Mais grãos em ano de risco

Agronegócio

Mais grãos em ano de risco

Região Central do Brasil quer sustentar safra nacional de soja na casa de 68 milhões de toneladas
Por: -José Rocher
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A produtividade das lavouras de grãos esperada na região central do Brasil se tornou um fator inusitado nesta safra de verão. Minas Gerais e Goiás querem colher de 2% a 4% mais soja que em anos anteriores. No milho, o corte de 5% na área tende a ser compensado pelo aumento da produtividade. O quadro contrasta com o dos estados do Sul, que temem seca por causa do La Niña, e com o de Mato Grosso, que tenta recuperar o atraso no plantio. Todas as regiões estão apostando em bons preços na colheita, mas quem alcançar alta produtividade é que vai lucrar mais.

“Os preços são a vedete desta safra. O clima está bom até agora e, se a chuva continuar, a produtividade aumenta. Nesta safra, investiu-se um pouco mais em tecnologia”, afirma Leonardo Machado, técnico e analista da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg). A avaliação dos técnicos aparece nas estatísticas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Goiás tende a colher 2,95 mil quilos de soja por hectare, 2,5% a mais que no ano passado. Para Minas, o ren­­dimento previsto e de 2,94 mil quilos por hectare, com avanço de 4,3%.

Nos dados da Conab, esse avanço de produtividade ajuda a sustentar uma safra nacional de soja acima de 68 milhões de toneladas, marca atingida na temporada 2009/10. O papel da região é decisivo também no milho. Com maior rendimento, Minas deve assumir a liderança na produção de verão, alcan­çando 5,94 milhões de to­ne­­ladas. Tradicional líder, o Pa­­raná reduziu a área do cereal e pode colher 300 mil toneladas a menos que o concorrente do Sudeste.

Após as chuvas recentes, o plantio começou a deslanchar na porção central do Brasil. Em Goiás, se aproxima de 50% do total de 2,6 milhões de hectares previstos para a soja, área 3% maior que a de um ano atrás. No milho, que também avança na semeadura, os goianos recuaram 20 mil hectares, para 360 mil.

O produtor Wilson Zacarias, que cultiva 850 hectares em Anápolis (GO), relata estar “caprichando no manejo e no investimento em tecnologia”. Numa região em que o custo total da produção de soja é avaliado em R$ 1,2 mil por hectare, ele investe R$ 1,5 mil. Ele colheu 3,2 mil quilos de soja e 10 mil quilos de milho por hectare na safra 2009/10 e quer superar essas marcas neste ano. “Estou colhendo milho como nas melhores regiões do Paraná.”

O investimento extra está fazendo com que os produtores antecipem a venda da produção. Em contratos de troca, com­­prometem parte da colheita agora para não terem de car­­regar a conta dos insumos. “Perto de 40% da safra estão vendidos, o dobro dessa mesma época de 2009”, calcula o analista da Faeg.

A Expedição Safra chegou à região central do Brasil depois de três dias de chuva. O clima atual é consi­­derado bom para o plantio, que segue por mais um mês. A equipe de jornalistas tem apoio técnico de duas analistas da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as economistas Carla Neri e Patrícia Medeiros.

A equipe que está na Região Central percorre a última etapa da fase de plantio, que além de Minas Gerais e Goiás, inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o Matopiba.
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