Agronegócio

Gado japonês made in Brasil será exportado

Os criadores querem aumentar os abates para quatro ou cinco mil cabeças nos próximos três anos
Por: -Viviane Monteiro
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Os abates do animal no Brasil ainda são modestos, giram em torno de 100 a 150 cabeças mensais que são destinados apenas aos grandes restaurantes. Mas os criadores querem aumentar os abates para quatro ou cinco mil cabeças nos próximos três anos, para atender os novos mercados.

Os animais são criados por grandes pecuaristas. Eles foram trazidos ao Brasil, pela primeira vez, pela empresa Yakult em 1992, dos Estados Unidos. Há mais de dois anos, a Yakult fez uma parceria com a Fazenda Rubaiyat para produzir embriões em grande escala visando multiplicar a raça no País. Só no ano que vem a Rubaiyat pretende inseminar 5,5 mil vacas de outras raças com o wagyu, fazendo cruzamento industrial.

Os criadores querem também reduzir as importações de carne bovina de alta qualidade - raça angus, de origem européia - proveniente da Argentina, que abastece os grandes restaurantes. "A intenção é ocupar o espaço da carne argentina’’, diz o superintendente de Registro Médico Veterinário da Associação Brasileira dos Criadores da Raça Wagyu, Rogério Satoru Uenishi, que também é gerente agropecuário da Yakult.

As características da carne do wagyu são parecidas com a da raça angus por ter alto teor de marmoreio (gordura entremeada) e mais maciez. Essa conjugação de fatores, segundo Satoru Uenishi, resulta em uma carne mais saborosa.

O proprietário do restaurante Rubaiyat, Belarmino Inglesias, disse que o preço do quilo da carne ao consumidor pode ser de 30% a 40% mais caro que o da tradicional brasileira, da raça nelore. No Japão o quilo da carne wagyu com nível elevado da gordura entremeada chega a ser de US$ 500.

Hoje o gado existente no Brasil - 10 mil cabeças entre puros e cruzados - está distribuído pelos estados de Mato Grosso do Sul, com cerca de 80% do total, São Paulo, Bahia e Goiás. Segundo o superintendente da associação, os animais têm boa adaptação nessas regiões, apesar de o clima ser mais seco que o asiático. "O touro wagyu tem poder de adaptação por ter mais fertilidade que as raças européias. Ou seja, o macho tem mais libido’’, disse Uenishi. De acordo com ele, várias vacas européias têm cruzado com a raça zebuína e não tiveram resultado satisfatório porque o touro não consegue fazer uma boa monta no campo. Ele acredita que macho wagyu "trabalhe bem" - até o momento a reprodução ocorreu via inseminação artificial. O gado japonês é criado no Brasil em regime de confinamento.

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