Mercado de fertilizantes projeta recuperação em 2027
Entregas estão projetadas em 47,5 milhões de toneladas
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O mercado brasileiro de fertilizantes deve encerrar 2026 com uma retração de 11% nas entregas, após registrar volume recorde no ano anterior. A estimativa é de 43,6 milhões de toneladas comercializadas, diante das 49,1 milhões de toneladas contabilizadas em 2025. A redução é atribuída principalmente aos custos de produção e à perda do poder de compra dos agricultores. Para 2027, a expectativa é de recuperação, com entregas projetadas em 47,5 milhões de toneladas.
As estimativas foram apresentadas pelo engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, realizado na quinta-feira (22), em Curitiba (PR). O encontro reuniu 1,2 mil participantes de mais de 350 empresas brasileiras e estrangeiras.
De acordo com o analista, o aumento das despesas nas propriedades rurais levou os produtores a reduzir a aquisição e a aplicação de fertilizantes nas lavouras. A projeção de queda nas entregas ainda pode ser revisada, conforme a evolução das condições de mercado.
“Mas as projeções são atualizadas a cada mês, então esse percentual ainda pode ser maior”, afirmou Souza.
A redução do consumo também aparece nos indicadores de aplicação de nutrientes. Segundo levantamento apresentado pela Agrinvest, o uso de pentóxido de fósforo (P2O5) atingiu o menor nível da série histórica em 2026, com média de 45,2 quilos, ante 72,6 quilos registrados em 2021.
Conforme Souza, os dados indicam que os agricultores utilizaram entre 20% e 25% menos fósforo, mesmo diante do aumento da área cultivada e da produtividade agrícola. O movimento também atingiu outros fertilizantes, com reduções de 21% no nitrogênio e de 20% na ureia, além de variação negativa de 18% no sulfato de amônia, no acumulado de janeiro a setembro.
A diminuição na aplicação de nutrientes ocorre em um cenário de pressão sobre as margens da atividade agrícola. O presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira, destacou que a instabilidade internacional e os custos internos contribuíram para restringir a capacidade de investimento dos produtores.
Entre os principais fatores mencionados estão as guerras, sanções comerciais e restrições à navegação, que afetaram o fornecimento internacional de fertilizantes. No Brasil, os juros elevados, os custos de transporte e as mudanças na tributação estadual e federal também pressionaram o setor.
“Tivemos um ano extremamente difícil. Temos uma máxima no setor que um ano nunca é igual ao outro, mas este foi inacreditável. O gráfico de preços parecia um eletrocardiograma”, avaliou Teixeira.
Apesar da volatilidade dos preços e das dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva, o dirigente ressaltou que o abastecimento de fertilizantes foi mantido ao longo do período. Segundo ele, a principal limitação esteve relacionada à capacidade financeira dos agricultores para adquirir os insumos.
A avaliação do Sindiadubos-PR é de que as entregas de fertilizantes podem apresentar redução entre 10% e 15% em 2026. O percentual considera o comportamento dos produtores diante do aumento dos custos e das dificuldades para manter os investimentos nas lavouras.
A situação também mobiliza entidades representativas do agronegócio e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que discutem medidas para reduzir os custos da atividade e melhorar as condições de financiamento rural.
Entre as demandas apresentadas pelo setor estão a renegociação das dívidas rurais, a redução das taxas de juros, a revisão da tabela de frete mínimo, a regulamentação da reforma tributária e a ampliação do acesso ao seguro agrícola.
A tributação dos fertilizantes é um dos pontos de preocupação. Conforme Teixeira, em determinados estados, a incidência de ICMS e PIS/Cofins sobre esses produtos chega a 8%, aumentando os custos de aquisição dos insumos.
Embora o cenário atual seja de retração, a Agrinvest identifica perspectivas de recuperação da demanda a partir de 2027. A projeção de entregas de 47,5 milhões de toneladas representa uma retomada em relação ao volume estimado para 2026, embora ainda permaneça abaixo do recorde alcançado em 2025.
Entre os fatores que podem favorecer a recuperação estão o aumento da utilização de milho na produção de etanol, a expansão de culturas como o sorgo e o fortalecimento do cultivo de soja.
“Temos um cenário de incertezas no curto prazo, mas há vetores claros de crescimento para os próximos anos. O volume de milho destinado à produção de etanol tem uma perspectiva excelente, assim como a expansão de culturas alternativas, como o sorgo, e o fortalecimento do ciclo da soja”, afirmou Souza.