Inflação de março é a maior em 11 anos
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Agronegócio

Inflação de março é a maior em 11 anos

Preço da batata subiu 36,78% e pressionou com maior força o IPC
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Alimentos são os vilões e o IPC do terceiro mês do ano chega a 1,22%

Os alimentos foram os responsáveis pela alta acima da média na inflação do mês de março. O índice de preços ao consumidor (IPC), calculado pelo Instituto Mauro Borges/ Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/ Segplan), no terceiro mês do ano ficou em 1,22%, o maior já registrado no mês de março em 11 anos. Em fevereiro, o IPC foi de 0,39%. Segundo a chefe do Gabinete de Gestão, Lillian Prado, o aumento na inflação era esperado, mas a seca dos dois primeiros meses e depois as chuvas intensas que caem no Estado estão prejudicando a produção de hortifrutigranjeiros. “Os responsáveis foram alimentos essenciais e que estão no dia a dia das famílias”, explica ela. Um dos símbolos desta elevação é o tomate, que teve de aumento 30%; a batata-inglesa foi outra que subiu, 36,78%.

Até produtos como o feijão, que estava com preço baixo, teve uma das maiores altas de março. O tipo carioca, por exemplo, subiu 27,69%. Só o grupo alimentação foi responsável por 75% da inflação calculada pela Segplan/IMB. Os ovos subiram 17,14% em março, assim como a laranja-pêra, 9,16%. No geral, hortaliças e legumes tiveram elevação de 10,63%.

A oscilação climática também afetou a produção de carne e de leite, que nesta época do ano tem oferta abundante e preços mais em conta, por estarem em período de safra. Porém, as pastagens demoram mais de um mês para alcançar o tamanho para alimentar o gado e aumentar a produção de leite e de carne. No caso do gado de corte, a situação é mais grave, diante da pouca oferta de animais para o abate, os produtores estão abatendo as matrizes por conta do preço, que está bastante convidativo. Lá na ponta, os resultados para o consumidor são preços mais altos. O leite tipo C teve um reajuste de 7,08%; o coxão duro teve alta de 7,8%; o contra-filé, 6,52%; e o lagarto, 6%.

Altos e baixos

Comer fora de casa também ficou mais caro. O almoço no peso aumentou 1,76%, e o refrigerante de 290 ml subiu 6,91%. No grupo habitação, o maior reajuste ficou por conta do gás de cozinha, cujos preços oscilaram durante todo o mês e fechou com alta de 0,84%. O grupo de saúde e cuidados pessoais teve uma elevação geral de 0,84%, ocasionada principalmente pelo aumento das consultas médicas de 1,25% e de exames de laboratório que foram de 3,32%. Segundo o gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais da Segplan /IMB, Marcelo Eurico de Sousa, esses reajustes nas despesas pessoais ainda são reflexos do salário mínimo que embora tenha sido elevado no início do ano, os repasses salariais não são feitos todos de uma vez. “É uma adequação ao custo da mão de obra”, explica.

O valor da cesta básica aumentou 3,69% no mês de março e passou a custar R$ 257,22. No mesmo mês do ano passado, o valor era de R$ 251,24. Desde janeiro de 2013, o valor da cesta básica não se aproximou tanto do reajuste de 4%. No acumulado do ano, o conjunto de produtos essenciais teve uma elevação de 5,45%. O comprometimento do salário mínimo com essa alta no preço da cesta básica foi de 35,53%. Dentre os produtos alimentícios, as maiores reduções ocorreram no preço do frango de 4,15%, pão francês de 2,27%, maçã 10,93%, melancia 6,76% e extrato de tomate 3,40%.

Perspectivas

Para o mês de abril, as perspectivas são de inflação alta, uma vez que as chuvas continuam fortes no Estado. Outro item que vai pesar no cômputo da inflação é o reajuste dos medicamentos de até 5,64%, autorizado pelo governo federal, que entrou em vigor no dia 31 de março. Além disso, o preço da gasolina pode ser elevado a qualquer momento pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). O maior aumento na inflação dos últimos cinco anos, no mês de abril, ocorreu em 2011, provocado pela alta no preço do cigarro.

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