A necessidade de controlar as contas públicas e ampliar a produtividade está entre os principais desafios econômicos do presidente eleito, segundo análise do economista Argemiro Luís Brum, professor doutor vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Unijuí. Em artigo datado de 29 de outubro de 2026, Brum avalia que a manutenção dos desequilíbrios fiscais pode prolongar o ciclo de juros elevados e comprometer o crescimento econômico brasileiro.
Na avaliação do economista, o país precisa rever a estratégia de desenvolvimento baseada predominantemente no estímulo ao consumo. Embora reconheça a importância das políticas voltadas à redução da desigualdade social, Brum considera que essas medidas, isoladamente, não são suficientes para garantir uma expansão sustentável da economia.
O professor argumenta que a dificuldade histórica de elevar a produtividade limita a capacidade de crescimento do Brasil. Segundo sua análise, quando o consumo é estimulado sem um avanço correspondente da produção, surgem pressões inflacionárias que exigem a manutenção ou a elevação das taxas de juros.
Brum associa esse processo a um ciclo que dificulta a atividade econômica. Para ele, a combinação entre inflação, juros elevados e baixa produtividade restringe as condições para o desenvolvimento e pode agravar problemas estruturais já enfrentados pelo país.
O equilíbrio das contas públicas aparece como uma das condições necessárias para modificar esse cenário. Conforme o economista, avanços de produtividade não serão suficientes para sustentar o crescimento caso o país não consiga enfrentar seus problemas fiscais.
Na análise, a persistência dos desequilíbrios nas contas do governo dificulta uma redução consistente das taxas de juros. O custo elevado do crédito, por sua vez, aumenta os riscos de endividamento e inadimplência entre famílias, empresas e o próprio setor público.
Brum ressalta que a questão não está necessariamente na disponibilidade de crédito, mas na capacidade dos agentes econômicos de manter os gastos dentro de suas possibilidades financeiras. O economista alerta que o comprometimento excessivo da renda e dos recursos disponíveis amplia a exposição ao risco.
A discussão também envolve a estrutura tributária brasileira. O professor considera que a reforma tributária representa um avanço, mas avalia que o país ainda mantém uma carga elevada sobre o consumo de bens.
Como alternativa, Brum defende uma mudança gradual no perfil da tributação, com menor incidência sobre bens e maior participação dos impostos sobre a renda. Na avaliação apresentada, essa reorganização poderia contribuir para melhorar a eficiência econômica e ampliar o bem-estar da população.
Outro ponto destacado pelo economista é a necessidade de ampliar os investimentos em educação. Segundo Brum, a qualificação da população pode contribuir para o aumento da produtividade, melhorar o funcionamento do mercado de trabalho e reduzir a informalidade.
O professor relaciona a informalidade à vulnerabilidade de renda de parte da população, situação que também amplia a necessidade de políticas sociais. Em sua análise, o fortalecimento da educação e da produtividade pode ajudar a enfrentar essas limitações estruturais.
A qualidade das políticas públicas também é questionada no artigo. Brum avalia que o Brasil enfrenta dificuldades para revisar programas pouco eficientes, em parte pela influência de grupos de interesse e pela falta de transparência sobre os custos de determinadas medidas para a sociedade.
Segundo o economista, a permanência dessas políticas cria obstáculos ao crescimento e restringe a capacidade do país de ampliar a inclusão social. Para ele, a redução das desigualdades depende não apenas da distribuição de recursos, mas também da criação de condições para uma expansão econômica duradoura.
Embora o artigo não apresente projeções específicas para o agronegócio, os temas abordados pelo professor incluem variáveis econômicas importantes para empresas e produtores rurais, como taxas de juros, endividamento, tributação e produtividade.
Na avaliação de Brum, a estabilidade macroeconômica e a sustentabilidade fiscal são condições fundamentais para que o país consiga manter o crescimento econômico e ampliar a inclusão social.
O economista encerra sua análise questionando se o governo eleito terá condições de implementar as mudanças necessárias para enfrentar esses desafios. Para ele, o avanço dependerá da capacidade de conciliar equilíbrio fiscal, ganhos de produtividade e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico e social.