Greve dos fiscais afeta produção de aves

Agronegócio

Greve dos fiscais afeta produção de aves

Os fiscais são responsáveis pela certificação das carnes e liberação das cargas
Por: -Giuliano
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A greve dos fiscais agropecuários federais já começa a afetar a produção de agroindústrias exportadoras de carnes de aves e suína na região Sul do país. Nesta quarta-feira (01-07) , a Seara pára a unidade de Forquilhinha, no sul de Santa Catarina, e outras agroindústrias podem suspender as atividades até sexta-feira (03-07), caso não haja acordo entre governo federal e grevistas.

"Todas as empresas estão na iminência de parar", diz o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes de Santa Catarina (Sindicarnes-SC), Ricardo Gouvêa. Segundo ele, não há mais espaço para armazenagem nos frigoríficos, o que também ocorreu na greve da mesma categoria, no fim de 2005. As empresas estão sendo afetadas porque os fiscais são responsáveis pela certificação das carnes nas fábricas e pela liberação das cargas para exportação nos portos.

Em Santa Catarina, os fiscais aderiram à greve dia 18 de junho, e deram uma trégua de alguns dias para que houvesse negociação da categoria com o governo federal. Sem acordo, pararam de novo na terça-feira da semana passada.

Segundo Gouvêa, com o acúmulo de cargas no porto, as empresas passaram a armazenar os produtos em caminhões frigoríficos e contêineres, que são mantidos ligados em geradores nos pátios das fábricas. Ele estima que os prejuízos com a greve já estejam perto de US$ 50 milhões.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), seis abatedouros em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná devem parar entre hoje e sexta por conta da greve. A Abef informa que 90% das cargas de frango que deveriam ser embarcadas no porto de Paranaguá estão paradas. "Os portos estão ficando abarrotados", disse o presidente interino da Abef, Christian Lohbauer. Pelas estimativas da entidade, desde o dia 24, deixaram de ser exportados US$ 15 milhões.

A Seara confirmou em nota a paralisação de um dia em Forquilhinha. Segundo a empresa, "a greve tem elevado gradativamente os estoques de produtos acabados que aguardam a liberação para serem exportados. Com isso, o sistema de armazenagem (fábrica, porto e outras estocagens) e de transporte (contêineres e caminhões) vem alcançando o seu limite máximo, o que obrigará a empresa a interromper temporariamente a sua produção".

A empresa disse que toma "todas as medidas para, dentro do possível, reduzir os impactos e, ao mesmo tempo, assegurar o atendimento dos contratos com seus clientes". Admitiu ainda que "não está descartada a possibilidade dessa interrupção voltar a ocorrer em Forquilhinha ou em outras unidades, caso o atual cenário seja mantido".

O Valor apurou que a empresa teria deixado de embarcar este mês 7 mil toneladas estocadas de carne de frango e 2,5 mil toneladas de carne suína por causa da greve.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sadia informou que "até o momento não há previsão de paralisação das atividades das fábricas da Sadia instaladas no Paraná em razão da greve (...) Mesmo com o trabalho parcial dos fiscais em operação, a companhia está tendo alguns problemas de atrasos com embarques e custos indesejados, o que deverá ser paulatinamente recuperado na medida em que os fiscais forem retomando o trabalho".

A Aurora não se pronunciou, e a Perdigão informou que não está suspendendo as operações em suas unidades de produção.

De acordo com o presidente do sindicato dos trabalhadores da indústria de alimentação da região sul de SC, Renaldo Pereira, a Seara avisou que o terceiro turno em Forquilhinha já seria dispensado ontem. A unidade tem 2,5 mil trabalhadores e abate 185 mil frangos/dia, segundo o sindicato.

Gouvêa, que se reuniu com os fiscais de Itajaí ontem, disse que tentou flexibilizar o limite de trabalho, que atendem 30% da demanda diariamente, mas não teve sucesso. Segundo ele, as empresas vieram acumulando a produção até agora na expectativa de que grevistas e governo pudessem chegar a um acordo. O executivo teme os impactos no planejamento da produção das empresas.


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