Gripe A impulsiona procura por vacina contra gripe comum

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Gripe A impulsiona procura por vacina contra gripe comum

Gripe suína impulsiona procura por vacina contra gripe comum
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A vacinação contra a gripe sazonal (comum) teve um crescimento significativo neste ano nas clínicas particulares de todo o País. No Rio de Janeiro, houve um incremento de 400% em junho em relação ao mesmo período do ano passado. No Rio Grande do Sul, foi registrado aumento de até 300% no mês de julho. Também no mês de julho, São Paulo teve crescimento de 104%. Essa tendência, segundo especialistas, está relacionada ao fato de a gripe suína estar em evidência nos meio de comunicação. De acordo com eles, a maioria das pessoas que busca a vacina tem consciência de que ela não protege contra a gripe suína.

De acordo com a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Associação Brasileira de Imunizações e diretora médica da Vaccini, rede de clínicas de vacinação no Rio de Janeiro, a vacina contra a gripe comum nesse período de pandemia da gripe suína ajuda a reduzir a circulação do vírus sazonal e ajuda na diferenciação do diagnóstico.

"Estamos vivendo um grande congestionamento na saúde - as emergências públicas e privadas estão cheias e, com isso, estão circulando dois vírus: o sazonal e o pandêmico. Estima-se que menos de 25% dessas pessoas que vão até os pronto-atendimentos estejam com gripe suína. A maioria está com gripe sazonal, com resfriado ou com outras manifestações respiratórias. E só tem vacina contra a gripe sazonal", diz a médica.

A indicação do Ministério da Saúde referente à vacina contra o influenza sazonal é vacinar a população de 60 anos e mais, que são pessoas mais vulneráveis às complicações por gripe. Para definir esses grupos, são observados critérios epidemiológicos e estudos científicos. Segundo o órgão, "não existe nenhum estudo científico que corrobore a orientação mencionada".

Rio de Janeiro
Na clínica Vaccini foi verificado um aumento de 76% no número de vacinações entre abril e maio deste ano, o que Isabella considera normal, já que o pico das aplicações ocorrem sempre em maio. "No ano passado, a vacina contra gripe significava 40% das vacinações no mês de maio. Neste ano, significou 50%", diz Isabella.

Entre maio e junho, houve uma queda de 65% no número de vacinações. Isabella acredita que isso ocorreu porque a mídia não deu tanta ênfase à gripe suína neste período. "Apesar de as pessoas saberem que não vão se proteger contra a gripe suína, o fato de a doença estar em evidência faz que com que elas se preocupem e se vacinem contra a gripe sazonal."

Um comparativo entre os meses de junho de 2008 e junho de 2009 apontou um crescimento de 400% no número de vacinações.

Rio Grande do Sul
Everton Sukster, diretor médico da Imune, clínica de vacinação em Porto Alegre (RS), diz que houve um aumento de 300% em relação ao número de vacinas de julho de 2007 para julho deste ano. Ele avalia esses dois anos porque em 2008 faltou a vacina na clínica devido à grande demanda do produto no exterior.

De acordo com Sukster, no mês de junho, quando o assunto não estava tão evidente, o aumento foi de 66% em relação a junho de 2007. "Fizemos 300 vacinações em junho de 2007; 400 em junho de 2008, porque as vacinas acabaram no dia 20, e 511 em junho de 2009."

O diretor técnico da clínica Previne, em Porto Alegre, Roberto Valdez, diz que a divulgação do aumento do número de casos e de mortes no Brasil deixou as pessoas assustadas. Com isso, os jovens - na faixa etária dos 20 aos 40 anos, que não costumavam receber a dose da vacina nos anos anteriores - optaram por se vacinar agora.

A análise epidemiológica realizada até o momento indica, segundo o Ministério da Saúde, que a faixa etária mais acometida tanto pelo vírus H1N1 quanto pelo vírus da influenza sazonal é a de 20 a 49 anos - em mais de 60% dos casos.

Valdez diz que a clínica não verificou um aumento significativo na procura pela vacina da gripe comum. De acordo com ele, o Estado já tem a cultura da vacinação por causa do clima frio no inverno. "Estamos fazendo, em média, sete vacinas contra a gripe comum por dia, enquanto, no mesmo período, no ano passado, fazíamos de duas a três." Valdez não considera esse número expressivo, já que no período total de vacinação - que vai de 15 de março a julho - o aumento foi de 15% em relação a 2008.

São Paulo
O médico Luiz Alex Perez Corrêa, da Clínica de Imunizações Santa Joana, de São Paulo, diz que o número de vacinação geralmente diminui em julho. De acordo com ele, o pico ocorre em maio e em junho já começa a cair. E neste ano está ocorrendo o inverso.

"Nós não sabemos se a vacina (da gripe comum) ajuda, mas também não sabemos se não ajuda, pois não temos dado algum. Em geral, as pessoas procuram pensando: 'melhor alguma coisa do que nada'. Então, o pessoal acaba optando por essa vacina. Acho interessante, porque de certa forma, diminui doentes com gripe sazonal", afirma Corrêa.

A clínica Vaciclin, em São Paulo, registrou aumento de 104% em comparação aos meses de julho de 2009 e julho de 2008. Já nos comparativos dos meses de maio e junho, houve queda de 7,43% e de 33,7%, respectivamente.

Ceará
No Nordeste, também foi sentido o crescimento da vacinação contra a gripe comum. "Comparando com o mesmo período do ano passado, houve quase 100% de aumento na procura", afirma João Claudio Jacó, proprietário da Clínica de Vacinação Dra. Núbia Jacó, no município de Fortaleza (CE).

Jacó diz que após a pandemia da gripe suína, "o vírus influenza nunca mais será visto com olhos tão meigos como antigamente". De acordo com ele, o que já era de conhecimento dos médicos, vai se expandir para a população.

"Vai ficar mais claro as diferenças entre resfriado, quadros alérgicos e gripe. Gripe é uma doença que tem sua mortalidade e suas complicações bacterianas. Mas agora vai cair a ficha da população leiga. Ela saberá que existe essa diferença - que influenza é influenza e que nem tudo o que espirra é gripe. A gripe é uma doença muito mais séria do que o resfriado."

A influenza ou gripe é uma infecção do sistema respiratório cuja principal complicação são as pneumonias, que são responsáveis por um grande número de internações hospitalares no País.


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