Fungos podem mudar a eficiência dos bioinsumos
“O verdadeiro avanço tecnológico não está apenas em produzir grandes volumes"
“O verdadeiro avanço tecnológico não está apenas em produzir grandes volumes" - Foto: Canva
A produção de bioinsumos à base de fungos enfrenta um desafio que vai além do aumento do volume obtido nos processos de fermentação. Segundo o engenheiro agrônomo Wallison Oliveira Vieira, a qualidade e a estrutura dos propágulos produzidos são fatores fundamentais para garantir a eficiência desses produtos no controle biológico de pragas agrícolas.
Fungos entomopatogênicos, como Beauveria, Metarhizium, Cordyceps e Akanthomyces, apresentam capacidade de desenvolver diferentes estruturas conforme as condições de cultivo. Durante a fermentação líquida, podem ser formados blastosporos, conídios submersos, microescleródios e biomassa micelial, cada um com características específicas.
A definição da estrutura predominante depende de fatores como composição nutricional do meio, relação entre carbono e nitrogênio, disponibilidade de oxigênio, agitação, pH, temperatura e duração do cultivo. Essas variáveis influenciam diretamente o metabolismo dos microrganismos e o desempenho dos bioinsumos.
Os blastosporos, por exemplo, apresentam rápida multiplicação em meio líquido, favorecendo processos que exigem elevada produtividade. Já os microescleródios possuem maior tolerância à dessecação e a condições de estresse, características importantes para determinadas formulações e para a estabilidade dos produtos.
Os conídios submersos também representam uma alternativa para o desenvolvimento de bioinsumos, enquanto os clamidósporos se destacam pela resistência e capacidade de sobrevivência. Entretanto, a formação dessas estruturas varia conforme a espécie e a linhagem utilizada.
“O verdadeiro avanço tecnológico não está apenas em produzir grandes volumes de bioinsumos, mas em desenvolver processos capazes de produzir, de forma consistente, a estrutura biológica mais adequada à finalidade desejada.Esse é um dos caminhos para tornar a produção de bioinsumos mais eficiente, escalável e tecnicamente robusta”, conclui.