Gigante dos EUA mira cooperativa do PR
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Agronegócio

Gigante dos EUA mira cooperativa do PR

GHS faz parceria com a Coopermibra para fornecimento de insumos; norte-americana investe mais de US$ 1 bi no Brasil, diz mercado
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Cooperativa dos EUA quer repetir participação em todas as etapas da cadeia produtiva no Brasil, até a elaboração de alimentos. 

A gigante americana CHS, cooperativa com 79 anos e 350 mil associados nos EUA, põe os pés em definitivo no Brasil. Acaba de fechar parceira com a Coopermibra, cooperativa com dez anos que atua no setor de grãos do noroeste do Paraná.

Bom para as duas. Para a CHS, porque há a chance de elevar a compra de grãos no Brasil e de consolidar um projeto de investimentos por aqui que, segundo o mercado, deve superar US$ 1 bilhão.

A CHS avança exatamente em uma região em que os custos de produção estão entre os menores do país e as condições logísticas, inclusive para exportações, são as melhores.

Para a Coopermibra (Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil), há a possibilidade de crescimento de pelo menos 30% no curto prazo e de atingir vários mercados externos devido à globalização da CHS.

Stefano Rettore, presidente da cooperativa americana no Brasil, avisa que essa aproximação das duas empresas não envolve apenas uma relação de compra e venda de mercadorias, mas uma parceria para solucionar problemas, determinar pontos fortes e estudar oportunidades de investimentos para os dois lados. "Não queremos apenas ser "mais um" na região, mas ser parceiros."


Nas palavras de Rettore ficam os sinais dos planos da CHS para o Brasil, que são grandes. A parceria com a Coopermibra deve ser apenas o início da consolidação desses objetivos. Atuando em energia, insumos, produção de grãos e processamento de alimentos nos EUA, a CHS quer repetir essa cadeia aqui no Brasil.

A empresa, que chegou há cinco anos ao país para estudar o mercado, começa a acelerar os investimentos, mas não revela o valor a ser aplicado.

Perto do consumidor
Terceira maior empresa no setor de grãos nos EUA, a CHS vai atuar no Brasil tanto na produção de fertilizantes como no processamento de alimentos. "Queremos subir a cadeia produtiva e chegar mais perto do consumidor", diz Rettore.
Ao mesmo tempo em que deve oferecer insumos aos agricultores, a empresa fornecerá uma linha de produtos finais para a elaboração de alimentos.
A CHS, que já tem investimentos conjuntos com a brasileira Multigrain e com a japonesa Mitsui no oeste baiano na produção de grãos, processamento de óleos vegetais e planos para a produção de biodiesel e de álcool, espera novas parcerias nos próximos anos.
Se a parceria com a Coopermibra é boa para a CHS, não deixa de ser menos importante para a paranaense. "Ambas têm filosofia cooperativista, que visa gerar volume, agregar valor e trazer renda ao produtor", diz Henning Erich Baer, presidente da Coopermibra.

Uma das vantagens dos 6.200 produtores filiados da Coopermibra certamente será o fornecimento de crédito. Atualmente, ao receber recursos das tradings, os produtores se comprometem a entregar sua safra a essas empresas.
Já a CHS deve repassar para a Coopermibra recursos a taxas de juros bem mais competitivas do que os 12% ao ano que os produtores conseguem no mercado nacional. Com esses recursos, cooperativa e produtores podem escolher os melhores preços na compra de insumos, afirma Dival Ceranto, superintendente administrativo da Coopermibra.
Além de pagar juros menores, os produtores podem obter até 5% na redução dos gastos na compra de insumos.

Mais parceiros
A parceria atual, que vai do fomento da produção à comercialização de soja e milho, deve se expandir para fertilizantes, sementes e agroquímicos.
A CHS tem como foco principal o Sul. O objetivo da norte-americana é aumentar as parcerias na região e, com elas, prover essas empresas de instrumentos financeiros para que possam crescer. "O gerenciamento financeiro é fundamental hoje", diz Rettore.
Ao dar melhores condições financeiras e de gerenciamento às parceiras, a CHS espera crescer junto. Em 2007, o faturamento da empresa no Brasil era de R$ 200 milhões. Em 2009, deverá ser de R$ 600 milhões. A empresa embarca, neste ano, pelo menos 1,1 milhão de toneladas de grãos provenientes do Brasil e da Argentina.

Com custos menores na produção e nos gastos com logística, a CHS deve abastecer clientes específicos nos mercados europeu e asiático com vantagens. No retorno, traz fertilizantes e insumos, fechando um círculo com custos menores.
A parceria aquece também o ritmo de desenvolvimento da Coopermibra, que hoje recebe 600 mil toneladas de grãos, mas deve saltar para 1 milhão de toneladas em três anos, segundo Dival Ceranto. O objetivo da Coopermibra é trazer novas cooperativas para a parceria, o que elevaria ainda mais a oferta de grãos para a CHS.
Para a Coopermibra, a parceria ajudará na solidificação da empresa e no aumento de investimentos, principalmente em armazenagem, já programados em R$ 50 milhões.
Com operações em 49 dos 50 Estados dos EUA, na América Latina e na Europa, a CHS, que já registra US$ 22 bilhões de receitas nos nove primeiros meses do ano fiscal de 2008, deve fechar o período com US$ 30 bilhões. Juntas, todas as cooperativas do Paraná têm receitas anuais de US$ 14 bilhões.

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