Melhoramento de flores custa R$ 260 mil por variedade
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GENÉTICA

Melhoramento de flores custa R$ 260 mil por variedade

Em média, cada nova variedade demora cerca de sete anos para chegar ao mercado brasileiro
Por: -Eliza Maliszewski
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O setor de flores é um dos mais prejudicados com a pandemia mas têm buscado alternativas para driblar a crise. Com campanhas de conscientização sobre a importância da flor para presente, enfeitar a casa ou bem-estar, promoção de datas comemorativas, expansão de vendas on-line e lançamentos diferenciados a expectativa é motivar o produtor para que não deixe a atividade.

Sem a realização da Expoflora, a maior exposição da floricultura nacional da América Latina, que começaria neste semana, em Holambra (SP) a aposta é a apresentação de lançamentos em pontos de venda e de forma virtual. Em média, cada nova variedade demora cerca de sete anos para chegar ao mercado brasileiro, considerando o investimento em tempo de pesquisa e desenvolvimento pelos breeders (melhoristas) estrangeiros e os testes de adaptação de clima e de solo feitos no Brasil.

A Cooperativa Veiling, por exemplo, a maior do país com cerca de 400 associados, aposta em novas variedades que foram trazidas principalmente da Holanda (entre 60% e 70% delas), da Dinamarca e da Alemanha. Aperfeiçoadas com melhoramento genético o objetivo vai além da beleza, passando por maior durabilidade e resistência a doenças. As pesquisas e o desenvolvimento de cada nova variedade custam em torno de 40 mil euros ou mais de R$ 260 mil.

“A rosa ainda é a flor mais vendida no mercado brasileiro. Por isso, chegam anualmente no país cerca de 150 variedades novas para serem testadas pelos produtores, das quais 50 destas empresas que represento. De kalanchoes, creio que estejam em testes entre 30 e 40 novas variedades. Cerca de 95% das variedades que são testadas acabam sendo descartadas e nunca chegarão ao consumidor”, explica Michel de Graaf, representante da empresa de melhoramento genético holandesa Dummen Orange.

O investimento é feito pelo breeder, cabendo aos produtores os custos dos testes, que incluem a área para o plantio, mão-de-obra, vasos e produtos, como terra, adubo, fertilizantes e defensivos, por exemplo.  No entanto, os produtores precisam pagar royalties (quantia paga pelo direito de uso, exploração e comercialização) aos melhoristas, pelo investimento realizado. O preço dos royalties é muito variável, de R$ 100,00 para cada mil mudas para algumas variedades de kalanchoes a cerca de U$ 1,00 por planta, no caso das novidades em rosas. 

Lançamentos exóticos

No Brasil, os melhoramentos genéticos já acontecem em frutas e legumes, mas em flores, ainda não. No entanto, em algumas situações surgem cruzamentos espontâneos de flores e plantas, em uma mutação natural, originando uma nova variedade que é separada e acaba sendo multiplicada. 

Todo este trabalho resulta em novas variedades de encher os olhos e até exóticas. Um desses lançamentos é a flor de corte Eryngium “Blue Lagon” (foto de capa). Com o tom azul-metálico é uma das mais cortadas do mundo e única.

Outro resultado do melhoramento é a Rosa Wasabi, com coloração verde, que deve chegar ao mercado em novembro (foto). Outra atração são as kalanchoes. Muito presentes nos lares brasileiros, as novas variedades vem com duas cores na mesma pétala. A cor próxima ao miolo parece ter sido pincelada a mão. Já podem ser encontradas em diversas combinações de cores: amarelo com laranja ou com vermelho, branco, chocolate, e em vários tons de rosa. A borda e miolo são sempre diferentes. Essa variedade de Kalanchoe não têm perfume e permanece florida, em média, por quatro semanas.

Ainda aparecem como lançamento as suculentas bem diferentes em coloração e até incandescentes, quando permanecem expostas ao sol. Na mesma linha vem as echeverias colors (foto) que chegaram ao mercado no início de agosto. Elas são coloridas com a aplicação externa de uma tinta especialmente desenvolvida na Europa para não afetar a planta. 
 

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