Intensificar produção de gado no país pode cortar emissões globais do desmatamento em 25%
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Agronegócio

Intensificar produção de gado no país pode cortar emissões globais do desmatamento em 25%

Brasil pode reduzir mais de um quarto das emissões ligadas ao desmatamento no mundo
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O Brasil pode reduzir mais de um quarto das emissões ligadas ao desmatamento no mundo através da intensificação da produção de gado na Amazônia, argumenta um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. A pesquisa baseia-se em um modelo econômico que avalia duas possíveis políticas brasileiras: uma taxa sobre o gado criado convencionalmente em pasto de baixa intensidade e um subsídio para o gado produzido em pasto semi-intensivo.

Os autores descobriram que qualquer uma dessas políticas reduziria significativamente a área de floresta desmatada para criação de gado, que é a maior causa de desmatamento na Amazônia. O estudo estima que as políticas podem cortar o desmatamento na Amazônia brasileira em até 50% entre 2010 e 2030, traduzindo-se numa redução global de 26% nas emissões do desmatamento.

“Nosso estudo mostra que os ganhos relacionados a políticas de intensificação excedem consideravelmente as perdas”, disse a coautora do estudo Aline Mosnier, da UC Berkeley. “O Brasil poderia agir sozinho e ainda gerar uma grande redução nas emissões de gases do efeito estufa.”

O estudo diz que, adotadas juntas, as duas políticas podem compensar uma a outra, proporcionando de forma neutra em termos de receita uma maneira de o governo brasileiro cortar as emissões de gases do efeito estufa e o desmatamento sem sacrificar a produção agrícola.

“Uma combinação neutra de políticas de taxas e subsídios pode ajudar a equilibrar o crescimento agrícola, a conservação do uso da terra e a mitigação global de GEEs”, escreveram os autores. “Tal abordagem, quando combinada a políticas de conservação da terra, é uma promessa para o desenvolvimento sustentável.”

Fazendas industriais na Amazônia

A intensificação da produção de gado muitas vezes tem a conotação de uma mudança para as“fazendas industrializadas” vistas nos Estados Unidos, onde o gado é mantido densamente confinado, injetado de hormônios e alimentado com comidas não destinadas ao consumo de gado. Mas a intensificação apontada do estudo está muito longe dessa abordagem, afirma a principal autora, Avery Cohn.

“A maioria das melhorias que formulamos vem da adoção de sistemas para gerir pasto cultivado mais eficientemente”, falou Cohn ao Mongabay.com. “Estamos falando do uso de sementes de pasto melhoradas, replantação mais frequente, controle de pestes e ervas daninhas, mais calagem e pouco fertilizante e pastejo rotacionado. Nada disso é muito buscado – vemos pouco isso em prática. Exige mais know-how, trabalho e capital.”

“Em nosso modelo, também há algum aumento de produtividade a partir da melhoria na criação, alimentação e gestão de animais. As melhores práticas de gestão de pasto acionam os pagamentos de subsídios ou permitem que os produtores evitem as taxas convencionais. Muitas vezes, o melhor uso dos sistemas de boa gestão de pasto é combiná-los com a melhor gestão do animal.”

Ao contrário de pesquisas publicadas anteriormente, os autores também acreditam que o aumento da rentabilidade da pecuária de produção intensificada não deve levar ao aumento de conversão de florestas no Brasil se as medidas políticas que eles propõem forem usadas. “Descobrimos que as políticas usadas para induzir a intensificação tem uma grande importância para onde e como a intensificação afetará o uso da terra”, declarou Cohn.

Cohn acrescentou que essas políticas podem não tratar com eficácia do desmatamento para a produção de gado que é impulsionado por outros fatores além da demanda por carne e couro, por exemplo, como uma forma para especulação imobiliária. Mas outras políticas para evitar o desmatamento – como o recém-obrigatório registro de propriedade no Brasil – podem ajudar.

“Variando de 6% a 16%, nossas taxas de vazamento são baixas em comparação com grande parte da literatura de gestão de políticas de mitigação de GEEs”, escreveram eles. “O vazamento internacional também seria baixo porque, embora a produção de carne bovina no Brasil compreenda uma parte considerável do mercado global, apenas uma pequena porção de toda a carne bovina é comercializada internacionalmente.”

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