Investimento público e agricultura devolvem crescimento ao Timor-Leste
Agricultura a caminho da recuperação
Um desempenho mais fraco no sector agrícola, devido ao mau tempo, que afectou a produção de arroz e café, levou a um abrandamento do crescimento para 8,5% em 2010, depois de dois anos consecutivos de expansão da actividade económica superior a 12%.
“Os gastos do sector público têm sido o motor do crescimento nos anos recentes. A elevação das despesas governamentais impulsionou o crescimento no sector de construção que, por sua vez, criou oportunidades para fornecedores de materiais e de mão-de-obra local”, refere o Banco Mundial.
Este ano, “com os gastos públicos a manterem-se fortes e a agricultura a caminho da recuperação, espera-se que o crescimento regresse a dois dígitos”, adianta a instituição financeira de apoio ao desenvolvimento, no mais recente relatório sobre o comportamento das economias asiáticas.
Em 2010, as receitas petrolíferas aumentaram 25% e este ano continuaram a aumentar.
Mas, a partir de 2012, a produção dos campos petrolíferos com planos de desenvolvimento aprovados começará a recuar, cessando por inteiro até 2024, de acordo com o Banco Mundial.
O Fundo de Infra-estruturas, criado em 2010, está a financiar projectos a vários anos, num conjunto de sectores que vão da electricidade aos transportes e educação.
Para apoiar a diversificação da economia, adianta o Banco Mundial, foi criada a Timor-Leste Investment Corporation, que vai investir em projectos estratégicos, como redes de cabos submarinos.
“Consciente da importância de assegurar a qualidade” da despesa, o governo criou também um secretariado para avaliar os grandes projectos de investimento, parte de um conjunto de instituições com papel reforçado para enfrentar o “grande volume de trabalho nos próximos meses”, refere o relatório.
Apesar da grande dimensão do fundo petrolífero, em comparação com a economia timorense, pela primeira vez no orçamento do próximo ano o governo vai recorrer ao endividamento, como forma de “diversificar as fontes de financiamento”.
Este financiamento, equivalente a cerca de 3% do orçamento de 2011, será obtido em termos bonificados e direccionado para projectos de infra-estruturas.
Pelo terceiro ano consecutivo, os saques do Fundo, avaliado em 8,3 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2011, vão exceder o rendimento estimado sustentável e a situação deverá manter-se ao longo dos próximos cinco anos.