Investir no agro brasileiro é bom negócio?
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ESPECIAL

Investir no agro brasileiro é bom negócio?

Setor é o mais promissor da economia. Especialista avalia posicionamento e riscos
Por: -Eliza Maliszewski
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Vamos a alguns números. O Brasil colheu uma safra de grãos recorde de 251 milhões de toneladas e com isso se tornou o maior produtor mundial de soja. A oleaginosa do país tem 48% na participação mundial do grão. O rebanho bovino do Brasil é enorme. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o efetivo está em 214,9 milhões de cabeças, o que equivale a cerca de um quinto das 996,4 milhões de existentes no mundo. Prestes a evoluir de status sanitário para livre de febre aftosa sem vacinação tem capacidade de ampliar ainda mais a participação no mercado mundial de carne bovina, aves e suínos.

É o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com mais de 630 milhões de toneladas nesta safra. O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja, detendo 53% da produção mundial. O Brasil responde por um terço da produção mundial de café, o que o coloca como maior produtor mundial há 150 anos. O país tem uma das cotoniculturas mais sustentáveis do mundo e está entre os cinco maiores produtores de algodão do mundo. Também é referência em frutas, especiarias, madeira. 

Vamos a economia. Mesmo sujeito a variáveis externas, como câmbio, clima e oferta/demanda global, que afetam os preços dos insumos e da produção (como em 2012 e 2017), o PIB do Agronegócio cresce acima do PIB do Brasil. Neste ano o setor deve ser o único a registrar economia positiva com a pandemia. E falando em Covid-19, mesmo com as restrições o setor não parou. De janeiro a maio foram exportados mais de US$ 42 bilhões, um recorde. O país foi o único país do G20 a expandir o volume de exportações no primeiro quadrimestre de 2020, com crescimento de 17,5%.

Aliado a tudo isso o Brasil enfrenta o desafio de expandir área sem desmatar, incentivar agricultura e pecuária sustentáveis, promover os bioinsumos, ter mais eficiência produtiva em menos área, fomentar conectividade no campo e tecnologia para todos os tamanhos de produtores. Para entender o cenário de investimento no agronegócio e se é seguro e rentável o Portal Agrolink conversou com Arthur Machado, Sócio Fundador da Ondina Investimentos. Confira a entrevista:

Portal Agrolink: líderes e empresários do setor apostam que o Brasil vai chegar a ser o número 1 em produção agropecuária no mundo. Investir no setor hoje é um bom negócio?
Arthur Machado:
temos convicção que investir no agronegócio brasileiro é um ótimo negócio. O Brasil é líder mundial em culturas como soja, açúcar, carne bovina congelada, e ocupa o top 5 em outras, como milho e algodão. O país possui vasta extensão territorial agricultável, condições climáticas propícias e é referência mundial em pesquisa e desenvolvimento para agricultura, o que o torna único na produção de alimentos, alimentando quase 2 bilhões de pessoas no mundo.

Não à toa, tanto os investidores do setor como os fundos de Private Equity estão bastante ativos, tendo inclusive concretizado negócios durante o período da COVID-19. Podemos citar como exemplos a aquisição da produtora de queijos Búfalo Dourado pelo fundo de Private Equity Aqua Capital, da produtora de rações e suplementos Cerrado Nutrição Animal pela holandesa De Heus e da distribuidora de insumos agrícolas Tec Agro pela canadense Nutrien.

Portal Agrolink: que formas de investimento seriam essas e como calcular os riscos?
Arthur Machado:
quando se tratam de aquisições e parcerias societárias, existem diferentes possíveis formatos, sendo os mais comuns  a aquisição de controle do negócio, entre os players do setor e o aporte de capital para crescimento, entre os fundos de Investimento (Private Equity).

A forma mais recomendada e utilizada de avaliação econômica é a metodologia de Fluxo de Caixa de Descontado. Essa metodologia captura o valor do negócio pela perspectiva de geração de caixa futuro. É a metodologia mais utilizada e adequada, por se tratar de uma avaliação intrínseca. Como alternativa, é utilizada a metodologia de Avaliação por múltiplos de comparáveis. Essa metodologia avalia o Negócio através de comparação com Empresas do mesmo setor. As duas avaliações são complementares, e são imprescindíveis de serem feitas no momento que o empresário toma a decisão de iniciar um processo de admissão de um socio.

Portal Agrolink:há alguns anos o Brasil tinha uma dívida externa alta e o índice que dizia se um país é confiável para investir não era muito favorável. Hoje mudamos isso? E a crise como pode refletir os investimentos no agronegócio? 
Arthur Machado:
o Brasil evoluiu de devedor do FMI para credor com quase US$ 400 bilhões de reserva cambial em menos de 20 anos. Crises econômicas, como essa que estamos passando, servem como sinal de alerta para qualquer setor, já que uma retração econômica mundial afeta o consumo. Mas, por se tratar de um produto essencial, o agronegócio apresenta muito mais resiliência a cenários de crise. Exemplo disso é que o agronegócio foi o único setor da economia que teve resultado positivo no PIB do primeiro trimestre deste ano. Enquanto que Banco Central (Focus) prevê uma queda de 6% para o PIB de 2020, o Ipea prevê um crescimento de 2,4% no PIB do Agronegócio.

Outro exemplo dessa resiliência, é que enquanto o índice Bovespa apresentou queda acumulada de 18% entre março e maio deste ano por conta do COVID-19, chegando a 40% de queda, as principais ações setor ficaram estáveis, chegando a apresentar valorização no período.

Portal Agrolink: dá pra se dizer que hoje o Brasil é um dos mais potenciais para se investir no agro?
Arthur Machado: temos alguns motivos para acreditar nisso: o Brasil é o maior exportador mundial de diversas culturas, pois graças a nossa excelente localização geográfica, terras férteis em abundância e clima propício para manter grande volume de produção e alta produtividade, conseguimos aumentar a produtividade no campo consistentemente nas últimas décadas. Segundo dados da Embrapa, de 1975 a 2017, a produção de grãos cresceu mais de 6 vezes, enquanto a área plantada apenas dobrou.

Portal Agrolink: tecnologias, crédito rural, conectividade, gestão remota, cooperativismo... como isso pode entrar no bolo dos investimentos?
Arthur Machado: o setor depende de financiamento, e temos fortes subsídios para o crédito agrícola. Entre 2016 e 2019, o Banco do Brasil desembolsou em média R$ 27 bilhões por ano em crédito rural. Além disso, já temos investidores atentos às empresas do agronegócio que conseguem agregar novas tecnologias. Foi o caso da gestora de investimentos em tecnologia (Venture Capital) KPTL, que recentemente investiu na Agrotools e na Gestão Agropecuária, ambas Agtechs, que são empresas do setor com base tecnológica. 

Também temos como alternativa os fundos de Private Equity, cada vez mais enxergando a cadeia do Agronegócio como excelente oportunidade de investimento. Alguns exemplos de transações no setor nos últimos anos:
- Aporte pelo Arlon Group na Betânia e Sotran Logística;
- Compra pelo Aqua Capital da Lac Lelo e da Grão de Ouro;
- Aporte do Axxon Group na Casa do Adubo e Vetbrands.
 

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