pelo jeito, não será diferente. Mas a situação é bem mais preocupante que em vezes anteriores.

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