Jornal americano diz que cana "come o Cerrado"

Agronegócio

Jornal americano diz que cana "come o Cerrado"

Depois da pecuária e do plantio de soja, o cultivo de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol “come a paisagem” do Cerrado
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Uma matéria publicada nessa terça-feira (31-07) pelo jornal norte-americano Washington Post diz que, depois da pecuária e do plantio de soja, o cultivo de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol “come a paisagem” do Cerrado. O alerta já vinha sendo dado por ambientalistas brasileiros, conforme reportagem do Popular - Cana avança na pastagem e Cerrado, do dia 11 de março.

A reportagem do jornal Washington Post, intitulada Perdendo a floresta para abastecer carros, afirma que nos últimos 40 anos o Cerrado perdeu metade de sua área em conseqüência dessas atividades. Diz ainda que a vegetação que caracteriza o Centro-Oeste do País poderia desaparecer até 2030 se esse ritmo for mantido.

“O governo brasileiro e grandes companhias de agronegócio dizem que a expansão da soja e da cana-de-açúcar não necessariamente significa devastação do Cerrado”, diz o Post.

Na reportagem do Popular, o diretor-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Alfredo José Barreto, afirma que é preciso garantir o cumprimento da legislação ambiental. “Muitos dos importadores de etanol são sensíveis às questões ambientais, e rejeitam impactos negativos.”

Segundo o jornalista Washington Novaes, o avanço do cultivo da cana-de-açúcar é realmente muito grande no Centro-Oeste, o que já tem provocado conflito em algumas áreas de Goiás, como Rio Verde e Jataí. Na primeira, o prefeito Paulo Roberto Cunha baixou um decreto (que está sendo contestado na Justiça) limitando em 10% a área de cultivo da cana. O prefeito alega que a cultura voltada para o etanol estava “desalojando” a soja, produto importante para a economia da região.

Outro conflito é a construção de usinas no Nordeste e Norte de Goiás, consideradas áreas novas e onde está localizada a parte remanescente do Cerrado. Goiás tem atualmente 15 usinas de açúcar e álcool em funcionamento. Outras 70 novas unidades de produção no setor no território goiano serão instaladas até 2015.

O jornalista explica que o controle do avanço do cultivo da cana-de-açúcar está na iminência de um zoneamento ecológico/econômico que demonstrará até onde se poderá expandir. O zoneamento já foi anunciado pelo governo federal, mas ainda não foi iniciado. “O ideal seria que Goiás também fizesse esse zoneamento”, disse.

O zoneamento utilizará imagens de satélite para identificar as áreas protegidas e as desfavoráveis para o plantio da cana. Com ele, o governo também pretende controlar a expansão em áreas tradicionalmente usadas para produzir alimentos.

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