A lagarta-elasmo no arroz é uma praga que exige atenção principalmente entre a emergência das plantas e o início do perfilhamento. O inseto encontra condições favoráveis em períodos quentes e de estiagem, especialmente em solos leves e com baixa umidade superficial, podendo provocar morte de plântulas, falhas no estande e perdas de produtividade. A lagarta-elasmo, cujo nome científico é Elasmopalpus lignosellus, é a forma larval de uma pequena mariposa da família Pyralidae. As lagartas vivem no solo e atacam a base das plantas jovens, abrindo galerias no colo, o que pode provocar murcha e morte das plântulas.
O risco é maior em áreas de clima subtropical, com verões quentes e períodos de estiagem, condições comuns em muitas regiões produtoras do Sul do Brasil entre setembro e abril.
Na fase inicial do arroz, o sistema radicular ainda está pouco desenvolvido. Por isso, danos ao colo das plantas podem resultar na perda completa das plântulas. Em ataques intensos, o problema pode formar clareiras na lavoura, exigindo replantio e provocando desuniformidade.
A ocorrência da praga é favorecida por temperaturas elevadas na superfície do solo, especialmente acima de 25 °C, além de déficit de umidade. O cenário pode ser agravado em áreas de arroz de sequeiro ou em lavouras irrigadas nas quais a lâmina d’água é instalada tardiamente.
Solos leves, arenosos ou franco-arenosos, que apresentam menor capacidade de retenção de água, também aumentam a vulnerabilidade. O histórico de ocorrência da lagarta-elasmo na mesma área é outro fator que deve ser considerado no planejamento do manejo.
A presença de grande quantidade de palha mal distribuída na superfície pode ainda oferecer abrigo às lagartas e dificultar a ação de inimigos naturais.
Os adultos são mariposas de pequeno porte, com atividade predominantemente noturna e pouco deslocamento. As fêmeas depositam os ovos sobre o solo ou próximo à base das plantas.
Após a eclosão, as lagartas permanecem enterradas superficialmente e se aproximam da região do colo das plantas jovens. O corpo é esguio e pode apresentar coloração esbranquiçada, acinzentada ou acastanhada.
As lagartas possuem comportamento críptico e vivem em pequenas galerias no solo ou na base da planta, muitas vezes associadas a teias finas e restos de solo.
No campo, um dos primeiros sinais são plântulas murchas ou tombadas, principalmente entre os estágios de uma a três folhas. Também pode ocorrer secamento do cartucho, quando a lagarta perfura o colo ou a base do colmo.
Ao retirar uma planta suspeita, o produtor pode observar uma galeria no colo, com tecido destruído e, em alguns casos, presença de fezes e solo aderido.
As falhas podem aparecer em linhas ou reboleiras, indicando que o ataque está concentrado em determinadas áreas. No entanto, esses sintomas precisam ser diferenciados de outros problemas, como falhas de germinação, fungos de solo e déficit hídrico.
A confirmação da lagarta-elasmo exige uma inspeção cuidadosa da base das plantas e do solo ao redor.
O principal impacto da praga é a redução do estande efetivo. Quando o ataque ocorre logo após a emergência, o arroz ainda apresenta capacidade limitada de compensar a perda de plantas.
Cada planta morta representa um menor número de colmos produtivos potenciais. As falhas também podem deixar a lavoura desuniforme, exigindo replantio ou permanecendo como espaços que não serão ocupados a tempo por novos perfilhos.
Outro efeito é o aumento da competição com plantas daninhas nas áreas falhadas, o que pode elevar os custos com herbicidas e capinas.
A redução da produtividade depende da intensidade e da distribuição das falhas e pode ser significativa em situações de reataque ou controle tardio.
Em sistemas irrigados, principalmente em solos mais leves, os custos de replantio e eventuais atrasos no calendário de irrigação podem gerar impactos econômicos relevantes, mesmo quando parte da perda de estande é compensada pelo perfilhamento.
O manejo da lagarta-elasmo no arroz deve ser predominantemente preventivo. O histórico da área é um dos primeiros pontos que precisam ser avaliados.
Áreas que já registraram ataques, especialmente aquelas com solos arenosos e condições de estiagem durante a semeadura, apresentam maior risco. Nesses casos, práticas preventivas mais intensas podem ser necessárias.
A época de semeadura também deve ser planejada de acordo com as condições climáticas esperadas. Semeaduras realizadas em períodos com maior probabilidade de temperaturas elevadas e pouca chuva durante a emergência aumentam a exposição das plantas.
Sempre que possível, ajustar a semeadura para períodos com melhor disponibilidade hídrica pode reduzir o estresse das plântulas.
O monitoramento deve começar na emergência e continuar até o início do perfilhamento. Caminhamentos em zigue-zague permitem avaliar plantas ao acaso e identificar a distribuição dos danos.
O produtor deve observar o percentual de plantas atacadas, a concentração das falhas em manchas ou linhas e a intensidade dos sintomas, como murcha, cartucho seco e morte de plântulas.
