Maior demanda de café no Japão pode beneficiar o Brasil

Agronegócio

Maior demanda de café no Japão pode beneficiar o Brasil

Em 2006, o Japão importou o equivalente a 7,6 milhões de sacas de café
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O mercado japonês de café, um dos mais cobiçados pelos exportadores brasileiros devido aos bons prêmios pela qualidade que costuma oferecer, começou a enfrentar um de seus maiores desafios nas últimas décadas: continuar crescendo, mesmo que abaixo do ritmo ""galopante"" dos anos 70 e 80, tendo pela frente uma tendência de declínio populacional do país.

Com a redução da população - projeções apontam para 115 milhões de pessoas em 2030, ante 127 milhões em 2006 -, e seu envelhecimento, ganham força o estímulo ao aumento da demanda per capita doméstica e a busca por novos consumidores em vizinhos asiáticos, dois programas acompanhados com interesse por produtores e tradings do Brasil e de seus concorrentes no fornecimento da matéria-prima para a indústria japonesa.

Em 2006, o Japão importou, no total, o equivalente a 7,6 milhões de sacas de café, incluindo o grão verde e industrializado. Com isso, tornou-se o terceiro maior importador do produto do mundo, segundo a All Japan Coffee Association, que reúne toda a cadeia produtiva do segmento naquele país.

Trata-se do ponto alto de uma curva de crescimento que começou a ser traçada em 1970, quando o volume não passou de 1,5 milhão de sacas. Dez anos depois, foram 3,2 milhões de sacas, volume que chegou a 5,4 milhões no início da década de 90 e a 7 milhões em 2000.

Para representantes do segmento no Brasil, a evolução é um exemplo da sedimentação de alguns costumes ocidentais no tradicional mercado japonês, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. Até porque grande parte do crescimento do consumo de café no país se deu sobre a demanda de chá verde, que se tornou relativamente estável. Mas os mesmos especialistas concordam que a baixa base de comparação que permitiu o expressivo crescimento do consumo de café no Japão no passado atualmente já é significativa e, por isso, bem mais difícil de ser ampliada.

Daí o esforço dos japoneses em melhorar a apresentação do produto e em realizar promoções para tentar elevar o consumo per capita interno, e em ampliar as exportações do café industrializado fabricado no país - a partir do café verde importado de produtores brasileiros e colombianos, entre outros - para vizinhos asiáticos. Como principal fornecedor do mercado nipônico, o Brasil tem aprovado, e mesmo influenciado, essas estratégias.

Nessa seara, são antigos os laços que aproximam os dois países. Em 1908, ano em que o primeiro navio com imigrantes japoneses aportou em Santos, o Brasil iniciou os embarques de café para o Japão. Foram 600 sacas, semente que se transformou em 2,3 milhões de sacas no ano passado. De janeiro a abril de 2007, conforme o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), foram enviadas ao mercado japonês 663,3 mil sacas, 1,7% mais que em igual intervalo do ano passado, graças ao crescimento das vendas de café solúvel.

Kuzumi Hikita, presidente da Mitsui Alimentos, grande exportadora de café brasileiro para o Japão, sustenta que ""os japoneses inventaram uma nova forma de beber café após a entrada do solúvel"". Ele lembra que a indústria local criou o café em lata, pronto para beber, no início da década de 70. Gelado no verão e quente no inverno, puro ou com leite, com ou sem açúcar.

Há quatro anos no Brasil, Hikita observa que o crescimento do consumo no Japão ainda tem sido acima da média mundial, mas concorda que ""a tendência de redução pode estar chegando"". A Mitsui, que há dez anos exportava para o Japão cerca de 200 mil sacas por ano, dobrou esse volume nos últimos anos.

A companhia está entre as grandes multinacionais japonesas que vieram para o Brasil no rastro do café, a exemplo de Marubeni e Mitsubishi - por meio de sua subsidiária MC Coffee do Brasil. Todas também exportam para outros países, tanto que a Mitsui tem a perspectiva de embarcar, neste ano de 2007, um total de 900 mil sacas do produto brasileiro.

Mas, para os exportadores, o mercado japonês é especial, porque é lá que estão alguns dos melhores prêmios por qualidade pagos no mundo, que chegam a US$ 4 por saca. E isso acontece porque consumidores costumam ser bastante exigentes.

Para se ter uma idéia, em 2006, o valor médio por saca de toda a exportação brasileira de café - 24,4 milhões de sacas, ou US$ 2,9 bilhões - chegou a US$ 119,2. Destacado do todo, o Japão pagou, em média, US$ 131,8 por saca. Vale lembrar, também, que as exportações brasileiras da variedade conillon, menos valorizada, para o Japão, são pequenas.

""Só compramos ""fine cup"" e peneiras 17 a 19, cujos grãos são maiores e atraem o consumidor"", diz Naoya Miyakawa, presidente da MC Coffee. Para os Estados Unidos e alguns países europeus, é comum seguir o ""good cup"", peneiras 14, 15 e 16, que é inferior e mais barato. Outro detalhe revelado por Miyakawa é a compra de cafés especiais de uma única lavoura, para garantir qualidade e prêmio.

O diretor está entre os que vêem o futuro do mercado japonês com apreensão, embora acredita que o consumo per capita do país, hoje em 3,4 quilos por ano, possa crescer. Nesse ranking, encabeçado pela Finlândia (12 quilos per capita por ano), o Japão está em 23º lugar.

Já Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé, está entre os otimistas em relação ao Japão. Para ele, o café já é um hábito japonês e o consumo fora de casa é crescente. Além disso, Braga confia no avanço regional do café industrializado do Japão. ""Não se trata de uma simples reexportação, no sentido tradicional, mas na colocação de um produto com valor agregado que se impõe pela qualidade e tem sustentabilidade"", afirmou.


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