Mapa reúne orientações para os impactos do El Niño
Mapa lança página com alerta e ferramentas para o agro
Foto: OceanOPS
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou nesta sexta-feira (2) uma página oficial com informações e orientações sobre o El Niño e os possíveis impactos do fenômeno na agricultura e na pecuária brasileira. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), reúne ferramentas para prevenção, preparação e mitigação de riscos climáticos.
Segundo dados divulgados pelo Mapa, a página reúne conteúdos sobre clima, crédito rural, seguro rural, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), assistência técnica, Plano Safra e Caminho Verde. Também estão disponíveis avisos meteorológicos sobre eventos severos, previsão do tempo para as capitais brasileiras, notas técnicas, o Painel El Niño e informações voltadas à agricultura, incluindo tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Veja mais informações sobre o clima em Agrotempo
O conteúdo apresenta ainda as ações do Grupo de Trabalho criado pelo Mapa para acompanhar a evolução do fenômeno e propor medidas de prevenção, preparação e mitigação dos possíveis impactos sobre a produção agropecuária. “Recebi o relatório final do Grupo de Trabalho que criamos aqui no Mapa sobre os impactos do El Niño no agro. E a conclusão aponta uma direção muito clara: não vamos esperar para agir. Por isso, atendendo a uma proposta do GT, vamos criar um núcleo permanente de gestão de riscos climáticos no Mapa. Não estamos criando uma estrutura apenas para atravessar o próximo El Niño. Estamos construindo uma capacidade permanente do Estado brasileiro para antecipar cenários e reduzir riscos”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
O trabalho desenvolvido pelo Mapa integra uma iniciativa coordenada pela Casa Civil, que reúne diferentes ministérios em uma força-tarefa para acompanhar os efeitos do fenômeno, planejar respostas e antecipar medidas destinadas a reduzir seus impactos sobre a população e os setores produtivos. No âmbito do Mapa, segundo dados divulgados pelo ministério, as ações buscam fortalecer a gestão integrada dos riscos climáticos por meio da combinação de prevenção, boas práticas de manejo, assistência técnica e instrumentos de proteção ao produtor. Entre esses mecanismos está o seguro rural, apresentado como uma das ferramentas de proteção disponíveis para a atividade agropecuária.
Entre os instrumentos apresentados na página está o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), voltado à gestão e transferência de riscos no campo.
Segundo dados divulgados pelo Mapa, a legislação publicada nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União estabelece que o seguro rural passe a integrar o conjunto de garantias das operações de crédito rural.
De acordo com o ministro, a integração entre diferentes instrumentos de política agrícola é importante para ampliar a capacidade de gestão dos riscos climáticos. “Não podemos enfrentar os riscos climáticos do futuro com instrumentos do passado. Zoneamento agrícola, seguro, crédito, pesquisa, inovação e informação climática vão trabalhar juntos. A emergência climática passa, mas a capacidade de prevenir fica”, afirmou André de Paula.
Com a medida, operações de crédito amparadas por seguro poderão contar com condições favoráveis de juros, prazos e limites, além de prioridade de acesso ao crédito e possibilidade de financiamento do prêmio do seguro.
A prioridade será obrigatória nos casos de prorrogação e renegociação de operações, conforme as regras estabelecidas pelo Poder Executivo.
Impactos do El Niño variam entre as regiões
Segundo dados divulgados pelo Mapa, o El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento provoca alterações na circulação atmosférica e mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. Os efeitos variam conforme cada região e podem afetar de maneira distinta culturas, pastagens e áreas agrícolas.
No Sul, uma das principais regiões produtoras de grãos do país, há previsão de excesso de chuvas.
No Centro-Sul, o cenário indica possibilidade de seca moderada e temperaturas elevadas. No norte do Sudeste, há risco de seca. Já no Nordeste e no Norte, incluindo a Amazônia, aumenta o risco de períodos de estiagem.