Fumicultura

Fumicultores já semeiam a próxima safra na região

Famílias fumicultoras do Sul do Brasil ainda não encerraram a venda do tabaco da safra 2017/18
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As famílias fumicultoras do Sul do Brasil ainda não encerraram a venda do tabaco da safra 2017/18, mas já voltam suas atenções para a preparação das lavouras para o período 2018/19. No Vale do Rio Pardo, os tratos com o solo estão adiantados. Muitos produtores rurais que fazem plantio direto preparam os camalhões para a semeadura das forrageiras, que servirão de adubação verde para o tabaco. Segundo levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), os agricultores também já realizam a semeadura no sistema floating.

Pelo menos 40% do plantio das sementes está concluído na parte baixa da região, enquanto nas áreas Sul e serrana do Estado o processo ainda não começou. Em todo Rio Grande do Sul, estima-se que a porcentagem chegue a 15%. Enquanto isso, no litoral catarinense, o produto está 100% semeado. Conforme o presidente da Afubra, Benício Albano Werner,  pelo menos 20% das mudas já foram transplantadas para lavouras em Santa Catarina. O mesmo acontece no Centro-Oeste do Paraná, onde o clima igualmente é favorável para a antecipação do plantio.

O fumicultor Anderson Ivan Kohl, de 35 anos, está terminando a colheita do milho safrinha e preparando as áreas para o novo plantio de tabaco. Em sua propriedade, na localidade de Ferraz, interior de Vera Cruz, a ideia é implantar 70 mil pés na etapa 2018/19 – aumento de 10% em relação à safra anterior. Com a ajuda da esposa Marieli Kohl, está otimista em relação ao futuro, após amargar perdas na última colheita em razão de problemas com o clima. “Queremos começar o transplante das mudas no final de julho”, projeta.

Nas redondezas, segundo ele, a maioria dos agricultores já trabalha no preparo das lavouras, que tradicionalmente começam a receber as primeiras mudas no início de agosto. Com a renda principal oriunda do tabaco, Kohl também está de olho na rentabilidade do próximo ciclo. Com 130 das 570 arrobas colhidas ainda em casa, sua lucratividade média é R$ 145,00 por arroba até o momento. “Essa média tende a baixar, pois agora resta o fumo mais inferior para venda, das classes X e C.” Na unidade familiar, ainda aposta em cultivos de subsistência e na criação de suínos e gado.

Cobertura do seguro

Conforme o tesoureiro da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Drescher, dos R$ 100 milhões em danos causados às lavouras de tabaco na safra 2017/18, a entidade já quitou até o momento R$ 94 milhões – faltam apenas 6,7% dos pagamentos. O dirigente ressalta que os auxílios referentes a queima e danos causados por granizo e vendavais nas estufas também foram elevados nas propriedades produtoras.

Nesses casos, reitera que a cobertura é válida desde que haja tabaco na fase de cura dentro dos fornos. Drescher reforça, ainda, que desde o ano passado o prazo de carência para quem inscreve seu tabaco para cobertura de granizo é de sete dias – o mesmo vale para quem possui débitos junto à associação. Já a carência para auxílio funeral continua com a mesma regra, de 60 dias a partir da inscrição do familiar.

Venda chega a 56% na região Sul do País

O mais recente levantamento da Afubra, divulgado no último sábado, aponta que 56% do tabaco da safra 2017/18 já foi entregue às indústrias no Sul do País – aproximadamente 377.440 toneladas. O índice leva em consideração a estimativa de produção, que é de 667.223 toneladas. Nos três Estados, foram entregues 52% do tabaco Virgínia, 87% do Burley e 93% do Comum.

De acordo com Benício Werner, o preço médio do Virgínia está em R$ 9,41 por quilo, ante R$ 8,77 no ano passado. Em relação ao Burley, a média paga pela indústria fica em R$ 8,40, superior aos R$ 7,90 do ciclo anterior. O acompanhamento das vendas, feito semanalmente pela entidade, mostra que dos 2.183 produtores de Virgínia visitados, 27% consideram a venda boa, 43% normal e 30% ruim. Já no Burley, dos 696 produtores ouvidos, 21% acham a venda boa, 42% normal e 37% ruim.

Clima

Werner ressalta que o calor fora de época momentaneamente não interfere na produção de tabaco no Vale do Rio Pardo. “O máximo que pode ocorrer é acelerar o desenvolvimento das mudas nas bandejas, mas os produtores conseguem controlar o crescimento através das podas”, explica. O dirigente ressalta, inclusive, que as podas fortificam as plantas e melhoram seu enraizamento.

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