IMA/MG estima vacinação de seis milhões de bovinos

Agronegócio

IMA/MG estima vacinação de seis milhões de bovinos

O gado contaminado emagrece, produz menos leite, e o animal fica proibido de ir para o abate
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Seis milhões de bovinos de todas as faixas etárias serão imunizados contra a febre aftosa no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba na primeira etapa da Campanha de Vacinação no Circuito Centro-Oeste, iniciada neste fim de semana. Segundo estimativa do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), todas as 210 mil cabeças criadas em Uberlândia receberão a dose até 31 de maio, prazo final da campanha. Em 2004, o órgão conseguiu a cobertura de 98% do rebanho nas duas regiões e a expectativa para este ano é de aproveitamento total. A campanha será lançada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, hoje, durante a abertura oficial da Expozebu, em Uberaba.

O circuito Centro-Oeste abrange os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Distrito Federal e parte de Minas Gerais. A multa para os pecuaristas que não cumprirem as determinações da campanha é de R$ 26,60 por animal não imunizado.

Os criadores já receberam, no mês passado, as cartas Aviso — documento emitido pelo IMA no qual são feitos os registros de vacinação. No formulário, os responsáveis pelo rebanho relacionam o número de animais na fazenda e a quantidade imunizada. Com a carta nas mãos, eles estão autorizados a procurar as revendas da área para adquirir as doses. "Fazemos a inspeção nas revendas para saber se o material está sendo acondicionado da maneira correta", afirma o chefe do escritório do IMA em Uberlândia, Ronaldo Monte Raso.

Conforme esclareceu, os técnicos também visitam os locais de confinamento, que são escolhidos por amostragem e sem aviso prévio da presença na fazenda. "Estas inspeções são feitas com base no ?efeito surpresa?. Nestas inspeções, são avaliados os documentos que comprovam a aplicação das doses", diz.

A primeira etapa da campanha (realizada em maio) é destinada a todos os animais, a partir do nascimento. O rebanho mais jovem, de 0 a 30 meses, recebe reforço contra a doença na segunda etapa da campanha, prevista para novembro. Conforme explicou Ronaldo, a resistência à febre aftosa nos primeiros meses de vida dos bovinos é menor, por isso a necessidade de imunização a cada seis meses. Todos esses cuidados visam manter a condição brasileira de País livre da doença com vacinação. O último caso no Triângulo Mineiro foi registrado em 1994. Em Minas Gerais, a ocorrência mais recente é de 1996.

Mesmo assim, o chefe do escritório do IMA ressaltou a importância de os criadores realizarem a vacinação. "O principal motivo desta campanha é que continuemos os nossos índices de exportação. O mercado internacional exige que sejamos livres da doença", avalia. Além da multa de R$ 26,60 por animal não vacinado, quem não comprovar a imunização pode ter outros problemas, como a proibição para entrega de leite e o trânsito de animais após venda, por exemplo. As aplicações das doses da vacina contra a febre aftosa são obrigatórias tanto para bovinos quanto bufalinos (búfalos), embora este rebanho seja quase insignificante. Em Uberlândia, das 210 mil cabeças, apenas 64 são de búfalos.

Revendedores aconselham compra antecipada de doses

Os pecuaristas devem garantir as doses para imunização do rebanho o mais rápido possível. Este foi o conselho do empresário Leonardo Naves Sorna, proprietário da Ruraltech, revenda de Uberlândia para o atacado. De acordo com o comerciante, o mercado está abastecido para as vendas de varejo, mas os repasses dos laboratórios são feitos em lotes inferiores às quantidades solicitadas pelas lojas. Para o início da campanha, por exemplo, ele fez um pedido de 550 mil doses, mas recebeu apenas 300 mil. "As revendas têm material para atender ao varejo. No atacado, entretanto, os comerciantes não estão encontrando para comprar", conta.

O pecuarista Nuno Ribeiro Duarte, com confinamento em Monte Alegre de Minas, não quis correr risco e comprou ontem as 500 doses para cobrir todo o rebanho. Há três anos na atividade, o criador ressaltou a importância de garantir a saúde dos animais. "Quanto mais rápido aplicar a vacina, melhor", salienta. Para fazer este trabalho, que demorará dois dias, ele contará com o apoio de três profissionais. A criação de gado de corte ocupa uma área de aproximadamente 300 hectares na fazenda Santa Rita. "Comprei as vacinas nos primeiros dias porque não tem lógica o produtor correr o risco de ter o rebanho contaminado", reforça.

Estratégia

A dose da vacina contra febre aftosa teve alta de aproximadamente 10% no preço para atacado, mas alguns estabelecimentos preferiram não repassar o custo aos clientes. A Via Rural, por exemplo, reteve o reajuste e espera compensar a diferença com a venda de produtos como vermífugos e suplementações. A dose é vendida a R$ 1 no estabelecimento, mesmo valor de 2004. No ano passado, a revenda vendeu 170 mil doses da vacina. A expectativa para 2005 é de 250 mil. De acordo com o proprietário, Paulo Florentino, o maior fluxo de vendas será registrado na primeira quinzena de maio. "Os pecuaristas que não têm urgência para comercializar o rebanho geralmente não têm pressa e deixa para vaciná-lo na segunda quinzena de maio", diz.

Doença

A febre aftosa é causada por sete tipos diferentes de vírus altamente contagiosos e pode dizimar criações inteiras de bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Um dos menores vírus encontrados na natureza, o aftovírus permanece ativo na medula óssea do animal, mesmo depois de morto. Raramente atinge o homem, que tem defesas contra o vírus.

A doença causa febre alta, muita salivação e vesículas nos lábios, gengiva, língua, mamas e patas, sintomas que podem durar 10 dias. A doença impossibilita os animais de pastar, causando perda de peso e diminuição da produção de leite. O vírus se espalha através do contato entre os animais, além da contaminação do solo e da água. O vento pode transportar o vírus até 90 quilômetros.

O rebanho contaminado não afeta a saúde do homem, mas atinge o bolso do criador e provoca desastres econômicos: o gado contaminado emagrece, produz menos leite, e o animal fica proibido de ir para o abate. Animais não vacinados podem até morrer.


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