Arroz

IAC lança três novas cultivares de arroz

Variedades devem agregar renda a rizicultores do Vale do Paraíba
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O mercado de arroz agulhinha e arroz arbóreo, usado no preparo de risotos, ganhou reforço com o lançamento de três novas cultivares desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC-Apta) e o Polo Regional de Pindamonhangaba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O evento de lançamento dos materiais reuniu 70 pessoas entre rizicultores, indústrias empacotadoras e estudantes de agronomia, em 18 de abril de 2018.

Na abertura do evento, o coordenador da Apta, Orlando Melo de Castro, que no ato representou o secretário de Agricultura, Francisco Jardim, falou sobre a importância do desenvolvimento de novas cultivares, carro chefe das pesquisas do Instituto Agronômico. "O Vale do Paraíba foi uma das principais regiões produtoras de arroz do Brasil, com 17 mil hectares cultivados. Hoje, são aproximadamente sete mil hectares. Para que o agricultor consiga crescer na atividade é necessário utilizar novas tecnologias e adotar materiais com alto valor agregado, como a cultivar IAC 301, especial para o preparo de risoto”, afirmou. O uso de cultivares de arroz especial agrega, em média, 70% de valor a produção, segundo rizicultores.

O diretor do Centro de Grão e Fibras do IAC, Alisson Chiorato, concordou com Castro e propões que os produtores passem também a cultivar variedades de feijão, como a IAC Netuno, de coloração preta. “Estamos em contato com uma grande indústria empacotadora e com uma empresa de máquinas e implementos agrícolas. Nossa ideia é incentivar além da produção de arroz especial, o cultivo de cultivares de feijão com também alto valor agregado”, disse ao convidar os interessados a entrar em contato com o IAC para conversarem sobre o projeto.

O evento também contou com apresentação do diretor do Polo Regional de Pindamonhangaba, Hélio Minoru, que falou sobre as linhas desenvolvidas na unidade.

Novas cultivares - A cultivar IAC 301 é do tipo arbóreo, especial para o preparo de risotos. Seu potencial produtivo é bem superior ao de sua antecessora IAC 300. A IAC 301 produz 4.281 quilos, por hectare, enquanto a IAC 300 chega a 3.452 quilos, por hectare. A nova cultivar apresenta também maior rendimento no beneficiamento, uma característica interessante para a indústria. “O rendimento de grão da IAC 3010 é de 2311 quilos e da IAC 300 é de 1574 quilos, ou seja, 60% a mais de grãos inteiros por hectare”, afirmou Omar Vieira, pesquisador da Apta.

A IAC 108 e IAC 109 são do tipo agulhinha e devem agradar os consumidores por terem grãos mais soltos e macios, na forma integral e brunida. “Os novos materiais também devem conquistar os rizicultores pelas características agronômicas, dentre elas a elevada produtividade. O potencial produtivo médio da IAC 108 é de 6.421 quilos por hectare, e da IAC 109 é de 6.238 quilos, por hectare. Esses resultados superam o potencial dos materiais usados comparativamente nas pesquisas”, explicou Vieira.

As cultivares são resistentes a brusone, principal doença da cultura. Têm como característica o porte ereto, que permite maior entrada de luz solar, melhorando a fotossíntese das plantas e reduzindo o espaçamento entrelinhas. A IAC 108 e IAC 109 podem ser plantadas do início de agosto a meados de janeiro, o que é considerada uma ampla janela de plantio.

Rizicultor aprova lançamento de variedade - O rizicultor Francisco Ruzene participou do evento e comemorou o lançamento da nova cultivar de arroz especial pelo IAC. “A importância de lançar novas cultivares é muito grande, porque nós trabalhamos com produtos diferenciados. Precisamos de materiais mais produtivos, como o arroz arbóreo lançado pelo IAC, para ter um custo menor para o consumidor final”, disse.

Ruzene iniciou o cultivo de cultivares de arroz especial do IAC há mais de dez anos. Neste período, conseguiu que chefes de cozinha de grandes restaurantes, como Alex Atala, conhecessem e usassem seus produtos. Hoje, o arroz preto IAC 600, é o queridinho dos chefes de cozinha. “A dificuldade nesse período foi abrir mercado. Não sabia que a mudança na cultura alimentar levava tanto tempo. A população está agora se acostumando com esses produtos, comprando com certa frequência, e as empresas estão interessadas. É uma mudança cultural”, explicou.

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