Quando houver aumento rápido de plantas mortas e confirmação da presença da lagarta na base, a necessidade de controle deve ser avaliada com apoio técnico, considerando o estádio da cultura e a capacidade de compensação pelo perfilhamento.
O manejo integrado combina práticas culturais, manejo da água, controle químico criterioso e integração com o sistema de rotação de culturas.
No preparo do solo, o enterrio de palhada excessiva, quando necessário, pode reduzir o abrigo disponível para lagartas e adultos. Também é importante evitar que o solo permaneça excessivamente solto e seco por longos períodos antes da semeadura.
Quando houver previsão de clima quente e seco, encurtar o intervalo entre o preparo e o plantio pode reduzir a exposição da lavoura. Nos sistemas de plantio direto, a quantidade e a distribuição da palha devem ser manejadas para evitar acúmulos em faixas que favoreçam focos da praga.
A densidade e a profundidade de semeadura também devem ser ajustadas para favorecer uma emergência rápida e uniforme. Quanto mais tempo a plântula permanecer em estádios muito jovens e frágeis, maior será a janela de exposição ao ataque.
Em arroz irrigado, o manejo da água é uma ferramenta importante. A instalação da lâmina d’água o mais cedo possível, dentro das recomendações da cultivar e do sistema de manejo, pode reduzir a exposição das plantas ao solo seco e dificultar a sobrevivência das lagartas no colo.
Também é importante evitar longos períodos de secagem superficial do solo entre irrigações, principalmente logo após a emergência.
Em áreas com histórico de ataque, o planejamento da irrigação inicial pode ser utilizado para reduzir o período em que o solo permanece exposto e seco.
No arroz de sequeiro, o controle da umidade depende mais diretamente das chuvas. Por isso, o ajuste da época de semeadura e o preparo do solo para favorecer a retenção de água ganham importância.
O controle químico deve fazer parte do manejo integrado e não ser utilizado como única estratégia. Produtos registrados para arroz e para a praga-alvo devem ser utilizados conforme rótulo e bula.
O receituário agronômico emitido por engenheiro ou engenheira agrônoma deve orientar dose, volume de calda, época e modo de aplicação.
Em situações de alto risco ou ataque confirmado que possa comprometer o estande, principalmente em áreas históricas e solos leves, o controle químico pode ser considerado.
Entre as estratégias estão o tratamento de sementes com inseticidas registrados, quando recomendado, para proteger as plântulas nos primeiros dias após a emergência.
Aplicações em solo ou na linha de plantio também podem ser consideradas em sistemas específicos, sempre com orientação técnica e com o objetivo de proteger o colo das plantas em áreas de alto risco.
Já as aplicações foliares tendem a apresentar menor eficiência sobre a lagarta-elasmo devido ao hábito subterrâneo da praga e, por isso, são menos indicadas como estratégia isolada.
O impacto sobre inimigos naturais e o risco de seleção de resistência também devem ser considerados. A alternância de modos de ação e o uso do controle químico somente quando houver justificativa econômica ajudam a preservar a eficácia das moléculas disponíveis.
A rotação de culturas pode integrar o manejo da praga. Áreas com pouca diversificação de culturas e sistemas em que o solo permanece exposto por períodos prolongados podem apresentar histórico mais intenso de ocorrência.
Quando o sistema produtivo permitir, a adoção de culturas que não sejam hospedeiras da lagarta em períodos críticos pode ajudar a reduzir a população residente no solo.
O calendário de dessecação das coberturas e o manejo dos restos culturais também devem ser planejados para minimizar períodos de solo seco e grande quantidade de palha solta.
O manejo das áreas vizinhas é outro ponto de atenção, já que focos em culturas do entorno podem contribuir para novas infestações.
Mesmo com medidas preventivas, o monitoramento sistemático nas primeiras semanas após a emergência continua sendo necessário. Caminhamentos regulares ajudam a acompanhar a evolução dos sintomas e das falhas de estande.
Plantas suspeitas podem ser coletadas para exame da base do colmo e do solo ao redor, permitindo confirmar a presença da praga.
O registro de informações sobre clima, solo, manejo e ocorrência da lagarta também contribui para construir um histórico da área e melhorar o planejamento das próximas safras.
A combinação dessas estratégias permite ajustar as decisões de manejo durante o desenvolvimento inicial da cultura, reduzindo o risco de intervenções tardias e de perdas de estande.
Qualquer uso de inseticidas deve seguir rigorosamente as orientações de rótulo e bula, incluindo registros, culturas, pragas, doses e intervalos de segurança.
Também é necessário respeitar a legislação vigente sobre receituário agronômico e responsabilidade técnica, além de utilizar equipamentos de proteção individual durante a manipulação e aplicação dos produtos.
O manejo deve ainda considerar a segurança ambiental, evitando a contaminação de corpos d’água e áreas sensíveis.
O acompanhamento por engenheiro ou engenheira agrônoma é essencial para adaptar as estratégias à realidade de cada lavoura, considerando tipo de solo, sistema de cultivo, histórico da praga e condições climáticas de cada safra. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.
Referências
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