Leilões e câmbio esfriam preço do milho

Agronegócio

Leilões e câmbio esfriam preço do milho

Depois de o preço do milho subir cerca de 45% em pouco menos de dois meses, o mercado doméstico começa a esfriar
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Depois de o preço do milho subir cerca de 45% em pouco menos de dois meses, o mercado doméstico começa a esfriar. A acomodação na demanda européia pelo grão, os leilões de milho dos estoques do governo e a valorização do real ante o dólar explicam o recuo recente nas cotações. Conforme o indicador Esalq/BM&F para o milho, a saca em Campinas (SP) foi cotada ontem a R$ 26,91, queda de 4,43% ante o pico de R$ 28,16 registrado no dia 24 de setembro passado.

Para Paulo Molinari, analista da Safras&Mercado, o próprio fato de o milho ter subido "50 dias seguidos" é uma razão para o recuo. Ele observa que este é um momento de acomodação porque o milho brasileiro importado por países europeus começa a chegar a seus destinos. O resultado é que a tonelada do milho no mercado da Europa caiu de 260 euros para 230 euros."O estresse maior da Europa diminuiu", afirma Molinari.

A demanda européia fez o milho bater R$ 27,50 por saca no porto de Paranaguá, o equivalente a US$ 250 por tonelada. Esse valor embutia um prêmio de US$ 100 por tonelada sobre Chicago pela forte demanda européia e porque o milho brasileiro é não-transgênico. Agora, diz Molinari, o mercado é nominal em Paranaguá, com compradores a R$ 25 e R$ 25,50 por saca e vendedores a R$ 26,50. Isso significa interesse de compra a US$ 230 e de venda a US$ 250.

Segundo Molinari, além de as tradings segurarem o ritmo de compra de milho para exportação, a "ameaça" de indústrias de importar grão transgênico também ajudou a pressionar o mercado.

Sílvio Farnese , coordenador-geral da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, concorda que os leilões do governo para compradores de todo o país ajudaram a pressionar as cotações domésticas. Hoje, o governo faz o quarto leilão de seus estoques, com oferta de 120 mil toneladas de milho de Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul. Como havia reclamações por parte de compradores em relação à qualidade e à localização dos lotes, o governo incluiu outras origens no leilão de hoje. O governo pretende ofertar até 1,4 milhão de toneladas de milho até o fim do ano.

A atual esfriada dos preços não significa que o mercado está tranqüilo, diz Molinari. A razão é que a falta de chuvas já atrasa o plantio de milho no país. Além disso, outubro deve ser outro mês de grandes embarques de milho. De janeiro a setembro, foram 6,9 milhões de toneladas, segundo a SPA.


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