Líder mundial nas exportações, Brasil celebra Dia Mundial do Algodão com convite para valorizar a fibra natural
Campanha convida a sociedade a refletir sobre a importância do algodão no cotidiano
Foto: Divulgação
Maior exportador mundial de algodão e com uma produção que supera 4 milhões de toneladas de pluma, o Brasil chega ao Dia Mundial do Algodão, celebrado em 7 de outubro, em posição de protagonismo no mercado internacional. Dentro de casa, porém, a data traz uma provocação diferente: e se o algodão desaparecesse?
É a partir dessa pergunta que o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), apresenta neste ano o conceito “Naturalmente Presente”. A proposta é convidar a sociedade a perceber uma matéria-prima que está nas roupas, nos itens de higiene, na saúde, na indústria e em diferentes momentos da vida, mas que, de tão incorporada à rotina, muitas vezes passa despercebida.
A mobilização acontece em um momento histórico para a cotonicultura brasileira. No ano comercial 2025/26, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Brasil exportou 3,37 milhões de toneladas de algodão, maior volume já registrado pelo país e 19% superior ao ciclo anterior. O resultado manteve o Brasil na posição de maior exportador mundial da fibra.
Para a safra 2026/27, as perspectivas também demonstram a dimensão alcançada pela atividade. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma área de 2,09 milhões de hectares e uma produção próxima de 4,15 milhões de toneladas de algodão em pluma.
Mais do que números, o avanço da produção brasileira amplia a responsabilidade do setor de conectar o campo à sociedade e mostrar o papel dessa fibra na economia, na indústria, na geração de oportunidades e nas escolhas feitas diariamente pelos consumidores.
“Hoje, o Brasil ocupa uma posição de destaque no mercado mundial de algodão. Mas essa liderança também nos convida a olhar para dentro do país e ampliar o conhecimento da sociedade sobre essa fibra. O algodão começa no campo, passa pela indústria e chega à vida das pessoas de inúmeras formas. O Dia Mundial do Algodão é uma oportunidade de mostrar essa conexão”, afirma Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa.
E se o algodão desaparecesse?
Ao longo da campanha “Naturalmente Presente”, a Abrapa, por meio do Sou de Algodão, propõe justamente inverter o olhar. Em vez de apenas mostrar onde o algodão está, a iniciativa pergunta o que faria falta caso ele deixasse de existir.
A provocação busca aproximar a sociedade da origem das matérias-primas presentes no cotidiano e estimular escolhas mais conscientes. Vestuário, produtos de higiene, itens hospitalares, enxovais e diferentes aplicações industriais ajudam a dimensionar uma cadeia que conecta produtores rurais, trabalhadores, indústria, varejo, moda e consumidores.
Como parte da mobilização, personalidades e representantes de diferentes setores da sociedade foram convidados a responder a duas perguntas: “Onde o algodão está naturalmente presente na sua vida?” e “Se o algodão desaparecesse, o que faria falta para o Brasil?”. Os depoimentos integram as ações para marcar a data.
A gerente de Desenvolvimento de Negócios da Abrapa, Renata Caixeta, explica que a campanha busca justamente provocar essa reflexão.
“A ideia é imaginar, pausar por alguns segundos e perceber o algodão ao nosso redor. Quando perguntamos o que aconteceria se essa fibra desaparecesse, mostramos de maneira muito concreta o quanto ela está presente na nossa vida e quantas relações existem por trás dela. O algodão está na roupa que vestimos, mas também na renda e nas oportunidades que essa cadeia gera no campo e na cidade”, destaca Caixeta.
Fibras naturais no centro da discussão
A celebração ocorre também em um momento em que ganha espaço o debate sobre a composição dos produtos têxteis e os impactos associados às diferentes matérias-primas.
No fim de setembro, durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), a Abrapa e entidades parceiras lançaram o movimento “Microplástico é o Fim da Linha”, iniciativa que busca ampliar, com base em ciência, informação e diálogo, a discussão sobre microplásticos, fibras têxteis e escolhas de consumo.
Nesse contexto, a valorização das fibras naturais passa também pelo acesso à informação. Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, ampliar o conhecimento sobre a origem, a composição e as características dos materiais é fundamental para permitir escolhas mais conscientes e contribuir para uma discussão mais transparente sobre o futuro da cadeia têxtil.
O consumidor precisa ter informação para entender o que está por trás dos produtos que escolhe. Quando ampliamos esse conhecimento, criamos condições para uma decisão mais consciente e também para um debate mais qualificado sobre o papel das fibras naturais. O algodão tem atributos importantes e precisamos fazer com que eles sejam conhecidos pela sociedade”, afirma Portocarrero.
No Dia Mundial do Algodão, a proposta é começar essa reflexão por algo simples: olhar ao redor e perceber onde essa fibra já está. Naturalmente presente. No campo, na indústria e na vida.
Sobre o Sou de Algodão
Criado pela Abrapa, em 2016, o Sou de Algodão nasceu para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa conecta e valoriza os diferentes elos da cadeia produtiva e têxtil e dialoga com o consumidor final por meio de ações, conteúdos e parcerias com marcas e empresas.
O movimento também contribui para ampliar o conhecimento sobre o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), programa de certificação socioambiental da Abrapa que estabelece critérios ambientais, sociais e econômicos para a produção de algodão no país.