La Niña exige revisão da época do plantio de grãos
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Agronegócio

La Niña exige revisão da época do plantio de grãos

Para alguns, será prudente antecipar a semeadura de milho e soja
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Com a possibilidade de o fenômeno La Niña provocar estiagens a partir da primavera, meteorologistas e agrônomos estão lançando uma série de orientações aos produtores que exigem revisão na época do plantio. Para alguns, será prudente antecipar a semeadura de milho e soja. Para outros, o mais indicado é escalonar o plantio e racionalizar o uso de fertilizantes. A ideia é garantir que não falte água nas épocas de desenvolvimento, florescimento e frutificação das plantas.

“O La Niña aumenta o risco de estiagem prolongada principalmente no verão. Quem antecipar o plantio deve ter mais chuvas nas fases de florecimento e enchimento dos grãos”, afirma Marco Antô­nio dos Santos, agrônomo e agrometeorologista do Instituto Somar, de São Paulo. “Neste ano, vai tirar bem quem plantar mais cedo.” Ele afirma que o conselho vale para toda a região Sul do país.

“Simplesmente antecipar pode não resolver, uma vez que a época exata das estiagens é desconhecida. O melhor é escalonar o plantio e não apostar só numa variedade de semente. Quem planta só precoce corre mais risco porque as plantas precisam de chuva num intervalo menor de tempo”, afirma o agrônomo Robson Mafioletti, da Or­­ganização das Cooperativas do Pa­­raná (Ocepar), com base nos boletins agrometeorológicos quem vêm sendo emitidos para o estado.

Santos afirma que o La Niña vai exigir que o produtor fique mais atento às previsões climáticas. Ele considera que o agricultor precisa descobrir, antes de setembro, qual será o período de mais chuva em sua região e, então, escolher a época de plantio de acordo com as informações meteorológicas. O plantio do milho deve começar no início de setembro e o da soja só vai esperar o fim do vazio sanitário da ferrugem asiática (que no Paraná proíbe o cultivo até 15/09), prevê.

O último ano de La Niña foi 2007/08, quando a produção foi boa em todo o país, mas os meteorologistas dizem que a próxima safra não deve seguir o mesmo padrão. Desta vez, as águas do Oceano Pacífico estão se resfriando mais cedo. Os registros também indicam que o fenômero será mais severo, apesar de ainda haver divergência sobre sua intensidade.

As chuvas que em ano de El Niño vêm da Amazônia devem permanecer nas regiões Norte e Nordeste do país. Mesmo por lá, devem chegar com atraso, a partir de outubro. O Paraná passa a depender de chuvas do Sul. O risco é de estiagens como a que ocorreu em dezembro de 2008, quando as principais regiões agrícolas do estado ficaram sem chuva de 12 de novembro a 31 de dezembro, lembra Mafioletti.

Entre os produtores que devem ficar mais atentos estão aqueles que costumam optar por soja precoce para antecipar a colheita e, em seguida, plantar milho safrinha, diz Mafioletti. “Essa estratégia fica mais arriscada nesta safra”, afirma o agrônomo da Ocepar.

O meteorologista Luiz Renato Lazinski afirma que o clima está beneficiando as lavouras de inverno, mas não será bom para as de verão. Ele vem mantendo previsões de estiagens há três meses, desde quando o La Niña começou a se manifestar. Segundo Lazinski, as estiagens devem se confirmar mais para o final do ano, a partir de novembro.

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