Goiás perde 708 quilômetros quadrados de Cerrado por mês
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Agronegócio

Goiás perde 708 quilômetros quadrados de Cerrado por mês

Estudos mostram que bioma pode desaparecer em 20 anos, caso ritmo de destruição seja mantido
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O Dia Nacional do Cerrado, lembrado ontem, foi comemorado em meio a perspectivas pouco animadoras sobre o destino do bioma mais velho do planeta. Estudos recentes alertam para o risco de desaparecimento do Cerrado em 20 anos, caso o ritmo de devastação - que só em Goiás foi de 708 quilômetros quadrados de área por mês, de 2003 para 2004 - seja mantido.

Ontem, um ato público, na Praça do Bandeirante, em Goiânia, chamou a atenção da população para situação preocupante e convocou a sociedade a assinar abaixo-assinado pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional PEC 115/150, proposta pelo deputado federal Pedro Wilson (PT-GO), que transforma o bioma em Patrimônio Nacional. Os biomas Cerrado e Caatinga não foram considerados como tal pela Constituição de 1988, o que os deixam mais suscetíveis à devastação, já que não contam com uma proteção legal mais efetiva. A meta é coletar 200 mil assinaturas, que serão encaminhadas ao Congresso Nacional, com o intuito de acelerar a apreciação da PEC, que tramita há 12 anos.

Um dos coordenadores do Fórum Goiano em Defesa do Cerrado, Altamiro Fernandes destaca que a transformação do Cerrado no grande celeiro do Brasil (devido à produção de alimentos), tem favorecido a devastação acelerada do bioma, que conta hoje com apenas 20% de sua vegetação original. “Nos últimos 50 anos, devido ao processo de utilização das áreas do Cerrado pela agricultura e agropecuária, a devastação chegou a 80% da área total”, diz. Segundo ele, a PEC do Cerrado não proíbe o uso da terra, mas exige a adoção de medidas visando a exploração sustentável. Goiás, assinala, é o único Estado totalmente coberto pelo Cerrado e já conta com 1,2% de sua área desertificada. “Não queremos parar com a produção, mas é preciso garantir o mínimo de preservação”, afirma.

Conforme Altamiro Fernandes, o avanço da monocultura da cana-de-açúcar sobre o Cerrado coloca em risco a sobrevivência do bioma, e conta com o apoio e incentivo de ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, devido as restrições de exploração da Amazônia e do Pantanal, protegidos pelo título de patrimônio nacional. “A previsão de que 50 novas usinas sucroalcooleiras se instalem no Cerrado nos próximos anos”, alerta.
equilíbrio

Ativista das causas ambientais e agrárias, d. Tomás Balduíno destacou que o bioma Cerrado é tão importante para o equilíbrio do planeta quanto a Amazônia. “Não apenas um pedaço de chão, uma determinada área. É importante para o Brasil, para o continente e para o mundo. É preciso salvar o Cerrado”, assinala. D. Tomás acrescenta que é preciso internacionalizar a defesa do Cerrado.

Membro do Grupo do Cerrado da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a irmã missionária Luzia da Cunha Neves também chama a atenção para a devastação do bioma e diz que o tema é discutido em reuniões com a comunidade. As comemorações ao Dia Nacional do Cerrado prosseguem durante o mês de setembro.

De 25 a 28 de setembro, será realizada uma exposição de artes plásticas, fotografias e animais do cerrado empalhados no Shopping Flamboyant. No dia 28 também será realizado o primeiro passeio ciclístico e plantio de mudas.

Quem quiser aderir ao abaixo-assinado pode procurar a lista em faculdades e escolas públicas ou fazer por meio eletrônico, no endereço www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/908.

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