Índia reduz exportação de arroz e Brasil ocupa o espaço

Agronegócio

Índia reduz exportação de arroz e Brasil ocupa o espaço

Mesmo sem ter excedente exportável, nos primeiros quatro meses do ano-comercial, o País já embarcou mais de 330 mil toneladas
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Maior produtor e consumidor mundial fora do continente asiático, o Brasil segue firme rumo à consolidação como exportador de arroz. Mesmo sem ter excedente exportável, nos primeiros quatro meses do ano-comercial (de março a junho) o País já embarcou mais de 330 mil toneladas - volume equivalente a 55% do que a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) projeta para os 12 meses da temporada 2009/2010. O fluxo da mercadoria brasileira no cenário internacional começou no ano passado, quando a Índia, terceiro maior exportador do cereal, retirou seu produto do mercado externo para conter a inflação local.

A África tem sido o principal demandante do arroz brasileiro, representando 75% das vendas do País, no entanto, outras regiões começam a ganhar espaço nas negociações. "Esse ano exportamos, pela primeira vez, para a Arábia Saudita, Emirados Árabes, Canadá e Argélia", disse Luciano Targa Ferreira, diretor de vendas e exportação da Josapar, empresa que já comercializa a marca Tio João em mais de 15 países.

Para o executivo, o aumento das exportações aparece como uma opção a mais de faturamento tanto para o produtor quanto para a indústria. "Agora há menos pressão sobre os preços", avalia.

De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a exportação vem sendo uma medida para reduzir o excedente de arroz no Rio Grande do Sul. Este ano a produção de arroz no Estado deve chegar a 7,9 milhões de toneladas, superando em 7,4% o ciclo anterior no melhor resultado da história.

O aumento de 181 milhões de toneladas para 334 milhões no volume exportado de março a junho na comparação com o ano passado já está surtindo efeito. Os preços no mercado interno estão em franca recuperação. "Se compararmos a 2008, os preços ainda são menores já que estavam inflados por um cenário artificial. Em relação a 2007, os preços atuais já estão cerca de R$ 6 a mais", disse Thiago Barata, analista de mercado do Irga.

Segundo a última análise do mercado de arroz divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), "os produtores gaúchos vêm diminuindo suas ofertas desde o início de junho ao passo que indústrias demonstram mais interesse de compra". A tendência que reduziu a oferta fez com que empresas de grande porte e algumas cooperativas passassem a utilizar estoques próprios para atender à demanda por beneficiado. Com isso o preço do arroz posto indústria no Rio Grande do Sul já subiu 3,74% no mês, fechando na última sexta-feira a R$ 28,05 a saca.

A receita com as exportações também reflete uma melhora do mercado. No primeiro quadrimestre do ano-comercial o País elevou de US$ 59 milhões para US$ 102,1 milhões o faturamento. "O Brasil consolidou alguns mercados num ritmo mais acelerado que as nossas expectativas", afirmou Barata.

O incremento na receita também está ligado a maior exportação de arroz parboilizado, produto com mais valor agregado. Segundo Alexandre Selk, proprietário da Risoy Corretora de Mercadorias, o Brasil conseguiu nesse ano inverter seu quadro de exportações. "Esse ano o parboilizado representa 63% das exportações enquanto o polido branco 33%. Em 2008, as vendas do arroz quebrado eram da ordem de 80%", disse. Segundo Selk, enquanto o arroz quebrado é comercializado entre US$ 300 e US$ 350 a tonelada o produto parboilizado chega a ser vendido a US$ 600.

Para os próximos meses as expectativas são de desaceleração já que o mercado interno está se tornando mais remunerador, mas o ano certamente irá superar o desempenho de 2008. "O tempo vai acabar tornando o Brasil um player nesse cenário", disse Selk.

Maior produtor e consumidor mundial fora do continente asiático, o Brasil segue firme rumo à consolidação como exportador de arroz. Mesmo sem ter excedente exportável, nos primeiros quatro meses do ano-comercial (de março a junho) o País já embarcou mais de 330 mil toneladas - equivalente a 55% do que a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) projeta a temporada 2009/2010. A África tem sido o principal demandante do arroz brasileiro, perfazendo 75% das vendas. O fluxo do cereal no cenário internacional começou no ano passado, quando a Índia, terceiro maior exportador do cereal, limitou exportações para conter a inflação local.


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