Mel brasileiro no topo

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Mel brasileiro no topo

Com profissionalização e cuidados com meio ambiente é possível aumentar a produção nacional
Por: -Eliza Maliszewski
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O mel está presente no dia a dia dos brasileiros como alimento ou remédio. Teorias dizem que o produto é muito antigo. Os primeiros registros de abelhas datam de 42 milhões de anos. Suméria e Babilônia já conheciam o mel há cerca de 1100 a.C. As abelhas e o mel eram considerados sagrados no antigo Egito e o alimento só era dado a animais sagrados e usado em rituais.

O mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar que recolhem das flores e processam nas enzimas digestivas, sendo posteriormente armazenados em favos servindo de alimento para os insetos.Com o aprimoramento das técnicas de manejo foi possível aumentar a produção sem causar danos às colmeias, surgindo a apicultura. O mel é constituído, na sua maior parte (cerca de 75%), por açúcares simples (glicose e frutose), por água (cerca de 20%), por minerais (cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo, potássio, entre outros), por cerca de metade dos aminoácidos existentes, por ácidos orgânicos (ácido acético, ácido cítrico, entre outros) e por vitaminas do complexo B, por vitamina C, D e E. O mel possui ainda um teor considerável de antioxidantes.

No Brasil há produção de mel em todas regiões. Segundo o último levantamento feito pelo IBGE, em 2017, a produção anual é em média de 41.594 toneladas. O potencial para aumentar é grande. O país tem características de clima e flora favoráveis ao desenvolvimento da abelha africanizada. Há boas reservas florais (pasto apícola) e de floradas silvestres, que asseguram um mel de qualidade reconhecida no mercado internacional.

O Rio Grande do Sul é o principal produtor nacional. São 37 mil apicultores que produzem 8,5 mil toneladas anuais, concentrando 22,6% do total de colmeias no país com 487 mil caixas. Exporta para 14 países como Estados Unidos. Canadá e China, tendo gerado em 2018 R$ 11,9 milhões. 

No outro extremo do país o Ceará já liderou o ranking nacional com seis mil toneladas mas a seca e os baixos preços levaram à retração. Com investimento forte na profissionalização da agricultura familiar, o Estado busca recuperação em 2019. O governo investiu quase R$ 20 milhões no desenvolvimento de polos de produção na chamada “Rota do Mel”. A estimativa é que ocorra um salto produtivo de 22% no primeiro ano. O cálculo é simples: com a entrega de 29.156 colmeias e uma média de produção de 25 kg a cada 50 colmeias entregues, a atividade tende a ser impulsionada. O Ceará produz anualmente 1,77 mil toneladas de mel, ocupando a terceira posição.

Enquanto cada europeu consome 1,5 quilo per capta, entre os brasileiros o consumo não ultrapassa 100 gramas. Mais conhecido in natura, ele também é utilizado na indústria de cosméticos, com variedade de produtos, cremes, hidratantes e máscaras faciais, entre outros. Os tipos mais conhecidos são de laranjeira, eucalipto e jataí mas já há inovações como o mel de marmeleiro e cajueiro. De acordo com a origem da flor o mel tem diferentes aplicações no organismo, desde enxaqueca, regulador intestinal, energético, para a pele, entre outros.

Referência mundial em mel orgânico

Com qualidade e sustentabilidade empresas brasileiras têm se destacado no exterior. Um empresa de Santa Catarina é referência em produção de mel orgânico e vem conquistando títulos no mercado mundial, assegurando ao Brasil destaque na apicultura internacional. Pela quinta vez (2007, 2013,2015 , 2017 e 2019) o mel da Prodapys foi eleito o melhor do mundo na APIMONDIA - Associação Internacional das Federações de Apicultores. As premiações ocorreram na Austrália, Ucrânia, Coréia do Sul, Turquia e Canadá, respectivamente. 

O Portal Agrolink conversou com o diretor da empresa, Celio Hercílio Marcos da Silva, que ressalta a qualidade e os desafios da produção de mel no Brasil.

Portal Agrolink: como se dá a produção hoje?
Celio:
 temos o maior projeto do mundo de produção de mel orgânico   É uma parceria com mais de 950 famílias, distribuídas em todos os Estados, desde o Rio Grande do Sul até o Maranhão. Todo o custo desde a supervisão por auditores da empresa e auditores  das empresas certificadoras internacionais, é bancado pela Prodapys, sem qualquer ônus  para os apicultores. Os apiários devem estar localizados em áreas com distância mínima de 3 km de qualquer lavoura que faça uso de antibióticos. Essa localização é rigorosamente controlada por GPS. 

Portal Agrolink: o que assegura a qualidade do mel orgânico?
Celio:
a complementação  para que o mel produzido mantenha sua qualidade de orgânico está na rastreabilidade e no processamento de alto nível, o qual inclui controle rigoroso de todas as etapas de beneficiamento, incluindo análise laboratorial minuciosa gerenciada por cinco especialistas. Os meis passam por várias análises laboratoriais para determinar a sua qualidade e pureza. Depois serão avaliados por profissionais especializados que irão analisar textura, sabor, aroma e aparência.

Portal Agrolink: que tipos de mel é possível produzir?
Celio:
em tese cada flor produz um tipo de mel com sabor, cor e características próprias. Quando por análise do pólen existente no mel, constata -se que há mais  de 80% de pólen de uma determinada flor, considera-se este mel como Monofloral e classifica-se este mel com o nome da flor.  Quando constata-se uma diversidade de pólen em um tipo mel, denomina-se como Mel Multifloral.

Portal Agrolink: o que faz o diferencial do mel brasileiro ser reconhecido no mundo todo e qual a situação do mercado de mel orgânico em relação ao convencional?
Celio:
um dos fatores que faz do mel brasileiro um produto diferenciado é a grande diversidade da flora brasileira  Se você visitar uma mata em um país  europeu, por exemplo,  encontrará  uma pequena variedade de plantas. Ao entrar em uma mata brasileira, você se depara com centenas de espécie de plantas. O mercado internacional do mel brasileiro está enfrentado uma grande crise no momento. Isto porque o Brasil só tem competitividade se exportar mel orgânico. Se quisermos exportar mel convencional,  o Brasil não tem competitividade, pois a apicultura em muitos outros países é muito mais desenvolvida  que a brasileira. Ainda ontem em conversa com um apicultor canadense  soube que a produção média deste apicultor é de 160 kg/ano. No Brasil, a média não alcança 20 kg/ ano.

Portal Agrolink: como os produtores observam os problemas com mortandade de abelhas?
Celio:
o maior problema está na quebra de credibilidade internacional do mel orgânico brasileiro em razão da desastrada política brasileira com a preservação do meio ambiente e liberação e uso abusivo de agrotóxicos  e especialmente pela aplicação aérea dos defensivos. O recebimento de medalhas de ouro é  uma prova que apesar de tudo, o Brasil tem condições de produzir o mel orgânico da melhor qualidade.


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