Governo nega renegociação do débito dos cafeicultores

Agronegócio

Governo nega renegociação do débito dos cafeicultores

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Os cafeicultores brasileiros não deverão ter suas dívidas prorrogadas. O pleito do setor foi levado ao Ministério da Fazenda, mas o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, afastou ontem a possibilidade da renegociação dos débitos. Como resposta, o setor divulgou a "Carta de Varginha", em que acusa o governo de prejudicar economicamente o setor.

"Os preços do café estão em alta e a expectativa dos produtores e operadores de mercado é positiva. Por isso, as perspectivas de reescalonamento não são muito promissoras", disse o ministro Roberto Rodrigues, que participar ontem do Seminário "Café – Novos Desafios e Oportunidades". Segundo ele, a argumentação apresentada pela da área econômica do governo é de que os preços do produto estão subindo, enquanto outros produtos agrícolas, como o milho e o trigo, estão com cotações em queda. "O cobertor é curto. Não acredito que vamos conseguir atender a todos os pleitos", afirmou o ministro.

Com Palocci

Na semana passada, Rodrigues esteve reunido com o ministro Antonio Palocci, quando solicitou a liberação de R$ 2 bilhões para o apoio à comercialização da safra de grãos, R$ 3,5 bilhões para o financiamento da venda da safra e a renegociação das dívidas dos cafeicultores, que somam R$ 535 milhões, e a dos cacauicultores, que totalizam R$ 543 milhões. O assunto está sendo analisado pela equipe do Ministério da Fazenda. Roberto Rodrigues acredita que até o final desta semana deverá ser lançado um pacote para a agricultura. "Nos últimos anos, o agronegócio tem sido a locomotiva da economia. O governo tem clareza disso e fará todo esforço para ajudar no que for possível", acrescentou. Fontes do Ministério da Fazenda confirmaram ontem que a reivindicação dos cafeicultores não será atendido. "Mas as reivindicações dos demais setores da agricultura ainda estão sendo avaliadas", afirmou a fonte.

"Essa derrota do setor agrícola vai gerar desemprego e afetar a produção futura", diz João Roberto Pulit, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo ele, apesar de nos últimos dois meses o preço do grão estar em ascensão, mais da metade da safra foi comercialização abaixo do custo de produção.

"Se não saírem os recursos do governo, o mercado terá de pagar a mais para ter café", diz Manoel Bertone, diretor-superintendente do Conselho Nacional do Café (CNC). Levantamento realizado pelo embaixador Rubens Ricupero mostra que, na última década, a participação do agricultor na formação do valor bruto da produção da cadeia produtiva do café caiu de 36% para 6%.

Consumo interno

Durante o encontro, que termina hoje, o setor vai levantar propostas a serem apresentadas na conferência mundial do café, em Salvador (BA), em setembro. Segundo o presidente da Organização Internacional do Café (OIC), Nestor Osório, é preciso garantir a sustentabilidade do setor. Entre as medidas, ele cita o aumento do consumo nos países produtores. Segundo Osório, se cada habitante dos países produtores tomasse uma xícara a mais de café, o consumo cresceria até 9 milhões de sacas.

Ele também acredita na diversificação da produção agrícola como forma de reestruturar o setor. Segundo Osório, a entrada dos Estados Unidos na OIC é uma indicação de que haverá maior cooperação internacional entre os produtores e os consumidores.


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