Japão mantém veto à carne dos Estados Unidos
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Agronegócio

Japão mantém veto à carne dos Estados Unidos

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Primeiro caso da "vaca louca" reduzirá o comércio de US$ 1,8 bilhão com o país asiático. O Japão endureceu as negociações com o governo norte-americano em relação ao fim do embargo às importações de carne bovina, após o primeiro caso da doença da "vaca louca" nos Estados Unidos. Os japoneses exigem que sejam adotadas medidas mais rigorosas que garantam que a carne está livre da Encefalopatia Espongiforne Bovina (EEB).

Entre as medidas que o Japão quer que sejam tomadas pelos EUA está uma inspeção mais cuidadosa de cada rebanho.

Funcionários americanos reuniram-se em Tóquio com colegas japoneses para pressionar o Japão a abrandar a proibição imposta a de importações de carne bovina no valor de US$ 1,8 bilhão anuais. Em janeiro, o Japão enviará inspetores aos EUA a fim de avaliarem se as medidas que estão sendo adotadas são suficientes, disse um funcionário do Ministério da Agricultura do Japão.

O Japão, o maior importador de carne bovina dos EUA, tem um dos programas mais rigorosos de testes contra a doença da "vaca louca" em todo o mundo, depois que o primeiro de nove animais infectados foi descoberto em seus próprios rebanhos, há dois anos. O país também proibiu as importações de carne bovina do Canadá durante mais de sete meses, desde o único caso da doença registrado na província de Alberta. O Japão agora realiza inspeções em todo o seu gado, segundo o ministério.

"É muito cedo para o governo japonês aceitar a proposta de revogar a proibição", disse Ken Yamaguchi, funcionário da divisão de carne bovina da Mitsubishi em Tóquio. "O governo do Japão precisa de investigações mais profundas, o que exigirá mais tempo. Esta é uma questão muito difícil e sensível para o Japão".

Importações suspensas

Mais de outros 20 países suspenderam as importações da carne na semana passada, quando os Estados Unidos informaram que os testes feitos em uma vaca leiteira da raça Holstein, abatida no dia 9 de dezembro, confirmaram que o animal tinha a doença relacionada à variante humana fatal. Em 2002, o Japão adquiriu quase um terço das exportações de carne bovina produzida nos EUA.

David Hegwood, assessor especial da secretária da Agricultura, Ann Veneman, chefiou a equipe de funcionários americanos que tentaram exercer pressões a fim de conseguir um abrandamento da proibição.

"Vai ser muito difícil obter alguma coisa", disse Dean Cliver, professor de segurança dos alimentos na Universidade da Califórnia em Davis, que fez parte de uma comissão que assessorou o governo americano na questão da doença da "vaca louca".

O presidente dos EUA, George W. Bush, endossará novas garantias para os consumidores de carne, incluindo, possivelmente, vetar mais partes de vaca para a produção de carne moída, após a descoberta de doença da vaca louca em Holstein. A pele da coluna vertebral e o cérebro, que se acredita serem a principal via para a transmissão da doença, estão proibidos.

Frango e suíno

O primeiro caso da doença da "vaca louca" nos Estados Unidos estimulará o consumo de carne de frango e suíno. Os exportadores brasileiros de frango prevêem aumentar os embarques em 2004. As ações da Bunge, que controla a Seara subiram 25%; as da Perdigão, 23%; e as da Sadia, 11% em dezembro, todas companhias exportadoras de aves e de suínos.

Na avaliação do diretor executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, em um primeiro momento como este o consumidor tende a rejeitar a carne bovina. "A primeira opção passa a ser o frango", afirma. Com as notícias do caso nos EUA, a perspectiva dos exportadores brasileiros de frango é de que as exportações aumentem em 2004.

Para Martins, o ideal é que o País mantenha firme sua posição na questão sanitária, para evitar problemas como os que ocorrem com demais países. "Levamos o assunto para o presidente Lula", disse ele, ao ressaltar ser de suma importância que o orçamento do Ministério da Agricultura nestes quesitos de sanidade não sejam diminuídos.

Segundo José Olavo Borges Mendes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), "há mais pontos positivos que negativos na notícia" Pelo lado negativo, está a possível queda no consumo da carne bovina, que pode ocorrer em várias partes do mundo, mas o Brasil pode atrair para si a atenção de importantes compradores, como o Japão e os próprios Estados Unidos", afirma ele.

Veto brasileiro

O Ministério da Agricultura suspendeu por tempo indeterminado a importação de ruminantes, seus produtos e subprodutos procedentes dos EUA em razão do diagnóstico da "vaca louca", naquele país. Segundo fontes do governo federal, as eventuais licenças de importação já concedidas estão canceladas. As partidas desses produtos que chegarem aos portos e aeroportos brasileiros serão devolvidas à origem ou queimadas.


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