Mandioca/CEPEA: Preços de 2010 são os maiores desde 2004

Agronegócio

Mandioca/CEPEA: Preços de 2010 são os maiores desde 2004

A média acumulada de 2010 foi de R$ 251,01/t, 50% maior que a de 2009
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Em decorrência da menor disponibilidade de matéria-prima em 2010, os preços da mandioca seguiram com altas significativas para a indústria de fécula. A média acumulada de 2010 foi de R$ 251,01/t, 50% maior que a de 2009 (R$ 167,27/t), e a mais alta desde 2004, período em que a produção de mandioca teve forte queda. Vale ressaltar ainda que problemas climáticos limitaram a entrega do produto para a indústria, principalmente em parte do segundo semestre.

Somente em janeiro, com poucas fecularias ativas, houve algum excedente para aquelas que operavam normalmente no mercado. A partir de então, as cotações seguiram em alta e atingiram a maior média mensal do ano (R$ 269,05/t) em março, início da temporada. Em períodos de pico de safra, houve maior pressão sobre as cotações do produto, movimento que seguiu também em abril e maio.

Passados aqueles períodos, a oferta passou novamente a ser menor, levando à recuperação de preços. Em junho, o valor médio chegou a R$ 258,90 por tonelada. Vale destacar que, em termos reais, este foi o maior valor para o mês de junho desde o início da série do Cepea, em 2002. Diante da oferta restrita, a média do primeiro semestre, em termos reais (deflacionada pelo IGP-DI de novembro), foi de R$ 246,24/t.

Além da indisponibilidade de raízes de segundo ciclo, visto que houve pouco avanço na área cultivada entre 2008 e 2009, e da produtividade foi aquém da esperada, problemas climáticos prejudicaram o avanço da colheita na segunda metade de 2010. Vale ressaltar ainda que a demanda por amidos esteve melhor, o que intensificou a disputa por matéria-prima entre as empresas. Deste modo, no segundo semestre, o preço médio da raiz foi de R$ 255,43/t, aumento de 3,7% em relação ao verificado na primeira metade do ano.

Entre a última semana de 2009 e igual período de 2010, a tonelada de mandioca para fecularias teve aumento de 22,5%. O acréscimo mais expressivo ocorreu no estado de São Paulo, de 63,7%. Paraná e Mato Grosso do Sul tiveram respectivos acréscimos de 34,3% e 24,8% em igual período.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção brasileira de mandioca em 2010 deve ser de 25,7 milhões de toneladas, quantidade 0,9% menor que a obtida no ano anterior (26,0 milhões). Quanto à área cultivada, deve passar de 1,87 milhão de hectares em 2009 para 1,83 milhão em 2010, baixa de 2%. Em relação à produtividade, para o mesmo período de comparação, o crescimento deve ser de apenas 1,1%, podendo atingir 14 t/ha em 2010.

Fécula: Dificuldade na produção impulsiona cotações – Diante do cenário econômico favorável em 2010, a demanda por amidos teve crescimento expressivo. Ao mesmo tempo, problemas na produção de fécula elevaram os preços deste produto ao longo de 2010.

Dados ainda preliminares do Cepea indicam que a produção de fécula em 2010 deverá ser entre 2% e 5% inferior à de 2009. Destaca-se ainda que os estoques das fecularias também seguem baixos, com volume equivalente a 5% da produção estimada pelo Cepea, o que pode significar baixos estoques de passagem entre 2010 e 2011.

A transição de 2009 para 2010 também foi de estoques de passagem baixos. Assim, compradores começaram o ano com o objetivo de formar novos estoques. Ao mesmo tempo, a oferta de raiz para a indústria de fécula seguia baixa e a preços mais elevados que os verificados em anos anteriores.

A maior média mensal de 2010 foi registrada em março (R$ 1.649,58/t), a maior para este mês desde 2004. Diante disso, a média do primeiro semestre foi de R$ 1.510,97/t. No segundo semestre, ainda com problemas na produção, a demanda pelo produto voltou a se elevar. Observou-se também diminuição na oferta de amido de milho no mercado, levando parte dos setores que utilizam o produto a buscar a fécula de mandioca como alternativa, mesmo com preços elevados. Na segunda metade do ano, o preço médio do produto foi de R$ 1.433,03/t.

