OPINIÃO

Greenpeace diz como quer mudar agronegócio e manter o PIB

Especialista da ONG afirma que modelo atual não é sustentável
Por: -Leonardo Gottems
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Perguntamos ao Greenpeace como o Brasil poderia manter seu PIB, balança comercial e índice de empregos positivos caso optasse por acabar com o modelo agrícola atual. Quem responde é Marina Lacôrte, especialista em Agricultura e Alimentação da ONG (Organização Não-Governamental).

“O modelo agrícola adotado no país recebe e continua a receber muitos investimentos públicos desde a década de 1950, e também cada vez mais investimentos privados. Porém, para produzir mais, ele gera inúmeros impactos negativos e coloca em risco a produção futura de alimentos1 e o bem-estar da população. Dessa forma, o modelo agrícola convencional não pode ser considerado como sustentável e viável economicamente no longo prazo”, afirma.
 
De acordo com Marina, a “expansão dessa agricultura leva também ao aumento gigantesco da necessidade de recursos, sendo que, em algum momento, os recursos necessários para garantir a continuidade desse crescimento econômico não existirão. Ou seja, a estagnação desse crescimento em algum momento vai acontecer imposta pela escassez dos recursos, à não ser que comecemos a tempo a seguir caminhos mais eficientes e sustentáveis, algo que está longe de acontecer se depender dessa contínua defesa em prol da perpetuação do agronegócio”.

“O Greenpeace busca um sistema de produção agrícola social e economicamente justo, além de saudável para o planeta, para quem produz e para quem os consome. A ideia é repensar o atual modelo dominante e substituí-lo ou no mínimo equilibrá-lo, aumentando significativamente a produção agroecológica”, sustenta ela.

“O Brasil escolheu ser o ‘celeiro do mundo’ quando optou por pautar seu desenvolvimento econômico neste modelo agrícola. Mas isso pode mudar com investimento em outros setores e vontade política do governo e do congresso, começando por escutar a sociedade que não quer correr os riscos da exposição constante a resíduos de agrotóxicos. É urgente rever essa forma de produzir, para que reduzamos gradativamente o uso de agrotóxicos e possamos dar o primeiro passo para uma solução permanente, que seria a aprovação da PNARA – que prevê a redução gradual dessas substâncias. Posicionar-se contra a redução dos agrotóxicos e sistemas mais sustentáveis é um verdadeiro tiro no pé”, conclui.

1 - Considerando que a agricultura convencional utiliza de forma exaustiva os recursos naturais (tendendo ao esgotamento) como solo, água, biodiversidade e claro, a começar pelas florestas (que são mantenedora de boa parte destes recurso), ao requerer grandes extensões de terra para produzir. Sem esses recursos é impossível continuar produzindo no longo prazo, o que torna a atividade insustentável.

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