Agronegócio

Maringá (PR) estima safra de verão em R$ 360 milhões

A projeção foi feita pela Secretaria da Agricultura com base na produção de 29 municípios
Por: -Redação
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A estimativa da safra de verão na região de Maringá (PR) é de R$ 360 milhões. A projeção é da regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), tendo por base a produção de soja e milho nos 29 municípios da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), à exceção de Paranacity.

Os 222 mil hectares de soja plantados devem render 660 mil toneladas, pelas quais se espera o lucro de R$ 330 milhões. De milho, plantado em 16,8 mil hectares, devem ser colhidas 100 mil toneladas, pelas quais devem ser pagos R$ 30 milhões.

De acordo com Renato Cardoso, chefe regional da Seab, o otimismo se justifica pelas circunstâncias que cercam a safra de verão, bem diferentes da seca e das oscilações de câmbio registradas nos três últimos anos.

"A tendência do câmbio é permanecer estável, sem grandes variações entre o plantio e a colheita. O aumento da área de milho plantada pelos Estados Unidos também é um bom sinal, pois indica que a oferta de soja no mercado externo será menor, dando mais espaço para a safra brasileira", avalia.

O tempo favorável é apontado por Cardoso como mais um aliado do produtor , pois a chuva caiu na hora certa. "Estamos esperando boa produtividade para as duas culturas", revela. A expectativa é que a produção de milho por hectare seja de 6,1 mil quilos. De soja, são esperados 3 mil quilos por hectare.

Segundo projeções do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, baseadas em prognóstico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná vai produzir 11,81 milhões de toneladas de soja, número 28% maior que a produção de 2006.

Em relação ao milho, a expectativa é de colher 8,13 milhões de toneladas, produção quase 6% acima da registrada no ano passado, embora a área plantada no Estado tenha sido reduzida em quase 13%.

O presidente do Sindicato Rural de Maringá, José Antônio Borghi, reconhece que os indicativos são melhores que em outros anos, mas desconfia que o alívio será insuficiente. "As perspectivas de produtividade e preço são boas, mas não sei se na hora da colheita o câmbio não vai estar lá embaixo de novo". Para ele, a diferença de câmbio é uma sangria que deixa o produtor impotente.

Borghi reconhece que, entre os 350 associados do sindicato, há proprietários que reduziram a área de plantio de soja por receio de enfrentar dificuldades com o câmbio novamente. "Teve gente que optou por outra cultura, como milho ou cana-de-açúcar, em função das perspectivas tenebrosas que rondavam o plantio, além de limitações orçamentárias", revela.

De acordo com Cardoso, a área plantada com cana-de-açúcar aumentou cerca de 15 mil hectares em relação a 2006. "A tendência é maior na região do arenito. As usinas estão em expansão e despertando o interesse de mais produtores."

Dívidas

A maior parte dos produtores rurais paranaenses que prorrogou o pagamento das dívidas agrícolas da safra 2005/2006 optou pela quitação em cinco anos. De acordo Sérgio Mantovani, gerente de mercado de agronegócios do Paraná do Banco do Brasil, o valor da dívida gira em torno de R$ 1,2 bilhão.

"O cenário mudou bastante em seis meses. Hoje é muito positivo, o clima está favorável para a produção e o preço. Os insumos também tiveram queda de preço. Tudo indica que o produtor vai entrar em um ciclo melhor do que nos últimos três anos", reconhece.

Ele lembra que, ao contrário das safras anteriores, quando o dólar estava cotado a R$ 3,30 na época do plantio e a R$ 2,70 no período da colheita, a taxa atual, de R$ 2,16 está sendo mantida desde o início da safra.

Mantovani vê na fase atual o início da retomada do processo de recuperação da agricultura, mas alerta os produtores sobre a necessidade de cautela no momento de investir. "Uma parte do lucro deve ser reservada para os períodos de necessidade, que sempre vêm."

Segundo ele, muitos produtores estão recorrendo aos mecanismos de travamento de preço e de proteção de riscos climáticos, como a Bolsa de Mercadorias e Futuros e Bolsa de Opções .

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