Governo pode ter estoque recorde de trigo

Agronegócio

Governo pode ter estoque recorde de trigo

A Companhia Nacional de Abastecimento está próxima de formar um dos maiores estoques de trigo dos últimos 15 anos
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O governo está próximo de formar um dos maiores estoques de trigo dos últimos 15 anos. Se as 210 mil toneladas que fazem parte dos contratos de opção comercializados pelo governo no ano passado forem exercidas no próximo dia 31 de março, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terá em seus armazéns perto de 910 mil toneladas do grão. "Será o maior estoques desde 1990", diz Márcio Augusto, técnico de planejamento da Conab.

No que depender das cooperativas, donas da maior parte dos contratos de opção, o governo terá mesmo que encontrar espaço em seus armazéns para receber o novo lote de trigo. "Pelo que temos conversado com as cooperativas do Paraná todas pensam em exercer a opção de vender para o governo", afirma Robson Mafioletti, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), alegando que a alta dos preços no mercado interno ainda não foi suficiente para cobrir os custos de produção dos agricultores do estado.

Na outra ponta, no entanto, analistas de mercado apostam que a recuperação das cotações está acima do preços de exercício das opções, o que justificaria a venda do trigo no mercado e não para o governo. "No norte do Paraná já existem negócios sendo fechados a até R$ 460 a tonelada, 4,5% acima do preço de exercício, que foi estipulado em R$ 440", afirma Aldo Lobo, analista da consultoria Safras & Mercado, de Curitiba (PR).

Na prática, os preços do trigo, tanto no mercado externo quanto no interno, estão se recuperando. No Paraná, por exemplo, maior estado produtor do grão, o preço médio para a saca de 60 quilos em fevereiro era de R$ 19,18, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da secretaria de Agricultura do Paraná. Ontem, na média fechada pelo Deral, a cotação já era de R$ 21,75 por saca, uma recuperação de 13,4% em menos de 30 dias. "Os preços estão subindo. Além disso, vendendo para o governo, o produtor demora alguns dias para receber o pagamento, o que é mais um desestímulo ao exercício das opções", afirma Lobo, da Safras.

Se por um lado a política de apoio aos produtores amenizou a situação no curto prazo, manter o maior estoque dos últimos quinze anos pode ser arriscado. O ideal para o produtor, segundo os analistas, seria a eliminação desses estoques por meio de exportações, mas o atual nível de preço no mercado internacional e o real ainda valorizado frente ao dólar, praticamente eliminam essa hipótese.

Venda dos estoques:

Independente de exercer ou não a opção de venda de trigo para o governo, as 700 mil toneladas já estocadas precisarão ser escoadas em algum momento. A expectativa do técnico da Conab é que a comercialização seja feita a partir de agosto, período de entrada da safra brasileira. "A data ainda não está certa. Teremos uma reunião em Porto Alegre (RS) esta semana para analisar a viabilidade da comercialização nesse período", explica Augusto.

Apesar de a estratégia aparentemente ser equivocada, já que a entrada da safra representa uma queda de preços, Augusto acredita que até lá os preços estarão em patamares mais elevados que os atuais. "A Argentina, nosso maior fornecedor, terá uma safra de 16 milhões de toneladas, das quais 75% já foram comercializadas, o que indica que eles terão uma oferta reduzida e conseqüentemente pressão maior sobre os preços", afirma Augusto.


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