Em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de novembro), a média acumulada de 2010 foi de R$ 1.470,46/t, valor 41,7% acima da verificada em 2009 (R$ 1.037,69/t) e também a maior para o período desde 2004. Diante do fato de os preços da raiz terem subido com mais intensidade que os da fécula, em 2010 houve diminuição na margem das fecularias, o que se justifica pela relação entre média de preços de fécula e de raiz de mandioca. A relação, que foi de 6,20 em 2009, caiu 5,5% em 2010, passando para 5,85.

Comparando-se a última semana de 2009 com o período de 27 a 30 de dezembro de 2010, o valor médio da fécula de mandioca subiu 12,8%. As altas mais expressivas ocorreram no estado de São Paulo (30,8%) e Santa Catarina (24,9%). No Paraná e Mato Grosso do Sul, os aumentos foram de 24,1% e 23,2%, respectivamente.

As dificuldades na produção e a demanda interna aquecida influenciaram as transações internacionais de fécula de mandioca em 2010. De acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), entre janeiro e novembro, as exportações brasileiras de fécula de mandioca totalizaram 5,58 mil toneladas, quantidade 40,3% menor que o observado em todo o ano de 2009 (9,31 mil t). Ao mesmo tempo, as importações brasileiras do produto passaram de 2,02 mil toneladas entre janeiro e novembro de 2009 para 11,1 mil t no mesmo período de 2010, acréscimo de 452%.

Nesse cenário, a balança comercial deste produto teve saldo negativo de 5,61 mil toneladas em 2010, o pior desde 2004. Vale lembrar que, em 2009, a balança comercial do produto teve superávit de 7,32 mil toneladas. O valor médio para exportação em 2010 foi de US$ 901,47/t, aumento de 47,4% em relação ao de 2009 (US$ 611,40/t). Mesmo com essa valorização, o saldo comercial do produto, após cinco anos, teve déficit de US$ 298,35 mil.

Na Tailândia, referência para o mercado internacional de fécula de mandioca, os preços estiveram elevados em 2010, conforme o Thai Tapioca Starch Association (TTSA). A média anual (base Bangcoc) foi de US$ 511,15/t , aumento de 74,7% em relação à de 2009 (US$ 292,43/t).

Farinha: Preço segue em alta com menor oferta – O consumo de farinha de mandioca avançou pouco em 2010, com ritmo de comercialização bastante próximo ao dos anos anteriores. De modo geral, os principais demandantes do produto foram os empacotadores, principalmente para a produção de farofas prontas ou semiprontas. Ao mesmo tempo em que a demanda cresceu neste segmento, houve diminuição na produção de farinha por conta da baixa oferta de matéria-prima.

Também com problemas na produção, a farinha de mandioca nordestina influenciou pouco no comportamento das cotações no Centro-Sul do Brasil, com alterações pontuais nos preços do produto. O fato é que, em todos os meses de 2010, os preços foram superiores aos verificados em 2009.

Em termos reais (preços deflacionados pelo IGP-DI de novembro/10), a farinha de mandioca branca/crua tipo 1 valorizou 15,2% entre a última semana de 2009 e o mesmo período de 2010. A farinha de mandioca grossa branca/crua tipo 1 teve aumento de 15,8% em igual período de comparação.

No acumulado do ano, a média da farinha de mandioca branca/crua tipo 1 foi de R$ 55,20/sc de 50 kg, aumento de 40,4% em relação à de 2009 (R$ 39,29/sc de 50 kg). O preço médio da farinha de mandioca grossa branca/crua tipo 1 foi de R$ 44,41/sc de 40 kg no mesmo período, aumento de 42% em relação ao de 2009 (R$ 31,26/sc de 40 kg).

A baixa oferta de mandioca, bem como a disputa por matéria-prima com as fecularias, foram os fatores para a alta nos preços da mandioca para farinheiras ao longo de 2010. A matéria-prima para esta indústria, ao longo do ano, teve aumento de 44,1%. A média acumulada de 2010 foi de R$ 234,42/t, superando em 52,2% a do mesmo período de 2009 (R$ 153,96/t).

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