As cotações da soja em Chicago, que vinham recuando durante a semana, na expectativa dos relatórios de plantio e estoques de passagem na posição 1º de março, anunciados no dia 31/03, acabaram subindo fortemente após estes anúncios. O primeiro mês cotado chegou a bater em limite de alta naquele dia, atingindo a US$ 14,36/bushel. Porém, no dia seguinte ao anúncio dos relatórios o mercado perdeu metade dos ganhos da véspera, fechando a quinta-feira (01/04) em US$ 14,02/bushel, contra US$ 14,14 uma semana antes. Vale destacar que a média de março ficou igualmente em US$ 14,14, representando 2,32% acima da média de fevereiro.
A título de comparação, a média de março de 2020 foi de apenas US$ 8,69/bushel. Ou seja, um ano após, o primeiro mês cotado está com o bushel valendo quase seis dólares a mais. Os relatórios não chegaram a trazer grandes surpresas, porém, o mercado esperava números um pouco mais robustos. Ou seja, em termos de área a ser semeada com soja nos EUA, a mesma foi indicada em 35,45 milhões de hectares, com um aumento de 5% sobre o ano anterior. Já os estoques de passagem ficaram sensivelmente baixos, recuando 31% em relação a março de 2020, ao serem estabelecidos em 42,4 milhões de toneladas. O mercado esperava, especialmente, uma área maior a ser semeada com soja.
Por sua vez, o jogo especulativo ficou novamente evidente. O mercado recuou no boato e subiu no fato, ou seja, subiu após o anúncio dos relatórios, mesmo estes confirmando a tendência geral que vinha se desenhando, embora em números mais fracos em relação às expectativas iniciais. Dito isso, na semana encerrada em 25/03, os EUA embarcaram 425.364 toneladas de soja, ficando dentro do esperado pelo mercado. Com isso, o total embarcado no atual ano comercial soma 54,07 milhões de toneladas, contra pouco mais de 31 milhões um ano antes.
A partir de agora será o clima nos EUA o elemento central a ser seguido em Chicago. Qualquer problema climático por lá deve manter as cotações nestes níveis elevados, continuando a pressão altista. Caso o clima transcorra normal e a colheita for dentro dos padrões esperados, Chicago, em novembro, deve registrar recuo. Por enquanto, entre as cotações de maio e de novembro naquela Bolsa a diferença é de quase dois dólares por bushel a menos em novembro. Aqui no Brasil os preços melhoraram, na esteira de um câmbio que voltou a se aproximar dos R$ 5,80 por dólar durante quase toda a semana. Mesmo com o avanço da colheita, a mesma continua atrasada. Assim, a média gaúcha no balcão fechou a semana da Páscoa em R$ 162,57/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 151,00 em Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 161,00/saco em Luís Eduardo Magalhães (BA).
A colheita no país atingiu a 67% da área nesta virada de mês, contra 74% no ano passado nesta época e 70% na média histórica. Mesmo assim, diante das produtividades médias obtidas até o momento, alguns analistas voltam a elevar o volume a ser colhido no final da safra. Agora, espera-se, segundo Safras & Mercado, um total de 134,1 milhões de toneladas, ou seja, 5,4% acima do volume colhido no ano passado. Mesmo nos Estados do Centro-Oeste, onde a umidade foi grande durante a colheita, a produtividade média tem sido satisfatória. Já no Rio Grande do Sul, onde a colheita gira ao redor de 15% a 20% da área, estando bastante atrasada, a produtividade média alcança ao redor de 70 sacos/hectare, havendo casos de até 90 sacos/hectare. A produtividade final estadual é esperada em 55,4 sacos/hectare (cf. Emater). No Paraná, até o final de março a colheita atingia a 88% da área, superando os 85% do ano anterior neste época.
Enfim, em termos de exportação, a Anec estima que março tenha fechado com um volume de 15,4 milhões de toneladas vendidas ao exterior, batendo um novo recorde mensal. No total do ano comercial atual o Brasil espera exportar mais de 80 milhões de toneladas de soja.